quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Sonho: Amor Fatal



Uma vez eu conheci uma mulher, uma bela mulher, uma mulher linda, com seus olhos azuis como o céu de dia, com um sorriso sedutor e ardente, com um perfume avassalador e uma roupa excessivamente provocante. Ela tinha uma profissão suja, algo que eu abominava para ela e adorava em suas amigas, ela trabalhava na profissão mais velha do mundo, uma mulher que se vendia. Uma prostituta.
- O AMOR POR UMA MULHER QUE VENDE AMOR NUNCA ACABA BEM!
Fui às ruelas de Paris após muito tempo no Brasil trabalhando. Procurando companhia para passar minha primeira, de muitas, noite só me encontrei em uma rua, já ébrio, encontrei-a em uma esquina, logo abaixo da luz do poste, estava como um anjo pálido, fitando meu coração solitário, com uma roupa vulgar vermelha e preta, um batom vermelho sangue, seus olhos azuis reluziam e penetravam meu ser.
Ela me apoiou sobre seus ombros e levou-me, comigo guiando-a, até meu apartamento. Lá passamos uma noite longa e fogosa noite de febril paixão. Acordei achando que o acontecido era um sonho lindo, achei que tinha pegado um anjo do céu e o violado, mas não, dormi com uma bela mulher da vida. Fiz nosso café e ela o comia calmamente olhando-me nua da cama.
Não falávamos muito, era algo mais físico do que qualquer coisa. Mas o pior aconteceu. Eu me apeguei, eu me apaixonei, eu a amei. Ela me avisou que mesmo nós tendo nossos sentimentos ela não iria largar sua profissão e eu fingi ser cordial a sua decisão. MENTIRA.
Ela sumira toda noite, ira trabalhar. Com o tempo percebia que ela estava estranha comigo, mas não assumia. Então falei que já tinha arranjado um novo emprego e que ela não precisava continuar com o trabalho. Ela não aceitara. Foi uma discussão terrível que acabou com tapas e bate-portas. Ela voltou só no outro dia falando que iria largar o emprego. ACREDITEI.
Ela saia muito durante o dia, apesar deu estar trabalhando, eu sabia. Ela não assumia e quando assumia dava, claramente desculpas. Isso me IRAVA.
As BRIGAS foram ficando cada vez mais frequentes. Eu comecei a beber e a perder o controle. Comecei a bater nela e as marcas de meu amor mostravam-nos de quem ela de fato era.
Meu punho cerrado em seu corpo branco deixando-lhe roxões,  minhas palmas largas e abertas estalando em seu sensual, reluzente e magricelo corpo deixavam vergões e marcas estranhas. Ela chorava e reclamava, esbravejava e gritava, mas isso só aumentava minha gana. E suas mentiras só elevavam minha ira para com ela.
Um dia fingi que fui trabalhar e a segui, segui até a casa de seu amante, um conhecido meu de vista. Entrei na casa, silenciosamente, cego por ódio e sede de morte. Não sabia o que faria com ela, mas ele eu, sofregamente, coraria a garganta. E o fiz, entrei na cozinha, quebrei uma garrafa de espumante que estava aberta, eles deveriam estar bebendo na sala de estar. Eu cheguei na sua frente com a garrafa e antes que ele pensasse eu cortei sua traqueia que jorrava sangue vivo e ainda pulsante. Mas o sangue dele não era o suficiente e..
Eu não queria, mas ela não me deu opção. ELA NÃO CALAVA A BOCA. Ela gritava e relutava enquanto eu envolvia, com força, seu pescoço, manchado por beijos alheios e sujos, com minhas mãos largas e fortes, como uma jiboia faz com sua presa na Amazônia.
Ela não parava de falar mentiras, então eu calei a boca dela. As suas últimas palavras foram, “Eu te amo meu demônio!”. Não tenho certeza do que ela quis dizer e isso me consome.
Fico pensando nisso enquanto encaro os dois defuntos. Eu sempre tive muita certeza das coisas mas agora eu não sei as respostas.
Ergo minha cabeça, tomo banho na casa do traidor e visto uma bela e boa roupa dele, como ele fez com minha mulher. Saio da casa dele como se nada houvesse acontecido, com o carro dele. E fujo do país, indo para a Rússia.
Agora estou em busca de um novo trabalho, alguém pode me contratar?

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