quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Sonho: A pretinha e os Tirulipa-pegajosos Part. I

Descendo da minha embarcação com aquele monte de gente estranha em com roupas, cheiros e feições repugnantes procuro logo meu lugar. Seguindo alguns dos meus companheiros de viagem procuro meu lugar e encontro-me andando descalço sobre a areia da praia, a água está escura e evidentemente suja. Estou seguindo os passos de um homem enorme de gordo mas não sei o porque sei que ele vai me ajudar a encontrar meu caminho, meu lugar nesse habitat ainda estranho para mim. Das pegadas dele brotam água, uma água azul turquesa. A coisa começa a parecer estranha ele está segundo em direção ao mar, dou meia volta e volto-me para a ponte, ou melhor, para baixo dela. Muitas pessoas estão aqui e eu encontro aqui minha irmã que estranhamente viajou comigo todo esse tempo e eu se quer lembrava.

Uma menininha negra corre para há frente da catraca do que parece um viaduto, mas é algo que liga há terra firme com a ponte Rio-Niterói. O formato é idêntico aos viadutos da Washington Luíz. Minha irmã Sebastiana corre atrás dessa menina.
- Você está cobrando para ver o “Tirulipa pegajoso”? Eu adoro ele, sabia que eu já fui uma Tirulipa pegajosa? – Tiana fala com muito entusiasmo para com a menina negra, mais entusiasmo que estou acostumado. Elas parecem se conhecer e serem íntimas. Ouço a conversa ainda de longo, aproximando-me vagarosamente.
- Cinco reais tia. – Tiana praticamente joga a nota nas mãos da menina e voa ao encontro do palhaço. Ele, por sua vez, é um palhaço com roupa com listras em preto e branco, tem uma peruca cor de fogo e um nariz vermelho, uma maquiagem quase derretida e uma aparência suja e remelenta. A menina não demora muito para também rodar a catraca e ficar aos pés do palhaço pegajoso. Ambas ficam conversando com o palhaço sem graça, elas super animadas e ele super interessado no que Sebastiana tem a lhe “oferecer”.


Subo aquele lugar com cuidado e receio por nojo das qualidades sanitárias.

Tirulipa-pegajoso:

 Depois de muito esforço e de não conseguir abocanhar aqueles redondos e roliços melões da menina volto a minha cabine escura e suja, venho tirar minha maquiagem que já está completamente deteriorada. Ao me sentar e tirar quase por completo a maquiagem Negão aparece com uma arma na mão e outra na cintura. Na mão ele está com uma pistola imbel .380 e na cintura ele está com uma pistola dourada. Ele está com uma camisa aberta e dá para ver a pistola cintilar em contraste de sua pele negra.
- E então como está o serviço com os traficantes? – Ele rosna com a voz grave e furiosa.
- Está tudo ótimo chefia, pode ficar tranquilo. – Respondo com um pouco de medo. – Aceita alguma coisa? – Levando-me para pegar algo, mas ele me joga novamente na cadeira de maquiagem.
- Mostre-me como você faz com eles. – Ele fala mostrando-me a arma de sua mão direita. Mas recuso-me a fazer dando uma desculpa esfarrapada. Ele aponta a arma para minha testa encostando o bico em minha fronte.
- É assim que se extorque o que é seu, assim que você faz esses playboys pagarem a droga, ou faz assim, ou a bala deles vai entrar na sua cara. – Ao terminar ele joga a arma em cima de mim e vira-me as costas.
- Só que eu trabalho do meu jeito otário. – Respondo-o pelas costas apontando a arma de lado para o nada e falando baixo. Coloco a arma na penteadeira e esfrego o rosto com as mãos em um suspiro de alívio. Mas antes que meu suspiro se concretize ele volta com uma arma maior, mal posso ver o cano e a luneta da mira da arma, ele praticamente enfia-a em minha fronte e atira falando algo que o barulho da arma não me deixa ouvir.
Meus apelos e súplicas por manter-me vivo e sues murmúrios são abafados por meu pânico que mal deixa eu ouvir o barulho do disparo em direção a minha face. Meu rosto é um buraco só, não dá para se quer saber que um dia isso foi um rosto humano. Minha cabeça ainda treme um pouco e sinto sede apesar de ver-me agora em terceira pessoa...

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