Teimo em escrever algo que meu coração não quer me contar,
travo uma batalha épica comigo mesmo em busca de respostas que já tenho, mas
não sei por onde começar e por onde acatar.
Meu coração dói só em pensar em aliviar a dor, mas não sei o
que fazer. Fico parado olhando a dor latejar meu músculo morto. Fico olhando no
canto do quarto na penumbra, olhando o músculo pulsando e sendo carbonizado,
minha única fonte de calor agora é ver meus próprios sonhos serem queimados
para minha sobrevivência.
Não sei o que fazer, a confusão e a contradição tomam conta
de mim, impossibilitando-me de pensar ou de reagir.
Só o fato de pensar já faz cada fibra do meu ser estremecer.
A lágrimas que escorrem de mim, não saem mais dos meus olhos
secos e sem vida e sim do meu peito, onde ficam os olhos da minha alma, uma
criança agachada e que segura as pernas junto do peito, uma criança com medo e
indefesa.
Tenho medo, não sei do que, faço coisas que não quero fazer,
mas para falar a verdade eu não sei o que de fato quero fazer.
Entristeço-me por não ser como queria e iro-me por não fazer
o certo. Minha tristeza atrapalha meu desempenho aos meios e a ira atrapalha
meu relacionamento.
Meu cer é um misto de mil e uma sensações sem sentido e sem
dono, sou como um poço cheio de peixes de várias raças, peixes grandes,
pequenos, pretos, brancos, coloridos e transparentes, de água salgada e doce.
Eles se devoram deixando somente o mais forte sobreviver. Essa batalha parece
não ter fim. Eles estão se habituando ao ambiente e ainda estão lutando para
ver quem sobrevivi. Tenho medo de descobrir quem será o ganhador.
Esse pesadelo parece não ter fim.
Fecho meus olhos por milhões de vezes, esperando que quando
abri-los eu verei a luz da aurora e descobrirei que tudo não passou de mais uma
brincadeira do meu subconsciente, mas isso não funciona, não funciona.
Eu choro e cada vez mais a vida parece enlaçar-me em uma
cilada. Estou cada vez mais confuso, como quando estamos sonhando que estamos
caindo e caindo em um abismo eterno, estamos caindo e não paramos, queremos
gritar e não conseguimos e acordamos ao encontrar o chão. Mas eu não encontro o
chão.
A única coisa que encontro é um canil com dois cães. Um me
parece faminto e muito dócil e o outro está latindo freneticamente, parece
querer me atacar e está forte, saldável, ele me investe medo. Ao me aproximar
desse cão frágil percebo que ele não é tão frágil assim e ele se levanta
algemando-me á sua coleira, mostrando sua verdadeira aparência maldita e o
outro rottweiler fala “Eu tentei te
ajudar, mas você temeu-me.”
E assim acordo, assustado como uma criança de dezoito
anos...
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