sábado, 19 de janeiro de 2013

Pesadelo futurista Part. I


Cansado de mais um dia corriqueiro de trabalho faço como o de costume ao chegar em casa, como e ajeito tudo bem rápido para deitar-me logo pois sempre estou morto de cansado á essa hora.
Sinto um vento frio a me embalar e minha cama parece um chão pedregoso e coberto por areia e pó. Essa poeira está me sufocando, mas mau consigo mexer-me e assim pego novamente em sono profundo.
Tenho a sensação de estar sendo carregado em uma maca. Estou com um sono leve e o tremular do meu encosto está me incomodando, mas não consigo acordar para ver o que é.
É como se eu estivesse sonhando com o nada e não conseguisse acordar.
Depois de muito sentir acordo em um quarto estranho, o lugar é uma perpétua penumbra, as paredes tem uma coloração de verde água e o espaço tem um ar de cativeiro. Olho pela janela e vejo uma vastidão de barro vermelho, com alguns prédios em ruinas e o céu é rosa, há uma poeira no ar que parece cintilar.
Sofregamente procuro sair desse lugar deparando-me com um enorme corredor com vários quartos como o de onde saí, o meu não é um dos do início e nem os do final, ele está enumerado, na porta, por vinte sete. Vou em direção ao quarto número um.
Temo o que posso encontrar aqui.
Caminhando, assustado, vejo alguém vindo, ligeiramente entro no primeiro quarto que vejo com a porta aberta. Fico de costas para a parede, escondendo-me de, seja lá quem for.
- Não precisa ter medo, estamos aqui para te ajudar. – Ouço uma voz, acolhedora, vinda do corredor. Mantenho-me imóvel onde estou. Fico a espreita e ela entra estendendo a mão para cumprimentar-me.
- Meu nome é Evangeline, mas todos me chamam de Lili. Minha chefe, a chefe do forte esquadrão, onde estamos, te achou desmaiado e te salvamos. – Recuso ao cumprimento e ela recolhe a mão.
- Como você me salvaram se eu estava em casa? Para onde vocês me trouxeram? Que lugar estranho é esse?
- Você... – Ela hesita estranhando a situação e modula a voz para responder. – De onde você é? Ou melhor... De quando? – Fica um ar de tensão e estranheza no ambiente.
- Carioca da gema, 2013... – Balbucio.
- Você no Forte Esquadrão, o único lugar, ainda de pé, que tem as necessidades básicas para um ser humano sobreviver. Aqui é meio que um refúgio. Estamos em 3006 DC no planeta Salésio29 um planeta a 365 anos luz da Terra, mas o mais próximo dela com a melhor adaptação humana.
- Houveram teste em outros planetas?
- Depois das guerras o único refúgio foi esse. Viemos para cá no ano de 2896 e de lá pra cá, aqui vem sendo a nova Terra, aconteceu todo outra vez. – E notória minha cara de embasbacado. – Nós colonizamos o planeta, mas houve uma guerra intergaláctica e com a invasão de extra salesios, ES, tudo foi destruído. O fato é para refugiar os atingidos pela guerra, que quiserem. Há também a Resistência, essa se prepara para guerrilhar com outros planetas e colonizar novos lugares escravizando outras espécies. O forte também tem pessoas se preparando para, caso tenha, uma guerra. Mas é mais para defender nossa moradia do que atacar.
- E o ar? E a tecnologia? Explique-me todo o que perdi...
- O ar aqui é um pouco nocivo, mas nada a se temer, se ele for respirado em pouca quantidade ele é capaz de lhe fazer bem, é só não respirar muita poeira próxima ao chão. Mas aqui tem um sistema super inteligente de proteção, ele não só filtra nosso ar, como nos tira de qualquer sistema de navegação. Não sei o porque, mas Verônica, a chefe do forte, diz que é o melhor para nossa proteção. E a tecnologia tecnologia deve ser bem mais avançada do que a da sua época, ms algumas cosas ainda se parecem, como as construções. Os materiais mudaram, mas o produto final é muito similar ao arcaico. Eu só não fico surpresa de você ter vindo por que sei que a resistência costuma fazer recrutamento de pessoas do passado. Agora só basta saber o porquê você é tão especial para eles... – Ela está encarando-me.
- Eu... eu sou inteligente..
- Não sei o quanto se isso é o bastante, então, explore por aí, tenho que resolver umas coisinhas... – Ela sai do quarto. Quando vou procura-la no corredor ela já desapareceu na penumbra do horizonte.
Caminhando pelo casarão encontro o que deve ser a sala de jantar, enfrente ela está uma outra sala, trancada, está marcada como o quarto número 1. Seguindo o caminho, vejo um grande depósito com uma enorme fornalha no meio. Uma mulher loira está jogando brinquedos e coisas velhas dentro da fornalha com uma pá. Vou me aproximando com cuidado.
- É assim que mantemos o nosso sistema de proteção ativo. – Ela se quer olha-me para falar.
- O que é isso?
- Sonhos esquecidos. Sonhos esquecidos, velhos, tralha emocional. Mas só é útil o que é bom... – me aproximo e vejo que a pilha de onde ela está pegando tem brinquedos de borracha, livros, óculos, papéis, fotos e ursinho.
Começo a perceber que esse lugar não faz sentido algum. Sonhos, onde já se viu algo abstrato ser materializado para alimentar, por uma fornalha, um sistema de proteção, de alta tecnologia.
- Não faz sentido não é? Também, sou plano da resistência e sei o que você está passando. – Continua trabalhando e por um minuto encosta a pá em uma pilha, muito bem arrumada, de placas de computador. – Sou Hilary, fui pacifista por várias causas na Europa oriental e já te digo, muitas coisas não vão lhe fazer sentido algum aqui, mas é melhor se adaptar ou... – Ela me vira as costas e sai deixando-me sozinho no galpão de sonhos esquecidos.

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