Entramos a uma grande festa. Uma festa temática, toda
ornamentada com elementos de castelos, de vida feudal, misturado com vida
circense e com músicas contemporâneas.
- Vou pegar alguma bebida. Vê se não se mete em confusão. -
E ele se afasta.
Caminho pela festa e admiro a decoração. Encontro um antigo
amigo e puxo conversa. Ele me oferece uma bebida e aceito, já que Emerson ainda
não chegou com a minha bebida.
Dou a primeira golada e engasgo pelo teor alcoólico que há.
- Nossa. - Tusso. - É forte. - Meus olhos estão
lacrimejando.
- Ué. - Ele ri. - Armando, você já foi mais forte. Mais
macho. - Ele ri e acabo sucumbindo ao impulso de retribuir à ironia.
Sem querer, ao começar a tocar a música Yellow da banda
Coldplay, eu desvio o olhar de meu amigo e percebo ela/você. Com um vestido
justo e longo. Quando chega as coxas ele se alarga e desce em uma espécie de
babado. Uma cor incomum, ressaltando seus olhos em uma tonalidade incomum de
castanho escuro.
Você está conversando com seus amigos, colegas,
companheiros, ou sei lá. Simplesmente está radiante, alegre, de uma forma que
nem imaginaria te ver. Está com uma latinha de cerveja à mão e um copo. Está
com o cabelo solto.
É engraçado ver sua pequenez ao meio de seus conterrâneos e,
também, sua presença forte sobre eles. Seu poder. Você mostra sua presença.
Mostra que não pode ser pisada, apesar de ser pequena. Mas, então, por que você
estava chorando?
Uma amiga sua percebe que estou te fitando e fita-me, você
nota e, imperceptivelmente, segue seu olhar e encontra com o meu.
Ficamos nos fitando por uns segundos. Seu rosto fica sério e
logo entrega a latinha de cerveja a uma amiga.
Você que vem ao meu encontro.
Não fico parado. Caminho e nos encontramos ao meio do
caminho. Fico ainda em silêncio.
- Quem é você? - Você o quebra. Reflito sobre sua pergunta e
logo respondo.
- Me perdi quando encontrei você! - Você sorri, ajeita o
cabelo atrás da orelha esquerda e olha-me aos olhos.
- De onde você é? - Não consigo responder. Engulo a seco.
Você continua a fitar minha alma.
- Eu não sei... - Seu olhar é de assombro e o meu é de
perpétua confusão. - Costumava saber tudo, mas quando vi seus olhos a chorar eu
percebi que não sei nada. - Seu olhar se abaixa e você repara minha vestimenta
simplória de baixo a cima. Lança-me um olhar sensual sem consentimento de seu
raciocínio. - Costumava ser Armando, mas descobri que posso ser outro alguém
que não conheço. Costumava ser de Manaus, mas começo a sentir como se eu sempre
houvesse morado em outro lugar, mas nunca percebi. - Seus olhos exprimem sua
confusão e também seus sentimentos controversos. Começo a questionar se são por
minha causa.
- Acho que sei o que isso significa. - Seu olhar sobe ao
encontro dos meus.
Seus lábios são carnudos e seu aroma é mais sedu
zente que me
lembrava.
Deixo todo o clima me envolver e com o dedilhar de um piano
eu me aproximo com lascívia. Você se mostra vulnerável e não faz nada. Passo
minha mão por entre seus cabelos e toco sua nuca. Seu olhar, juntamente com o
meu, é lascivo e seu corpo suplica pelo amor que o meu quer lhe oferecer.
Entrego-me em um caloroso beijo. Delicio-me com o doce mel
de seus lábios e embriago-me com a suavidade do aroma que sua pele exala. Sua
pele, tão delicada e macia pele de pêssego.

Seu corpo está rijo, mas, mesmo assim, está se entregando
aos meus beijos, abraços e desejos, que dividimos inconscientemente.