sábado, 2 de fevereiro de 2013

Poem*?



Um nervoso me consome,
isso me faz duvidar.
Duvidar a vida, a morte, a igreja,
o Jesus, a hóstia, o amor, a Deus.
Deus existe? Estou realmente vivo?
O que é a morte? Para que serve a igreja?
Jesus é realmente filho de Deus? Deus e ama?
Aquela hóstia branca, aquele pão, é Jesus?
chama-lo de pão me dói.
isso me faz lembrar.
isso me faz chorar.
Chorar a ignorância, lembrava me primeiro amor,
a primeira vez em que encontrei-me com o mestre em sacramento,
a primeira vez que senti o espírito de Deus,
a primeira vez que reconheci Maria como mãe,
a primeira vez em que senti o amor de Deus.
Chorar a ignorância, ignorância de uma mãe que aborta,
de um amigo que desmotiva
de um pai que incentiva o pecado,
de uma mãe preocupada,
de um assassino,
de um molestador,
de um sádico,
de um pecador.
Choro minha morte,
minha morte de espírito,
a duvida, o nervoso, a impaciência,
essas matam-me. E assim morro.
Afundo-me no abismo da dúvida esperando
sair daqui o mais sedo.
Após a reconciliação, esfrio.
Rezo, peço o calor, peço o fogo,
mas só vem geada.
Em esperança, choro,
clamo mais e mais.
Meus joelhos ardem, meus soluços
mudos.
Na solidão do meu quarto
falo com Deus.
Pela minha surdez
não ouço.
Um anjo veio me falar!
- Você é um amigo de verdade,
Deus usa de seu amor para com os outros.
Que seu coração não aflinjas,
Sua dor, á Deus, não é vã
ou oculta de mais,
ou cega.
Como?
Como se estou vazio?
Como se estou seco e desértico?
É simples, eu não,
mas o outro sim.
Para mim basta buscar.
Se eu senti-lo não irei  mais busca-lo,
busco no deserto,
para leva-lo ao canteiro de flores
para regar com ele e depois colher os frutos...

Loucura de amor?



Dói-me ouvir os julgos dos meus semelhantes, só por meu amor a ti!
Vejo jovens, belas moças sofrendo por ciúmes, homens, casados, brutos sujos.
Elas choram pelos cantos por falta de amor para com as mesmas. Mas quando, mas quando chego com o verdadeiro amor julgam o que eu faço como loucura.
Mas afinal o amor em si não é uma enorme loucura? Se não, diga-me o que é o amor...
O amor é fito de várias loucuras, várias insanidades, se não, diga-me um relacionamento, afetivo, que não haja nenhum sacrifício. Pois o próprio sacrifício, um mutilar das suas paixões naturais, isso sim é uma loucura.
Sacrifícios são feitos sempre, ás vezes tão corriqueiros que nem se percebe o quanto foi doado em uma só loucura de “amor”.
Perder a virgindade é amor para elas, guardar a minha é amor para com ele.
Sinto dentro de mim, uma grande ferida aberta, sangrando.
Vejo-a em minha mente, ela dói de verdade. Sinto-me nauseado e triste.
Meu coração chora o sofrimento dessas.
... Vem Espírito de Deus, lava minha vida, cura minhas feridas, fortalece minha fé e daime voz de trovão...
02/03/2010
Lipe Dick

O despertar para a morte



Ainda estava escuro quando acordei. A roupa de cama estava intacta, a tv ligada em um filme meloso e o espelho virado para a poltrona de cabeceira. O espelho me ocultava na escuridão, só meus olhos azuis que quebravam as trevas, o cintilar da safira do meu olhar, iluminava a obscuridade minha alma.
Minha calma fúnebre não me faz temer a morte, não a temo, ela que me teme.
Penso enquanto atravesso a Avenida Brasil, os caminhões cantavam-me a morte e os carros choravam-me o luto o meu atravessar é como o caminhar de uma noiva, de olhos fechados, indo ao encontro do meu descanso eterno.
Me afogando na seda do lençol o telefone toca, como criança corro para atende-lo, mas hesito por falta de coragem.
Quem ligaria para mim, um homem com apenas mais cinco anos de vida?
Que vida? Estou mais morto que os peixes da minha sala.
O telefone toca novamente, toca freneticamente, o aquário ao lado cai e quebra, os peixes nem se debatem.
Me pergunto, “ Anjo, por que você me ligaria? Já experimentei de tudo e tudo dá em morte!”
Ele toca novamente, o telefone quase pula dessa vez. Atendo sofregamente, mas fico em silêncio.
- Você? – Uma voz doce e aveludada, parecia uma mulher, ou um anjo.
- Já experimentei de tudo e tudo dá em morte! – Replico em palavras meus pensamentos á ela.
- Tempo? – Direta e feroz, como uma espada no silencio da noite.
- sete dias.
- Mentira – É quase um rosnado.
- O que queres de mim? – Quase um soluço de desespero.
- Não experimentou de tudo.
- O que falta?
- A morte pelo amor. – Sua calma é sinistra, penetrante, forte e doce como o mel dos deuses.
- Não quero mais a imortalidade!
- Você não tem escolha.
- Ma... – Antes deu terminar meu raciocínio ela deslia o telefone deixando-me só na penumbra de um apartamento fétido.
Ela tem razão. Nunca tive escolha, só segui ordens.
A campainha toca...
Abro a porta, não tem ninguém, só um bilhete colado á porta. “Tempo/ escuro/ passos / Morte”
Percebo que os cinco dias se resumem em horas, horas que já estão passando, horas de hoje.
Desço as escadas com o peso da vida por sobre as costas.
Em frente o apartamento toca o sino das nove. Desce da escada passos graciosos. – Meu coração bate mais forte, o brilho da safira desaparece, minh’alma roga piedade. – Para na porta, no escuro não consigo distinguir.
- Junior? – A voz doce! É ela, é ela!
- Anjo?
- Feche os olhos. – Acato a ordem e ela se aproxima, tão leve que parece um levitar. No meu ouvido sussurra – Sou Angela, sua vida eterna, seu perdão. – e com um beijo adormeço acornando.
A vida eterna me espera! E você, o que espera?





 11/05/2010
Lipe Dick