quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Minha querida menina...



Tenho fé que um dia isso tudo vá passar, que todo esse medo, essa insegurança, essa dor vá passar. 
Que tudo isso virará um passado desagradável e que quando eu olhar vou dizer, “como fui tola”.
Mas enquanto isso, só olhar para ele me faz estremecer a carne e as juntas travam. 
Tenho medo, tenho medo de dormir, tenho medo de acordar e estar naquele cativeiro. Tenho medo de me deitar e nunca mais conseguir acordar daquele pesadelo que um dia já vivi  na pele.
Tenho medo de não poder olhar, novamente, a luz nos olhos da minha pequena, o brilho de sua vida, a energia da vitalidade de seu amor.
 Tenho muito medo de não conseguir pega-la a tempo, tenho muito medo do que ele poça fazer. Tenho muito medo do que pode acontecer com ela, por que, se algo acontecer a minha filhinha, sua irmã, juro, eu juro que farei muito mais do que simplesmente tentar mata-lo. Irei tortura-lo cruelmente como ele me torturou. Como ele torturou-nos, como ele nos fez sofrer, como ele fez com você até que foi colocado neste lugar horrível.
Juro, eu juro, meu menino, que em breve eu tirarei você daí, mas por enquanto não tenho forças se quer para enfrenta-lo, quanto mais para poder lutar por vocês.
Temo o que ele pode fazer a sua irmãzinha, temo o que ele pode fazer com aquele pequeno rostinho branquinho, temo em não poder ver mais aquele lindo par de olhos verdes, os mesmos olhos que um dia eu vi sair de dentro de mim Aqueles que sorriam quando seu rosto sorria e choravam quando caia de bicicleta.
Quero salvar minha menina que hoje é quase uma mulher, mas temo, temo em delata-lo, temo em fazer algo e não ser bem sucedida. Não sei do que tenho medo, mas tenho medo de o fazer.
Sinto em não tê-lo defendido quando pude, deveria ter cortado esse mal quando ainda namorávamos, mas já naquela época tinha medo de larga-lo. Naquela época os tapas eram mais fracos e as ameaças eram mais brandas. Tudo não passou de uma aventura que acabou se tornando o nosso pior pesadelo.
Seu pai, seu próprio pai se tornou esse monstro que nada nem ninguém pode controlar. Meu marido, cujo tanto amei e me dediquei, hoje tenho que fugir para fortalecer-me e lutar contra essa besta.
Primeiro ele esfolou-me como quem destrói uma blusa velha e surrada, depois ele destruiu meu filho mais velho, você, fazendo-o tentar se matar acabando em um hospício. Mas quando ele tentou molestar minha filha, nossa filha, eu o avancei com uma faca e o atingi no peito, mas não foi o suficiente. Alí eu despejei toda a minha coragem, era tudo o que eu tinha, mas não foi o suficiente. 
Ele se levantou, amarrou-me e ligou para a polícia, que estava comprada por ele, eles me levaram e agora tenho uma ordem judicial de que eu tenho que fazer reabilitação para poder retomar a guarda da minha filha. Eu o vejo na rua, mas a muito tempo não vejo minha pequena. Por isso temo por ela.
Minha menina, eu juro, juro que não descansarei até que tenha você em meus braços.
E assim, deixo em desterro minhas lágrimas, aflições dores e amarguras sobe seu peito ainda juvenil amada minha.
Te amo e espero que essa carta chegue em suas mão.
Beijos, Mamãe!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Odeio a falta de inspiração

Meu coração aperta em pensar no assunto e meu corpo enrijece fazendo borbulhar em meu interior uma mistura de ira e desapontamento comigo mesmo. Odeio não conseguir escrever um conto.
A falta de criatividade para um conto irrita-me profundamente, faz me sentir impotente e inútil. Fico parada arranjando coisas úteis para fazer em frente ao computador, quando não tenho, só por que não tenho nenhuma ideia para escrever em forma de romance. Na verdade ideias não são o que faltam, mas o que de fato falta é a inspiração e sem inspiração qualquer um pode escrever qualquer porcaria... Prefiro nem mencionar o montante de porcarias que se pode ler por aí de um monte de gente idiota.
Sinceramente acho que escrever uma crônica é muito mais fácil, pois elas são mais livres, não precisam ter personagens ou sentimentos ou qualquer coisa. Pode ser uma crônica vazia escrita para falar sobre o nada. Mas isso não desvaloriza-a e sim enche-a de mais amor e dedicação do seu autor.
Eu vejo, muito, as crônicas como grandes desabafos, (Fico imaginando os cronistas cujo sou fã brigando comigo por isso), mas infelizmente ou felizmente esse é o meu pensamento sobre as crônicas. Não estou as desvalorizando, pelo contrário, estou supervalorizando os bons cronistas, pois com a grande facilidade de fazer uma crônica, fazer uma crônica que supra as expectativas é difícil.
Só digo que escrever algo com um enredo, vários personagens, manter uma linha de raciocínio, manter os mesmos sentimentos, pensamentos e “trejeitos” de vários personagens simultaneamente, descrever cenários, roupas, emoções e expressões pautado em uma personalidade que acabei de adquirir, é muito, muito, muitíssimo mais difícil do que conversar do jeito que você está mais a vontade, falando verdades ou mentiras, encenando um papel ou não, sendo quem você quiser. Tocar onde sua imaginação, naquele momento, está disposta a alcançar.
Gosto muito de escrever e acho que não sou um bom escritor, acho meu léxico muito pobre, acho-me muito incapacitado para um sonho muito grandioso, mas ouso dizer, um dia irei alimentar muitas bocas com o fruto do meu trabalho e do meu sofrido suor.
Eu poderia enumerar em uma das mãos os meus ídolos cronistas, que leio com frequência, mas isso não desvaloriza os demais escritores. Tanto que não conheço nem um décimo da parcela de 0,015% dos escritores do Brasil, quanto mais do mundo.
Então, um grande beijo para meus ídolos Walcyr carrasco, Sabrina Gomes, Natália Klein e tem mais, mas vou parar por aqui, pois por enquanto são os que eu, gostaria muito conhecer, pedir um autografo, abraçar e pagar um mico parecendo favelado do subúrbio o Rio de Janeiro.
Na verdade tem muitos famosos que gostaria muito de conhecer, muitos que eu quero fazer papel de bobo quando me deparar cara a cara...
Mas essa eu deixo para um próximo texto que publicar, sendo crônica ou não...
Um beijo do meu saudosíssimo Jô...
Beijo do Gordo – WOHL
E um beijo no cú de cada um de vocês!
By: Tatá Lopes (Sou seu fã e um dia vou lhe dar um beijo n...)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Confusão e contradição


Teimo em escrever algo que meu coração não quer me contar, travo uma batalha épica comigo mesmo em busca de respostas que já tenho, mas não sei por onde começar e por onde acatar.
Meu coração dói só em pensar em aliviar a dor, mas não sei o que fazer. Fico parado olhando a dor latejar meu músculo morto. Fico olhando no canto do quarto na penumbra, olhando o músculo pulsando e sendo carbonizado, minha única fonte de calor agora é ver meus próprios sonhos serem queimados para minha sobrevivência.
Não sei o que fazer, a confusão e a contradição tomam conta de mim, impossibilitando-me de pensar ou de reagir.
Só o fato de pensar já faz cada fibra do meu ser estremecer.
A lágrimas que escorrem de mim, não saem mais dos meus olhos secos e sem vida e sim do meu peito, onde ficam os olhos da minha alma, uma criança agachada e que segura as pernas junto do peito, uma criança com medo e indefesa.
Tenho medo, não sei do que, faço coisas que não quero fazer, mas para falar a verdade eu não sei o que de fato quero fazer.
Entristeço-me por não ser como queria e iro-me por não fazer o certo. Minha tristeza atrapalha meu desempenho aos meios e a ira atrapalha meu relacionamento.
Meu cer é um misto de mil e uma sensações sem sentido e sem dono, sou como um poço cheio de peixes de várias raças, peixes grandes, pequenos, pretos, brancos, coloridos e transparentes, de água salgada e doce. Eles se devoram deixando somente o mais forte sobreviver. Essa batalha parece não ter fim. Eles estão se habituando ao ambiente e ainda estão lutando para ver quem sobrevivi. Tenho medo de descobrir quem será o ganhador.
Esse pesadelo parece não ter fim.
Fecho meus olhos por milhões de vezes, esperando que quando abri-los eu verei a luz da aurora e descobrirei que tudo não passou de mais uma brincadeira do meu subconsciente, mas isso não funciona, não funciona.
Eu choro e cada vez mais a vida parece enlaçar-me em uma cilada. Estou cada vez mais confuso, como quando estamos sonhando que estamos caindo e caindo em um abismo eterno, estamos caindo e não paramos, queremos gritar e não conseguimos e acordamos ao encontrar o chão. Mas eu não encontro o chão.
A única coisa que encontro é um canil com dois cães. Um me parece faminto e muito dócil e o outro está latindo freneticamente, parece querer me atacar e está forte, saldável, ele me investe medo. Ao me aproximar desse cão frágil percebo que ele não é tão frágil assim e ele se levanta algemando-me á sua coleira, mostrando sua verdadeira aparência maldita e o outro rottweiler  fala “Eu tentei te ajudar, mas você temeu-me.”
E assim acordo, assustado como uma criança de dezoito anos...

sábado, 19 de janeiro de 2013

Pesadelo futurista Part. I


Cansado de mais um dia corriqueiro de trabalho faço como o de costume ao chegar em casa, como e ajeito tudo bem rápido para deitar-me logo pois sempre estou morto de cansado á essa hora.
Sinto um vento frio a me embalar e minha cama parece um chão pedregoso e coberto por areia e pó. Essa poeira está me sufocando, mas mau consigo mexer-me e assim pego novamente em sono profundo.
Tenho a sensação de estar sendo carregado em uma maca. Estou com um sono leve e o tremular do meu encosto está me incomodando, mas não consigo acordar para ver o que é.
É como se eu estivesse sonhando com o nada e não conseguisse acordar.
Depois de muito sentir acordo em um quarto estranho, o lugar é uma perpétua penumbra, as paredes tem uma coloração de verde água e o espaço tem um ar de cativeiro. Olho pela janela e vejo uma vastidão de barro vermelho, com alguns prédios em ruinas e o céu é rosa, há uma poeira no ar que parece cintilar.
Sofregamente procuro sair desse lugar deparando-me com um enorme corredor com vários quartos como o de onde saí, o meu não é um dos do início e nem os do final, ele está enumerado, na porta, por vinte sete. Vou em direção ao quarto número um.
Temo o que posso encontrar aqui.
Caminhando, assustado, vejo alguém vindo, ligeiramente entro no primeiro quarto que vejo com a porta aberta. Fico de costas para a parede, escondendo-me de, seja lá quem for.
- Não precisa ter medo, estamos aqui para te ajudar. – Ouço uma voz, acolhedora, vinda do corredor. Mantenho-me imóvel onde estou. Fico a espreita e ela entra estendendo a mão para cumprimentar-me.
- Meu nome é Evangeline, mas todos me chamam de Lili. Minha chefe, a chefe do forte esquadrão, onde estamos, te achou desmaiado e te salvamos. – Recuso ao cumprimento e ela recolhe a mão.
- Como você me salvaram se eu estava em casa? Para onde vocês me trouxeram? Que lugar estranho é esse?
- Você... – Ela hesita estranhando a situação e modula a voz para responder. – De onde você é? Ou melhor... De quando? – Fica um ar de tensão e estranheza no ambiente.
- Carioca da gema, 2013... – Balbucio.
- Você no Forte Esquadrão, o único lugar, ainda de pé, que tem as necessidades básicas para um ser humano sobreviver. Aqui é meio que um refúgio. Estamos em 3006 DC no planeta Salésio29 um planeta a 365 anos luz da Terra, mas o mais próximo dela com a melhor adaptação humana.
- Houveram teste em outros planetas?
- Depois das guerras o único refúgio foi esse. Viemos para cá no ano de 2896 e de lá pra cá, aqui vem sendo a nova Terra, aconteceu todo outra vez. – E notória minha cara de embasbacado. – Nós colonizamos o planeta, mas houve uma guerra intergaláctica e com a invasão de extra salesios, ES, tudo foi destruído. O fato é para refugiar os atingidos pela guerra, que quiserem. Há também a Resistência, essa se prepara para guerrilhar com outros planetas e colonizar novos lugares escravizando outras espécies. O forte também tem pessoas se preparando para, caso tenha, uma guerra. Mas é mais para defender nossa moradia do que atacar.
- E o ar? E a tecnologia? Explique-me todo o que perdi...
- O ar aqui é um pouco nocivo, mas nada a se temer, se ele for respirado em pouca quantidade ele é capaz de lhe fazer bem, é só não respirar muita poeira próxima ao chão. Mas aqui tem um sistema super inteligente de proteção, ele não só filtra nosso ar, como nos tira de qualquer sistema de navegação. Não sei o porque, mas Verônica, a chefe do forte, diz que é o melhor para nossa proteção. E a tecnologia tecnologia deve ser bem mais avançada do que a da sua época, ms algumas cosas ainda se parecem, como as construções. Os materiais mudaram, mas o produto final é muito similar ao arcaico. Eu só não fico surpresa de você ter vindo por que sei que a resistência costuma fazer recrutamento de pessoas do passado. Agora só basta saber o porquê você é tão especial para eles... – Ela está encarando-me.
- Eu... eu sou inteligente..
- Não sei o quanto se isso é o bastante, então, explore por aí, tenho que resolver umas coisinhas... – Ela sai do quarto. Quando vou procura-la no corredor ela já desapareceu na penumbra do horizonte.
Caminhando pelo casarão encontro o que deve ser a sala de jantar, enfrente ela está uma outra sala, trancada, está marcada como o quarto número 1. Seguindo o caminho, vejo um grande depósito com uma enorme fornalha no meio. Uma mulher loira está jogando brinquedos e coisas velhas dentro da fornalha com uma pá. Vou me aproximando com cuidado.
- É assim que mantemos o nosso sistema de proteção ativo. – Ela se quer olha-me para falar.
- O que é isso?
- Sonhos esquecidos. Sonhos esquecidos, velhos, tralha emocional. Mas só é útil o que é bom... – me aproximo e vejo que a pilha de onde ela está pegando tem brinquedos de borracha, livros, óculos, papéis, fotos e ursinho.
Começo a perceber que esse lugar não faz sentido algum. Sonhos, onde já se viu algo abstrato ser materializado para alimentar, por uma fornalha, um sistema de proteção, de alta tecnologia.
- Não faz sentido não é? Também, sou plano da resistência e sei o que você está passando. – Continua trabalhando e por um minuto encosta a pá em uma pilha, muito bem arrumada, de placas de computador. – Sou Hilary, fui pacifista por várias causas na Europa oriental e já te digo, muitas coisas não vão lhe fazer sentido algum aqui, mas é melhor se adaptar ou... – Ela me vira as costas e sai deixando-me sozinho no galpão de sonhos esquecidos.

Pesadelo futurista Part. II- Final



Vejo grandes janelas e por uma sei que consigo escapar desse pesadelo insano. Escalo uma pilha de cartas para papai Noel e alcanço a janela. Saindo do forte, vejo uns destroços de prédios, corro e me escondo atrás de uma parede ainda de pé, como se isso fosse impedir alguém, desse tempo, de fazer algo contra mim.
Paro e respiro fundo fechado os olhos, quando de repente sou surpreendido por um homem com roupa futurista, algo que notoriamente parecia ser feito com um tipo de acrílico, uma armadura ou um exoesqueleto, algo com as cores laranja e preto. O capacete encolhe dobrando e revelando-me sua dona que o tira mostrando-me sua feminilidade.
- Sou Cíntia, sou uma das soldadas da Resistência, fui eu quem te chamei e fico muito feliz de não ter acreditado em tudo que esses lunáticos te disseram. Bem isso fica implícito pelo fato de você ter tentado fugir. – Ela parece bem mais extrovertida e simpática que as duas mulheres que conheci do Forte.
- As cores da resistência são...
- Acho que você tem perguntas muito mais pertinentes a fazer do que sobre as cores do meu traje não é? – Ela me interrompe rindo.
- Com certeza... – E assim ingressamos em uma conversa que norteia a nova política e várias coisas sobre esse novo mundo. Ela me descreve a resistência como um “outro planeta”, algo parecido com uma Terra mais futurista, do que um planeta fantasma. Ela me explica que os grupos que ainda vivem, todos tem uma cúpula protetora e que a do forte é uma das melhores, os meios são arcaicos e duvidosos, mas eficazes, a cúpula  da resistência também é boa e nada sutil.
De repente, um estrondo de uma parede próxima a nós, explodindo, nos desfoca e desnorteia. Ela saca um cilindro preto eu logo vejo que a culpada pela explosão é uma mulher do forte, eu não a conheço, ela também segura um cilindro preto e de dentro dele sai uma corrente de energia de coloração alaranjada, na ponta tem uma clava com espinhos. A estranha mulher meche na base do cilindro e de sua ponta a corrente se transforma em um chicote elétrico laranja, com uns raiozinhos azulados e brancos o envolvendo. Ela mira e lança sobre mim aquele chicote laçando meu tornozelo esquerdo e apertando um botão e puxando-me ela avança sobre mim uma forte corrente elétrica que me paralisa os movimentos bruscos, fazendo-me contorcer vagarosamente com dores correndo pelo meu corpo inteiro que me faz precipitar ao chão. Vejo Cíntia tenta lutar por mim, mas desesperada ela tem que fugir por que aparecem mais soldados do forte. Esperneio por ela como uma criança suplicando pela mãe.
Acordo novamente no quarto 27. Saio e volto direto a sala de jantar. Estou confuso e com medo. Lili insiste para que eu coma e após muita insistência janto com eles.
As pessoas aqui são estranhas e agem como robôs. Cíntia explicou-me que muitos são cirados em laboratórios especialmente para a batalha e outros, desobedientes, tem a personalidade alterada para serem mais fortes, insensíveis e obedientes. Temo meu futuro aqui.
- Quero tomar um banho. – Sussurro a Lili. A mesma começa a falar com a estranha mulher em códigos.
- Lili, não quero voltar para aquele quarto, tenho medo de lá. Posso até dormir aqui num colchão, mas pra lá não volto.
- Verônica, aonde ele vai se lavar? – A mesma não responde e assim só encara-a.
- Ele está com medo de dormir, imagine se lavar, nu, na penumbra. Verônica... – Verônica encara-a como quem arquiteta um plano brilhante, suspira e responde a rebeldia da irmã.
- Tudo bem, ele banhar-se-á á minha suíte.
Saio do recinto e sou guiado por um asiático sem expressão. Ao entrar no quarto sinto-me familiarizado com o local, mas sinto que tenho que fugir. Tranco-me no banheiro e tiro minha roupa na penumbra. Abro o chuveiro e com custo a água esquenta, enchendo a banheira.
O medo, o pânico, o frenesi de escapar e o fato deu estar preso em uma realidade completamente estranha para mim, me enlouquece. Será que foi isso que deixou muitos deles assim?
Meu sangue ferve, meu corpo estremece e energizado clama fuga. Mas as questões são:
Como?
Por onde?
Quem são os mocinhos e os vilões?
... E o mais importante...
O que fazer agora, nu no banheiro e esperando o futuro me abraçar...
?

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Sonho: Amor Fatal



Uma vez eu conheci uma mulher, uma bela mulher, uma mulher linda, com seus olhos azuis como o céu de dia, com um sorriso sedutor e ardente, com um perfume avassalador e uma roupa excessivamente provocante. Ela tinha uma profissão suja, algo que eu abominava para ela e adorava em suas amigas, ela trabalhava na profissão mais velha do mundo, uma mulher que se vendia. Uma prostituta.
- O AMOR POR UMA MULHER QUE VENDE AMOR NUNCA ACABA BEM!
Fui às ruelas de Paris após muito tempo no Brasil trabalhando. Procurando companhia para passar minha primeira, de muitas, noite só me encontrei em uma rua, já ébrio, encontrei-a em uma esquina, logo abaixo da luz do poste, estava como um anjo pálido, fitando meu coração solitário, com uma roupa vulgar vermelha e preta, um batom vermelho sangue, seus olhos azuis reluziam e penetravam meu ser.
Ela me apoiou sobre seus ombros e levou-me, comigo guiando-a, até meu apartamento. Lá passamos uma noite longa e fogosa noite de febril paixão. Acordei achando que o acontecido era um sonho lindo, achei que tinha pegado um anjo do céu e o violado, mas não, dormi com uma bela mulher da vida. Fiz nosso café e ela o comia calmamente olhando-me nua da cama.
Não falávamos muito, era algo mais físico do que qualquer coisa. Mas o pior aconteceu. Eu me apeguei, eu me apaixonei, eu a amei. Ela me avisou que mesmo nós tendo nossos sentimentos ela não iria largar sua profissão e eu fingi ser cordial a sua decisão. MENTIRA.
Ela sumira toda noite, ira trabalhar. Com o tempo percebia que ela estava estranha comigo, mas não assumia. Então falei que já tinha arranjado um novo emprego e que ela não precisava continuar com o trabalho. Ela não aceitara. Foi uma discussão terrível que acabou com tapas e bate-portas. Ela voltou só no outro dia falando que iria largar o emprego. ACREDITEI.
Ela saia muito durante o dia, apesar deu estar trabalhando, eu sabia. Ela não assumia e quando assumia dava, claramente desculpas. Isso me IRAVA.
As BRIGAS foram ficando cada vez mais frequentes. Eu comecei a beber e a perder o controle. Comecei a bater nela e as marcas de meu amor mostravam-nos de quem ela de fato era.
Meu punho cerrado em seu corpo branco deixando-lhe roxões,  minhas palmas largas e abertas estalando em seu sensual, reluzente e magricelo corpo deixavam vergões e marcas estranhas. Ela chorava e reclamava, esbravejava e gritava, mas isso só aumentava minha gana. E suas mentiras só elevavam minha ira para com ela.
Um dia fingi que fui trabalhar e a segui, segui até a casa de seu amante, um conhecido meu de vista. Entrei na casa, silenciosamente, cego por ódio e sede de morte. Não sabia o que faria com ela, mas ele eu, sofregamente, coraria a garganta. E o fiz, entrei na cozinha, quebrei uma garrafa de espumante que estava aberta, eles deveriam estar bebendo na sala de estar. Eu cheguei na sua frente com a garrafa e antes que ele pensasse eu cortei sua traqueia que jorrava sangue vivo e ainda pulsante. Mas o sangue dele não era o suficiente e..
Eu não queria, mas ela não me deu opção. ELA NÃO CALAVA A BOCA. Ela gritava e relutava enquanto eu envolvia, com força, seu pescoço, manchado por beijos alheios e sujos, com minhas mãos largas e fortes, como uma jiboia faz com sua presa na Amazônia.
Ela não parava de falar mentiras, então eu calei a boca dela. As suas últimas palavras foram, “Eu te amo meu demônio!”. Não tenho certeza do que ela quis dizer e isso me consome.
Fico pensando nisso enquanto encaro os dois defuntos. Eu sempre tive muita certeza das coisas mas agora eu não sei as respostas.
Ergo minha cabeça, tomo banho na casa do traidor e visto uma bela e boa roupa dele, como ele fez com minha mulher. Saio da casa dele como se nada houvesse acontecido, com o carro dele. E fujo do país, indo para a Rússia.
Agora estou em busca de um novo trabalho, alguém pode me contratar?

Minha Madonna



Como é engraçado o simples fato de guardar textos inúteis, que me fazem lembrar de você, me fazem sentir você cada vez mais perto de mim.
Cada mentira por falta de coragem distancia-me mais e mais, fisicamente, de ti, no entanto, faz-me sentir tão próximo.
Só consigo perceber que pouco lhe conheço ao lhe ver cintilando, bocejando, deslizando em minha direção e me dirigindo muito mal um olhar.
Oh, como gostaria de poder ler sua mente pelos teus olhos cor de avelã. Como quero beber de seus lábios o doce mel que brota dos ventres teus. Como desejo, ah se desejo, inaudivelmente, afogar-me em seu delicioso cheiro de relva do campo, jasmins e burguesia, aroma divinamente inalcançável.
Ai de mim, ai de quem tocar os lábios impuros em seu dorso que enrijecido e arrepiado sua como as nuvens do céu, onde os cabelos teus banham enxugando de mistério seu corpo nu.