isso me faz duvidar.
Duvidar a vida, a morte, a igreja,
o Jesus, a hóstia, o amor, a Deus.
Deus existe? Estou realmente vivo?
O que é a morte? Para que serve a igreja?
Jesus é realmente filho de Deus? Deus e ama?
Aquela hóstia branca, aquele pão, é Jesus?
chama-lo de pão me dói.
isso me faz lembrar.
isso me faz chorar.
Chorar a ignorância, lembrava me primeiro amor,
a primeira vez em que encontrei-me com o mestre em
sacramento,
a primeira vez que senti o espírito de Deus,
a primeira vez que reconheci Maria como mãe,
a primeira vez em que senti o amor de Deus.
Chorar a ignorância, ignorância de uma mãe que aborta,
de um amigo que desmotiva
de um pai que incentiva o pecado,
de uma mãe preocupada,
de um assassino,
de um molestador,
de um sádico,
de um pecador.
Choro minha morte,
minha morte de espírito,
a duvida, o nervoso, a impaciência,
essas matam-me. E assim morro.
Afundo-me no abismo da dúvida esperando
sair daqui o mais sedo.
Após a reconciliação, esfrio.
Rezo, peço o calor, peço o fogo,
mas só vem geada.
Em esperança, choro,
clamo mais e mais.
Meus joelhos ardem, meus soluços
mudos.
Na solidão do meu quarto
falo com Deus.
Pela minha surdez
não ouço.
Um anjo veio me falar!
- Você é um amigo de verdade,
Deus usa de seu amor para com os outros.
Que seu coração não aflinjas,
Sua dor, á Deus, não é vã
ou oculta de mais,
ou cega.
Como?
Como se estou vazio?
Como se estou seco e desértico?
É simples, eu não,
mas o outro sim.
Para mim basta buscar.
Se eu senti-lo não irei
mais busca-lo,
busco no deserto,
para leva-lo ao canteiro de flores
para regar com ele e depois colher
os frutos...


