Cansado de mais um
dia corriqueiro de trabalho faço como o de costume ao chegar em casa, como e
ajeito tudo bem rápido para deitar-me logo pois sempre estou morto de cansado á
essa hora.
Sinto um vento frio a me embalar e minha cama parece um chão
pedregoso e coberto por areia e pó. Essa poeira está me sufocando, mas mau
consigo mexer-me e assim pego novamente em sono profundo.
Tenho a sensação de estar sendo carregado em uma maca. Estou
com um sono leve e o tremular do meu encosto está me incomodando, mas não
consigo acordar para ver o que é.
É como se eu estivesse sonhando com o nada e não conseguisse
acordar.
Depois de muito sentir acordo em um quarto estranho, o lugar
é uma perpétua penumbra, as paredes tem uma coloração de verde água e o espaço
tem um ar de cativeiro. Olho pela janela e vejo uma vastidão de barro vermelho,
com alguns prédios em ruinas e o céu é rosa, há uma poeira no ar que parece
cintilar.
Sofregamente procuro sair desse lugar deparando-me com um
enorme corredor com vários quartos como o de onde saí, o meu não é um dos do
início e nem os do final, ele está enumerado, na porta, por vinte sete. Vou em
direção ao quarto número um.
Temo o que posso encontrar aqui.
Caminhando, assustado, vejo alguém vindo, ligeiramente entro
no primeiro quarto que vejo com a porta aberta. Fico de costas para a parede,
escondendo-me de, seja lá quem for.
- Não precisa ter medo, estamos aqui para te ajudar. – Ouço
uma voz, acolhedora, vinda do corredor. Mantenho-me imóvel onde estou. Fico a
espreita e ela entra estendendo a mão para cumprimentar-me.
- Meu nome é Evangeline, mas todos me chamam de Lili. Minha
chefe, a chefe do forte esquadrão, onde estamos, te achou desmaiado e te
salvamos. – Recuso ao cumprimento e ela recolhe a mão.
- Como você me salvaram se eu estava em casa? Para onde
vocês me trouxeram? Que lugar estranho é esse?
- Você... – Ela hesita estranhando a situação e modula a voz
para responder. – De onde você é? Ou melhor... De quando? – Fica um ar de
tensão e estranheza no ambiente.
- Carioca da gema, 2013... – Balbucio.
- Você no Forte Esquadrão, o único lugar, ainda de pé, que
tem as necessidades básicas para um ser humano sobreviver. Aqui é meio que um
refúgio. Estamos em 3006 DC no planeta Salésio29 um planeta a 365 anos luz da
Terra, mas o mais próximo dela com a melhor adaptação humana.
- Houveram teste em outros planetas?
- Depois das guerras o único refúgio foi esse. Viemos para
cá no ano de 2896 e de lá pra cá, aqui vem sendo a nova Terra, aconteceu todo
outra vez. – E notória minha cara de embasbacado. – Nós colonizamos o planeta,
mas houve uma guerra intergaláctica e com a invasão de extra salesios, ES, tudo
foi destruído. O fato é para refugiar os atingidos pela guerra, que quiserem.
Há também a Resistência, essa se prepara para guerrilhar com outros planetas e
colonizar novos lugares escravizando outras espécies. O forte também tem
pessoas se preparando para, caso tenha, uma guerra. Mas é mais para defender
nossa moradia do que atacar.
- E o ar? E a tecnologia? Explique-me todo o que perdi...
- O ar aqui é um pouco nocivo, mas nada a se temer, se ele
for respirado em pouca quantidade ele é capaz de lhe fazer bem, é só não
respirar muita poeira próxima ao chão. Mas aqui tem um sistema super
inteligente de proteção, ele não só filtra nosso ar, como nos tira de qualquer
sistema de navegação. Não sei o porque, mas Verônica, a chefe do forte, diz que
é o melhor para nossa proteção. E a tecnologia tecnologia deve ser bem mais avançada
do que a da sua época, ms algumas cosas ainda se parecem, como as construções.
Os materiais mudaram, mas o produto final é muito similar ao arcaico. Eu só não
fico surpresa de você ter vindo por que sei que a resistência costuma fazer
recrutamento de pessoas do passado. Agora só basta saber o porquê você é tão
especial para eles... – Ela está encarando-me.
- Eu... eu sou inteligente..
- Não sei o quanto se isso é o bastante, então, explore por
aí, tenho que resolver umas coisinhas... – Ela sai do quarto. Quando vou
procura-la no corredor ela já desapareceu na penumbra do horizonte.
Caminhando pelo casarão encontro o que deve ser a sala de
jantar, enfrente ela está uma outra sala, trancada, está marcada como o quarto
número 1. Seguindo o caminho, vejo um grande depósito com uma enorme fornalha
no meio. Uma mulher loira está jogando brinquedos e coisas velhas dentro da
fornalha com uma pá. Vou me aproximando com cuidado.
- É assim que mantemos o nosso sistema de proteção ativo. –
Ela se quer olha-me para falar.
- O que é isso?
- Sonhos esquecidos. Sonhos esquecidos, velhos, tralha
emocional. Mas só é útil o que é bom... – me aproximo e vejo que a pilha de
onde ela está pegando tem brinquedos de borracha, livros, óculos, papéis, fotos
e ursinho.
Começo a perceber que esse lugar não faz sentido algum.
Sonhos, onde já se viu algo abstrato ser materializado para alimentar, por uma
fornalha, um sistema de proteção, de alta tecnologia.
- Não faz sentido não é? Também, sou plano da resistência e
sei o que você está passando. – Continua trabalhando e por um minuto encosta a
pá em uma pilha, muito bem arrumada, de placas de computador. – Sou Hilary, fui
pacifista por várias causas na Europa oriental e já te digo, muitas coisas não
vão lhe fazer sentido algum aqui, mas é melhor se adaptar ou... – Ela me vira
as costas e sai deixando-me sozinho no galpão de sonhos esquecidos.
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