sábado, 25 de maio de 2013

Pedido de desculpas²



Prezados amigos, colegas e singelos leitores do blog “Felipe Dick”, é com grande pesar que informo-lhes que por ventura da época das provas finais do primeiro período irei me ausentar um pouco do blog. Não conseguirei publicar nada muito bom. E como alguns, a maioria, sabe que sou uma pessoa de sua organização, eu não deixei contos já prontos. Na verdade eu deixei dois. Meu projeto é publicar um hoje e o outro ou ver o que faço.
Não garanto a publicação de nenhum conto durante o período entre as seguintes datas: 26/05/2013 à 15/06/2013. Tenho ciência de que o período é muito grande, mas eu não tenho certeza da data das provas finais. Então, caso eu publique um novo conto eu aviso-os por uma publicação no Facebook. E peço encarecidamente que não deixem de ler só por que não estou podendo publicar. Garanto que ainda há algumas coisas que vocês não leram. Então confiram lá e bom deleite.
PS.: Como é de costume tenho que colocar uma foto nada a ver com a publicação do pedido de desculpas para dar um charme de louco... Forte abraço e um beijo grande.
Aceito orações para passar de período. (Risos) ;p
Bom deleite!
Felipe Dick

sábado, 18 de maio de 2013

A Bela da Serra Part. I



Certa vez, passeando por uma cidadezinha aos arredores da grande e bela Rio de Janeiro esbarrei em uma garota intrigante. Cintura fina e corpo esguio. Estatura baixa e cabelos negros como a noite. Pele branca, uma tonalidade normal para os brasileiros. Olhos castanho escuro e um sorriso misterioso.
Ela passou por mim como um trovão rasga o céu, mas conseguiu deixar muito mais que sua impressão sobre minha percepção. Deixou-me seu cheiro, um cheiro doce e sufocante. Era como um enforcamento de tantas emoções que me remetia a ótimos momentos só de sentir aquele delicioso aroma ao meu nariz.
Estava eu a passar pela avenida. Sobre a calçada movimentada, fotografando o caminhar das pessoas, registrando suas feições preocupadas e agitadas. Estava frio, mesmo ao sol.
Quando estava quase à praça mais movimentada da cidade eu esbarrei por ela. Com lágrimas aos olhos, vestindo um casaco/poncho cinza, com uns colares e o cabelo meio esvoaçante.
Ela olhou para mim, abaixou a cabeça e seguiu. Esbarramos os braços e foi quando nosso olhar se cruzou, de fato. Virei-me para reclamar pelo esbarrão e me deparei com aqueles meigos e grandes olhos lac
rimosos. Percebi-a como se houvesse olhado para dentro de minha alma pedindo piedade e eu não disse nada, simplesmente estava em transe com sua beleza.
Ela seguiu seu caminho e deixou em mim seu perfume entranhado. Ainda agora consigo sentir seu perfume doce e sufocantemente saboroso.
Arrumo-me para ir a uma festa e munido apenas do celular e da carteira saio da pousada com um amigo conhecedor da cidade.
- Ah, como gostaria de encontrar com essa garota novamente. - Comento.
- Cara, deixa de ser doido, você só esbarrou com ela, você já quer casar?! - Ironiza. Hesito em responder. - Você ao menos pegou o telefone dela? - Já estamos sentados ao ônibus ao caminho da festa. Não presto muita atenção nele e fico lembrando-me dela, olhando para a chuva a cair ao lado de fora.
- Não. - Balanço a cabeça em sinal de negação juntamente com minhas palavras.
Um silêncio toma conta não só de nós, mas também de toda a cidade. Parece que tudo o que se pode ouvir é a chuva e alguns barulhos da natureza cantando meu amor triste por estar longe do meu amor.

A Bela da Serra Part. II



Entramos a uma grande festa. Uma festa temática, toda ornamentada com elementos de castelos, de vida feudal, misturado com vida circense e com músicas contemporâneas.
- Vou pegar alguma bebida. Vê se não se mete em confusão. - E ele se afasta.
Caminho pela festa e admiro a decoração. Encontro um antigo amigo e puxo conversa. Ele me oferece uma bebida e aceito, já que Emerson ainda não chegou com a minha bebida.
Dou a primeira golada e engasgo pelo teor alcoólico que há.
- Nossa. - Tusso. - É forte. - Meus olhos estão lacrimejando.
- Ué. - Ele ri. - Armando, você já foi mais forte. Mais macho. - Ele ri e acabo sucumbindo ao impulso de retribuir à ironia.
Sem querer, ao começar a tocar a música Yellow da banda Coldplay, eu desvio o olhar de meu amigo e percebo ela/você. Com um vestido justo e longo. Quando chega as coxas ele se alarga e desce em uma espécie de babado. Uma cor incomum, ressaltando seus olhos em uma tonalidade incomum de castanho escuro.
Você está conversando com seus amigos, colegas, companheiros, ou sei lá. Simplesmente está radiante, alegre, de uma forma que nem imaginaria te ver. Está com uma latinha de cerveja à mão e um copo. Está com o cabelo solto.
É engraçado ver sua pequenez ao meio de seus conterrâneos e, também, sua presença forte sobre eles. Seu poder. Você mostra sua presença. Mostra que não pode ser pisada, apesar de ser pequena. Mas, então, por que você estava chorando?
Uma amiga sua percebe que estou te fitando e fita-me, você nota e, imperceptivelmente, segue seu olhar e encontra com o meu.
Ficamos nos fitando por uns segundos. Seu rosto fica sério e logo entrega a latinha de cerveja a uma amiga.
Você que vem ao meu encontro.
Não fico parado. Caminho e nos encontramos ao meio do caminho. Fico ainda em silêncio.
- Quem é você? - Você o quebra. Reflito sobre sua pergunta e logo respondo.
- Me perdi quando encontrei você! - Você sorri, ajeita o cabelo atrás da orelha esquerda e olha-me aos olhos.
- De onde você é? - Não consigo responder. Engulo a seco. Você continua a fitar minha alma.
- Eu não sei... - Seu olhar é de assombro e o meu é de perpétua confusão. - Costumava saber tudo, mas quando vi seus olhos a chorar eu percebi que não sei nada. - Seu olhar se abaixa e você repara minha vestimenta simplória de baixo a cima. Lança-me um olhar sensual sem consentimento de seu raciocínio. - Costumava ser Armando, mas descobri que posso ser outro alguém que não conheço. Costumava ser de Manaus, mas começo a sentir como se eu sempre houvesse morado em outro lugar, mas nunca percebi. - Seus olhos exprimem sua confusão e também seus sentimentos controversos. Começo a questionar se são por minha causa.
- Acho que sei o que isso significa. - Seu olhar sobe ao encontro dos meus.
Seus lábios são carnudos e seu aroma é mais sedu
zente que me lembrava.
Deixo todo o clima me envolver e com o dedilhar de um piano eu me aproximo com lascívia. Você se mostra vulnerável e não faz nada. Passo minha mão por entre seus cabelos e toco sua nuca. Seu olhar, juntamente com o meu, é lascivo e seu corpo suplica pelo amor que o meu quer lhe oferecer.
Entrego-me em um caloroso beijo. Delicio-me com o doce mel de seus lábios e embriago-me com a suavidade do aroma que sua pele exala. Sua pele, tão delicada e macia pele de pêssego.
Seu corpo está rijo, mas, mesmo assim, está se entregando aos meus beijos, abraços e desejos, que dividimos inconscientemente.

A Bela da Serra Part. III



Os dias se passam, os beijos se repetem e nossos encontros começam a se tornar nosso "programinha da tarde".
Lanches ao ar livre, nas praças. Risadas sobre coisas bobas. Como gosto de ouvir o som do seu riso.
Deixo minhas preocupações de lado e vivo os poucos segundos que tenho ao seu lado. Cada entrelaças de pernas. Cada acariciar de línguas. Cada arrepio sórdido e gemido abafado. Cada segundo, eternos segundos que vivi, vivo e eternizo com você.
- O que foi? - Sua voz é preocupada e séria. Seu olhar é penetrante. Selo os olhos enquanto nego com a cabeça. - Eu sei que há algo. Diga-me. - A sensualidade da sua voz é paralela com a ferocidade aveludada que você perfura meus pensamentos.
- Meu tempo aqui acabou. Eu tenho que embarcar ao avião até o fim da semana, ou eu perco meu emprego e...
- E o que lhe impede de ir? – Surpreso com sua interrupção volto meu olhar para o seu com espanto. Estou de pé, nu a janela do nosso quarto à pousada. Você está deitada à cama, cing
ida apenas pelo lençol.
Nosso olhar é penetrante e feroz, quase nos devoramos simplesmente pelo olhar.
- Nosso amor já superou vidas e vidas, já superou distancias e dimensões inimagináveis. Por que não superaria a distância de alguns estados? - Sua pergunta é presunçosa e afiada como uma navalha que rasga o tecido do meu miocárdio.
- Quero, ao menos, levá-la comigo. Levar algo seu. Algo que eu possa ter sempre junto de mim.
- Quer eternizar-me ao seu corpo? - Dou de ombros.
Sem dizer mais nenhuma palavra você se levanta, nua em pele, e desfia até o banheiro. Abre a válvula do chuveiro e começa a se banhar.
- Aonde você vai? - Não me responde. Termina o banho com um sorrisinho bobo ao rosto e se veste.
- Me encontre ao lugar de sempre, na hora de sempre. - Abrindo um sorriso lúbrico e mordendo o lábio inferior ela sai pela porta deixando-me só com meus pensamentos confusos.
"Para onde foi minha Iana?" Penso.

A Bela da Serra Part. IV



Dando a hora eu me visto e vou até seu encontro. Chegando a praça, uma pequena praça onde sempre nos encontramos, vejo-a vestindo uma calça jeans azul, com uma regata branca lisa e usando sapatilhas pretas. Munida de sua grande força convencional, uma bolsa e sensualidade de sobra.
- Você é um fotógrafo não? - Pergunta com arrogância. Concordo com a cabeça e com o semblante exteriorizo a confusão mental que estou passando. - Então, que melhor forma há de eternizar-me em você que me transformando em seu trabalho. Transformando seu amor em seu amor que traz dinheiro e sustenta sua vida boêmia?! - Seu sorriso é feroz e irreverente. Retribuo o sorriso.
- Mas não estou preparado com minha câmera. - Logo ela puxa de dentro de sua bols
a uma câmera profissional. Sorrio e tomando de sua mão tiro a primeira foto.
Fotografo-a desfilando ao meu encontro. Fotografo olhando-me. Fotografo, trocando de roupa.
Você ri e me beija.
Fotografo-a com outras roupas. Fotografo-a nua, dentro da pousada. Fotografo-a em mim, em meu coração, em meu ser, em uma só alma.
Jogo a câmera a cama e você fica ultrajada e confusa, mas não diz nada. Seguro com firmeza seu rosto, retiro seu batom com meus dedos e beijo-a loucamente.
No quarto onde passamos inúmeras noites desfrutamos de nossa última tarde juntos com selvageria e luxúria ardente.
Já é noite, estou sonolento. Sinto você se levantar, vejo a luz do banheiro a refletir em meu rosto, mas não consigo reagir. Você me beija e se despede, diz que tem que resolver algo e que me ama. Percebo que você está com um sorriso radiante ao rosto e se vai pela porta.
Ao acordar eu logo me lembro do acontecido ao perceber sua ausência. Respiro fundo, arrumo-me e vou para a rodoviária.
Você está com o telefone desligado e não consigo falar com você. Vou sem me despedir.
Antes de embarcar ao avião para Manaus tento ligar-lhe novamente, mas não há êxito.
Entro ao avião, mas não lhe tiro da cabeça. Seu perfume já não é mais tão vívido ao meu olfato. Seu paladar é bem presente, mas não é a mesma coisa. Seu toque ainda é presente, mas, mesmo assim, ainda falta algo. Falta você.
Os dias passam e os meses também. Volto a minha rotina e você desaparece da minha vida, apesar de jamais conseguir te esquecer. Suas fotos estão espalhadas ao meu estúdio e uma foto nossa juntos está pintada à parede.
Conto os dias para poder voltar a Petrópolis, mas não consigo, o trabalho é muito. Muitos lugares a visitar. Mas nenhum é o mesmo sem você.