domingo, 6 de janeiro de 2013

Sonho: Os sequestradores Part. III


Ao chegar ao lugar do cativeiro eles deixam eu e Isis onde deveria ser a sala de estar da casa, parece uma sala de espera de um consultório. A mulher esguia está conversando com um homem malhado que parece ser o chefe do bando, eles conversam algo sobre nosso respeito e ele manda-a fazer os procedimentos com o rapaz, pois a mocinha vai para o “Carlos” se divertir um pouco e o homem esguio aparece em uma janelinha e sorri segurando Evelin sobre o ombro esquerdo, ela grita e esperneia com ele ainda a segurando.
- NÃÃOOOO... – Grito pulando para frente e caindo de cara no chão. Um homem chuta minha cabeça e me levanta socando minha cara e jogando-me no banco novamente. Vejo claramente a feição de pavor de Isis.
Um tempo se passa e nada muda, só que durante esse tempo de espera comigo olhando para o rosto de minha irmã ouvimos muitos gritos de Evelin, de Yago e de outras pessoas, crianças e jovens, Isis não faz nada além de cara de pavor e chorar, não emite nenhum som inteligível. Logo a mulher esguia sai da sala com uma roupa de médico suja de sangue, com luvas até o ante braço e com muito sangue no corpo, até o cabelo está um pouco grudado de sangue, mal vejo Yago sair arrastado e não consigo identificar o que nele foi feito e me arrastão para lá, eu me debato, mas não adianta.  Eles me amarram em uma cadeira  como a de dentista, amarram-me na cintura, nos pulsos, na testa, nos tornozelos.
A mulher corta todas as minhas roupas e começa os cortes, dá para ver seu sorriso sádico, no começo a dor é bem forte, mas tolerável, os meu gritos são exagerados.
- Por que está gritando filho, a brincadeira nem começou. – Vejo um sorriso sombrio em seu rosto e um bisturi em sua mão direita. Ela se dirige em direção a minha testa e começa a cortar a minha pele entre o olho e a orelha, a dor é absurda, inenarrável, meus grito misturam pavor, dor e pânico. Mexo-me para tira-la de lá, mas só o que faço é ajuda-la a me cortar. Sinto-a fazer uma incisão alí e partir para outro lugar.
A dor é tanta que não consigo ficar cem por cento acordado e entre desmaios e acordes eu grito, solto gemidos, mexo-me, xingo e vejo-a compenetrada em mutilar minha carne.
Já não sei quanto tempo estou aqui e nem o que é pele e o que é sangue em mim, tudo está sujo por sangue quase seco, o ventilador de teto ajuda a secar e espalhar poeira por meu corpo nu e dilacerado por essa sádica. Estou cansado e ainda gemo sentindo-a suturar-me.
Sou levado para um quarto escuro como de uma prisão, ele é todo de pedra e a única coisa que posso ver é que tem uma janelinha gradeada lá em cima, tem um colchão branco e três panelinhas, uma com ração, outra com água e outra vazia, suja com excrementos de outras pessoas. Fico aqui por muito tempo só deitado, ouvindo vozes e conversas diversas, mas nada que eu consiga entender. Estou demasiadamente cansado e mal sei distinguir se é dia ou noite, se já são dez dias que passei aqui ou sem, não sei se durmo e tenho pesadelos ou se estou apodrecendo nesse quarto. Quando ouço a voz de Ivana e de Igor me chamando.
Desperto, olho para os lados, enfim consigo ficar de pé e um homem me amarra e me leva para um outro quarto, como um quarto de criança, nele há um menino com aproximadamente 15 anos que fica repetindo “Paredes, quantas paredes, paredes, paredes. Navalhas, arrancar, navalhas, garganta, navalhas.”, ele fica andando freneticamente de um lado para o outro, ele está vestindo um tipo de moletom com tornozeleirsa grossas demais para esse calor que faz, ele usa uma camiseta azul meio esbranquiçada rasgada e muito surrada, há outro rapaz no quarto, um garoto grande e sério, ele não fala, só usa uma camiseta amarela com uns desenhos e tem uns desenhos queimados no próprio corpo como algo parecido com um bigode feito com ferro quente e usa uma bermuda marrom bem surrada, rasgada e feia e também está no quarto Isis, encolhida em um canto com alguns brinquedos, reconheço-a só pro que sou seu irmão e por que está com a mesma roupa, só que suja, rasgada, surrada, ela está com algumas marcas de espancamento pelo corpo.
Quando os homens me deixam no quarto e saem, corro e me jogo em direção a Isis que chora sem parar.
- Mana... – Falo com ela em tom preocupado tocando em seu braço marcado pela flagelação. Ela reclama de dor emitindo um som com a boca.
- Você, também tem aquele negócio no braço? – Ela fala sem olhar para mim.
- O que? – Olho para o meu braço esquerdo e vejo algo estranho que me já estava me incomodando muito a um tempo, mas nunca tinha visto antes, é algo alto com uma forma estranha. – O que é? Você também tem?
- Não. – Ela olha para meus olhos, seus olhos cor de avelã estão vermelhos de tanto chorar. – É uma navalha no seu braço...
- Navalha, navalha, eles colocaram uma navalha em nós. – O garoto que anda de um lado para o outro interrompe-a sem parar de andar. Ela o encara, mas continua falando.
- Eles mutilam os rapazes e as mulheres eles estupram e quando não os servem mais eles cortam em pedaços e vendem. – Ela está com uma cara de nojo e desprezo com um misto de ódio e pavor.
- E com você, o que fizeram? Sabe o por que? O que sabe? – Insisto olhando seriamente em seus olhos que a cada momento se enchem mais de lágrimas, ódio, amargura, ira e pânico.
- Eles... – Ela é interrompida pelo garoto que anda pelo quarto, agora eles está quase correndo. - Eles...
- NÃO FA, NÃO FAL, NÃO FAFAFA, NÃO FALEM, CALEM A BOCA, CABEL A BOCA... – O garoto corre em nossa direção e grita conosco, depois começa a sussurrar. – Vocês não veem o que estão fazendo? Acha que são os primeiros a fazer isso? Eu Ugo, todos que passaram por aqui, são todos parentes de crianças desaparecidas de Green Ville e o último que tentou conspirar e que falou em voz alta coisas sobre eles aqui nesse quarto coisas sobre eles acabou sendo horrivelmente destroçado, eles jogaram os restos do corpo dele em coma de nós, eu e Ugo, desde então, Ugo só sabe engordar e não fala mais nada, só fica com aquela cara e acabou sendo arrastado para a sala do dentista com a Cíntia Simone para ser queimado a ferro . - É visível o garoto gordo, o Ugo tremendo quase chorando de pavor. - Então, por favor, parem de falar, se não serão os próximos. Menina continue agindo como louca e você menino, arranje alguma maluquice para você. – Então ele do nada volta a caminhar pelo quarto e fica repetindo qualquer coisa. Fiquei pensando no que ele falou, ele é muito esperto, ele tem razão, mas não sairemos aqui de mãos vazias. Olho em silêncio para Isis esperando resposta. Ela me abraça e começa a sussurrar uma música em meu ouvido.
- Eles não fizeram nada comigo ainda, eu mordi a língua de um homem, chutei e machuquei alguns deles, então eles me bateram e prometeram que futuramente me fariam... – Ela engole o sussurro a seco. – A navalha dos rapazes eu entendi que é para algum jogo, só ouvi isso. Não sei o por que que eles nos sequestram, ouvi uns falarem de algum jogo conosco, outros falaram de nos vendes, outros... – Ela pensa e sinto que derrama lágrimas em mim. – Eu só sei isso irmão, enquanto isso melhor entrarmos no jogo. – Sinto uma dor me consumir, algo que não sei dizer o que é, é algo totalmente estranho para mim.
-Tem notícia dos outros? – Sussurro esperando por respostas. Mas sinto ela suspirar e chorar em meu ombro.
- Não sei se Evelin está bem, mas receio que não e Yago, a última vez que o vi, parecia uma ferida aberta de tanto sangue, pus e carne viva que vi. – Ela torna a chorar e a tremer, me abraça forte e fica desesperada. – Me diga que você tem um plano, por favor, diga-me que você vai tirar-nos daqui sãos e salvos... – Ela volta a entrar em choque.
- Nós vamos sair daqui sim, fique tranquila, Quando Yago der o sinal, vamos sair. – Falo com liderança.
- Qual é o sinal? você o viu? E Evelin, como vai ser? – Sou bombardeado por perguntas sussurradas.
- Eu não o vi, mas sei que ele vai nos dar um sinal, qualquer coisa que ambos tivermos certeza de que é ele, aí sim é o sinal e Evelin, bem, ela nós vamos descobrir... – Engulo minhas próprias palavras a seco. Empurro-a olhando em seu rosto como quem está com raiva, mostro-lhe com um olhar onde estão as câmeras e vou para o outro canto do quarto e encolho-me.

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