quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Sonho: Angústia torrencial Part. II- Final



Para meu alívio e me pavor é Laura, estirada, com seus cabelos loiros soltos boiando na água do mar. Ela ainda está usando o pijama. Pego-a em meus braços e a levo para a UPA 24horas próxima da praia. Eles internam-na e um médico, velho conhecido meu, vem ao meu encontro.
- Cezar, como você está?
- Mais aliviado, eu acho. – Ele parece preocupado, mas não presto tanta atenção nisso.
- Vou ser direto. Ela não está bem, o que ela fez foi muito arriscado.
- Quanto tempo Ricardo?
- E...
- Quanto? – Interrompo-o deixando constrangido.
- Minutos... Sinto muito! – Ele distancia-se dando-me as costas, dando passagem ele mostra-me onde ela está.
Vou até lá e sento ao seu lado segurando sua mão.
Ela já parece morta, mas ainda tem atividade cerebral, fraca, mas tem.
Começo a pedir a Deus que me leve em seu lugar. Mas não há resposta. Peço então intercessão.
- Querida amiga. Você me deu a treze anos e maio atrás um desejo em troca de me manter vivo. Agora lhe peço, então, socorro. Fale com o Pai e ajude minha filha. Eu imploro... – Chorando sobre o corpo gélido da minha pequena vejo-a chegar.
- Cezar querido, tudo bem? – Ela se aproxima com leveza e graça.
- Ezzabequel, como você pode? – Meu rosto está banhado por minhas próprias lágrimas.
- Era necessário. Nós fizemos nossas escolhas e ela a dela.
- Você, no dia do nascimento de Laura me concedeu um desejo para que em troca eu não me matasse diante da situação.
- Você tem certeza do que quer? – Não respondo-a, só encaro-a sério.
Ela se aproxima deita sobre meus lábios um beijo, gelado, sugador de vidas, abrindo suas asas negras leva minha alma junto dela.
Laura voltou à vida, aprece viver como uma menina normal, comum. Uma órfã comum. Uma órfã que o pai sacrificou sua vida pela sua filha que queria ser comum.
Talvez no futuro Ricardo, seu, agora, tutor, conte o que aconteceu de verdade, conte quem foram seus pais e os sacrifícios que eles fizeram por ela, mas não sei de fato se o fará. Por enquanto eu intercedo por ela, mas futuramente espero vela, frente a frente. E abraça-la amando-a como um dia amei.

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