A partir do CD, fizemos nosso primeiro Show de cinco mil
pessoas. E daí nossa carreira alavancou. Começamos a fazer vários show, cantar
em bar e em festinhas ficou pacato e nós viramos estrelas quando fizemos nossa
primeira turnê no Brasil. Já tínhamos dois CDs, o segundo se chamava “Sete dias
para morrer”.
Nós já tínhamos nossa própria banda, nós nos misturávamos em
quanto papéis e cada um virava o rebelde que queria. Todos cantávamos e às
vezes tocávamos também. Cantávamos até músicas internacionais e também algumas
músicas originais, em português, inglês e espanhol.
A estreia do nosso segundo CD de músicas originas, o
terceiro CD de nossa carreira, “Sete dias de verdade”, foi o precursor da nossa
turnê mundial. Uruguai, Argentina, Bolívia, Peru, Brasil, Colômbia, México,
Estados Unidos, Canadá, Europa, França, Rússia, Itália, África do Sul, China,
Japão, Egito, Turquia, Alemanha, Califórnia e Havaí, vinte países, nossa maior
turnê.
Não tínhamos descanso, nenhum. Nós sempre estávamos sobre os
palcos, se não estávamos cantando em shows gigantescos, estávamos cantando em
desfiles de moda, ou em eventos especiais, cantamos no carnaval de Salvador, no
Show da virada em Copacabana, cantamos no Brazilian day nos Estados Unidos e em
muitos outros. Estávamos nos melhores programas da tv e sempre tínhamos que
fingir que aquilo era nossa vida, mal sabiam que tudo começou com um trabalho
de faculdade.
Nós estávamos fartos, cansados, usávamos todo tipo de droga
para aguentarmos mais um show, só isso que falávamos. “Só mais um show e depois
descansamos”, mas nunca descansávamos.
Nos usávamos remédios e quando os remédios já não davam jeito nós fumávamos
maconha, cheirávamos cocaína, e usávamos de tudo. LSD era só para ajudar na hora
de escrever as músicas.
Nós estávamos era Fudendo com nossas vidas, nós só queríamos
provar que a tese de Claudio era verdadeira, mas acabou que nós matamos Rubens
de Overdose.
Ele deixou três filhos com mulheres diferentes, ele fez três
filmes pornôs e duas revistas nú, tirando os trabalhos oficiais da banda e como
modelo. Antes de morrer ele virou modelo, ele era o que mais trabalhava, seu
sonho era sair daquela vida e estava juntando dinheiro para voltar á faculdade
e construir alguma coisa. Ele era o que mais se drogava para ficar acordado.
Ele chegou a confessar a mim que nunca dormia, ele disse que tomou tantos
remédios, pra ficar acordado, na vida que não conseguia mais dormir.
Com a morte de Rubens, nosso baterista, tentamos continuar a
com a banda, mas não conseguimos, não conseguimos substitui-lo então doamos
todos os bens da banda para um instituto. Construímos o instituto de
reabilitação Rubens Silvestre, para jovens viciados.
Saímos da banda com uma mão atrás e outra na frente.
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