quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Confusão e contradição


Teimo em escrever algo que meu coração não quer me contar, travo uma batalha épica comigo mesmo em busca de respostas que já tenho, mas não sei por onde começar e por onde acatar.
Meu coração dói só em pensar em aliviar a dor, mas não sei o que fazer. Fico parado olhando a dor latejar meu músculo morto. Fico olhando no canto do quarto na penumbra, olhando o músculo pulsando e sendo carbonizado, minha única fonte de calor agora é ver meus próprios sonhos serem queimados para minha sobrevivência.
Não sei o que fazer, a confusão e a contradição tomam conta de mim, impossibilitando-me de pensar ou de reagir.
Só o fato de pensar já faz cada fibra do meu ser estremecer.
A lágrimas que escorrem de mim, não saem mais dos meus olhos secos e sem vida e sim do meu peito, onde ficam os olhos da minha alma, uma criança agachada e que segura as pernas junto do peito, uma criança com medo e indefesa.
Tenho medo, não sei do que, faço coisas que não quero fazer, mas para falar a verdade eu não sei o que de fato quero fazer.
Entristeço-me por não ser como queria e iro-me por não fazer o certo. Minha tristeza atrapalha meu desempenho aos meios e a ira atrapalha meu relacionamento.
Meu cer é um misto de mil e uma sensações sem sentido e sem dono, sou como um poço cheio de peixes de várias raças, peixes grandes, pequenos, pretos, brancos, coloridos e transparentes, de água salgada e doce. Eles se devoram deixando somente o mais forte sobreviver. Essa batalha parece não ter fim. Eles estão se habituando ao ambiente e ainda estão lutando para ver quem sobrevivi. Tenho medo de descobrir quem será o ganhador.
Esse pesadelo parece não ter fim.
Fecho meus olhos por milhões de vezes, esperando que quando abri-los eu verei a luz da aurora e descobrirei que tudo não passou de mais uma brincadeira do meu subconsciente, mas isso não funciona, não funciona.
Eu choro e cada vez mais a vida parece enlaçar-me em uma cilada. Estou cada vez mais confuso, como quando estamos sonhando que estamos caindo e caindo em um abismo eterno, estamos caindo e não paramos, queremos gritar e não conseguimos e acordamos ao encontrar o chão. Mas eu não encontro o chão.
A única coisa que encontro é um canil com dois cães. Um me parece faminto e muito dócil e o outro está latindo freneticamente, parece querer me atacar e está forte, saldável, ele me investe medo. Ao me aproximar desse cão frágil percebo que ele não é tão frágil assim e ele se levanta algemando-me á sua coleira, mostrando sua verdadeira aparência maldita e o outro rottweiler  fala “Eu tentei te ajudar, mas você temeu-me.”
E assim acordo, assustado como uma criança de dezoito anos...

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