Uma vez eu conheci uma mulher, uma bela mulher, uma mulher
linda, com seus olhos azuis como o céu de dia, com um sorriso sedutor e
ardente, com um perfume avassalador e uma roupa excessivamente provocante. Ela
tinha uma profissão suja, algo que eu abominava para ela e adorava em suas
amigas, ela trabalhava na profissão mais velha do mundo, uma mulher que se
vendia. Uma prostituta.
- O AMOR POR UMA MULHER QUE VENDE AMOR NUNCA ACABA BEM!
Fui às ruelas de Paris após muito tempo no Brasil
trabalhando. Procurando companhia para passar minha primeira, de muitas, noite
só me encontrei em uma rua, já ébrio, encontrei-a em uma esquina, logo abaixo
da luz do poste, estava como um anjo pálido, fitando meu coração solitário, com
uma roupa vulgar vermelha e preta, um batom vermelho sangue, seus olhos azuis
reluziam e penetravam meu ser.
Ela me apoiou sobre seus ombros e levou-me, comigo
guiando-a, até meu apartamento. Lá passamos uma noite longa e fogosa noite de
febril paixão. Acordei achando que o acontecido era um sonho lindo, achei que
tinha pegado um anjo do céu e o violado, mas não, dormi com uma bela mulher da
vida. Fiz nosso café e ela o comia calmamente olhando-me nua da cama.
Não falávamos muito, era algo mais físico do que qualquer
coisa. Mas o pior aconteceu. Eu me apeguei, eu me apaixonei, eu a amei. Ela me
avisou que mesmo nós tendo nossos sentimentos ela não iria largar sua profissão
e eu fingi ser cordial a sua decisão. MENTIRA.
Ela sumira toda noite, ira trabalhar. Com o tempo percebia
que ela estava estranha comigo, mas não assumia. Então falei que já tinha
arranjado um novo emprego e que ela não precisava continuar com o trabalho. Ela
não aceitara. Foi uma discussão terrível que acabou com tapas e bate-portas.
Ela voltou só no outro dia falando que iria largar o emprego. ACREDITEI.
Ela saia muito durante o dia, apesar deu estar trabalhando,
eu sabia. Ela não assumia e quando assumia dava, claramente desculpas. Isso me
IRAVA.
As BRIGAS foram ficando cada vez mais frequentes. Eu comecei
a beber e a perder o controle. Comecei a bater nela e as marcas de meu amor
mostravam-nos de quem ela de fato era.
Meu punho cerrado em seu corpo branco deixando-lhe roxões, minhas palmas largas e abertas estalando em
seu sensual, reluzente e magricelo corpo deixavam vergões e marcas estranhas.
Ela chorava e reclamava, esbravejava e gritava, mas isso só aumentava minha
gana. E suas mentiras só elevavam minha ira para com ela.
Um dia fingi que fui trabalhar e a segui, segui até a casa
de seu amante, um conhecido meu de vista. Entrei na casa, silenciosamente, cego
por ódio e sede de morte. Não sabia o que faria com ela, mas ele eu,
sofregamente, coraria a garganta. E o fiz, entrei na cozinha, quebrei uma
garrafa de espumante que estava aberta, eles deveriam estar bebendo na sala de
estar. Eu cheguei na sua frente com a garrafa e antes que ele pensasse eu
cortei sua traqueia que jorrava sangue vivo e ainda pulsante. Mas o sangue dele
não era o suficiente e..
Eu não queria, mas ela não me deu opção. ELA NÃO CALAVA A
BOCA. Ela gritava e relutava enquanto eu envolvia, com força, seu pescoço,
manchado por beijos alheios e sujos, com minhas mãos largas e fortes, como uma
jiboia faz com sua presa na Amazônia.
Ela não parava de falar mentiras, então eu calei a boca
dela. As suas últimas palavras foram, “Eu te amo meu demônio!”. Não tenho
certeza do que ela quis dizer e isso me consome.
Fico pensando nisso enquanto encaro os dois defuntos. Eu sempre
tive muita certeza das coisas mas agora eu não sei as respostas.
Ergo minha cabeça, tomo banho na casa do traidor e visto uma
bela e boa roupa dele, como ele fez com minha mulher. Saio da casa dele como se
nada houvesse acontecido, com o carro dele. E fujo do país, indo para a Rússia.
Agora estou em busca de um novo trabalho, alguém pode me
contratar?
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