Para meu alívio e me pavor é Laura, estirada, com seus
cabelos loiros soltos boiando na água do mar. Ela ainda está usando o pijama.
Pego-a em meus braços e a levo para a UPA 24horas próxima da praia. Eles
internam-na e um médico, velho conhecido meu, vem ao meu encontro.
- Cezar, como você está?
- Mais aliviado, eu acho. – Ele parece preocupado, mas não
presto tanta atenção nisso.
- Vou ser direto. Ela não está bem, o que ela fez foi muito
arriscado.
- Quanto tempo Ricardo?
- E...
- Quanto? – Interrompo-o deixando constrangido.
- Minutos... Sinto muito! – Ele distancia-se dando-me as
costas, dando passagem ele mostra-me onde ela está.
Vou até lá e sento ao seu lado segurando sua mão.
Ela já parece morta, mas ainda tem atividade cerebral,
fraca, mas tem.
Começo a pedir a Deus que me leve em seu lugar. Mas não há
resposta. Peço então intercessão.
- Querida amiga. Você me deu a treze anos e maio atrás um
desejo em troca de me manter vivo. Agora lhe peço, então, socorro. Fale com o
Pai e ajude minha filha. Eu imploro... – Chorando sobre o corpo gélido da minha
pequena vejo-a chegar.
- Cezar querido, tudo bem? – Ela se aproxima com leveza e
graça.
- Ezzabequel, como você pode? – Meu rosto está banhado por
minhas próprias lágrimas.
- Era necessário. Nós fizemos nossas escolhas e ela a dela.
- Você, no dia do nascimento de Laura me concedeu um desejo
para que em troca eu não me matasse diante da situação.
- Você tem certeza do que quer? – Não respondo-a, só
encaro-a sério.
Ela se aproxima deita sobre meus lábios um beijo, gelado,
sugador de vidas, abrindo suas asas negras leva minha alma junto dela.
Laura voltou à vida, aprece viver como uma menina normal, comum.
Uma órfã comum. Uma órfã que o pai sacrificou sua vida pela sua filha que
queria ser comum.

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