Odeio a nostalgia, principalmente quando ela vem com aquele
arrependimento. Arrependimento de uma palavra não dita, de um amigo perdido, de
um “Eu te amo” que deveria ser dito ou que deveria ter sido dito na hora certa.
Se eu listasse o nome de cada um daqueles que eu me
arrependo de não ter feito “algo”, eu faria uma lista de um quilometro.
Cada garota que não valorizei no momento certo, cada gesto
de afeição fraterna que perdi, cada lágrima que rola agora de meu rosto com um
nome, com uma face, com um sorriso inexpressivo.
Sinto saudade, não dos velhos tempos, não dos velhos amigos
ou das velhas companhias, mas sim da pessoa que eles se tornaram agora, cada
universitário, cada noiva, cada mãe, pai, desempregado ou ainda estudante.
Sinto saudade da intimidade que tínhamos, de poder contar segredos um para o
outro e na inocência e imaturidade da infância não contarmos para ninguém.
Sinto saudade de poder virar para uma garota e poder dizer “Sabia
que eu gosto de você?!” e ela dar aquele sorrisinho sem graça e ao fim da aula
nós darmos um selinho sem graça de despedida da aula. De brincarmos depois da
escola e fingirmos ser namorados, sinto saudade de você, sinto saudade de nós,
sinto saudade principalmente da nossa amizade...
A falta de sentir falta de algo é suprimida pela falta
daqueles que já não estão ao meu lado.
Quando reencontro aquelas pessoas que um dia foram “Impar”
em minha vida e há a oportunidade de nos falarmos, um sorriso constrangedor
toma nossa face e nos impede de dizer o que nosso coração anseia. Que é: “Sinto
sua falta!”.
Dentre lágrimas na chuva, sem guarda-chuva, lembro-me da
falta de um amigo, lembro-me do que nós poderíamos fazer...
Sento-me ao meio fio e choro, choro na chuva e espero a
única amiga que nunca me trairá venha me buscar sem pressa e sem demora... Com
suas asas ela chega com sua foice me leva, em sus braços me guarda e com seu
calor frio me avassala.
Assim, agora não há mais saudade... Nem de alguém, nem de
uma situação, nem de um status, nem de você, nem de viver, nem de sofrer, nem há
medo, só há o silêncio, meu doce silêncio...
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