Está tendo meio que uma reuniãozinha de família aqui em
casa, nada de mais, só um monte de parentes e amigos da família, estamos aqui
na sala conversando, brincando, zombando e curtindo eu, minha irmã Isis, minha
namorada Evelin e o namorado de minha irmã Yago. Estamos todos conversando e brincando quando
vou há cozinha rapidinho para pegar uma carne e um pouco de refrigerante e
minha avó solta uma pérola exatamente quando entro.
- Crianças, ainda bem que você entrou, chama as crianças...
– Ela grita isso para mim, tenho apenas 18 anos e sou uma criança para ela, que
criançona eu sou...
Chamo o pessoal como vovó me pediu e vamos junto a cozinha.
- Crianças, eu estava falando para Rogério que ... – Olho
para Isis e falo sem emitir som, “Falou nada” e ela consente mexendo com a
cabeça e esboçando um sorrisinho. – é para nenhum de vocês sair de casa por que
tem um povo estranho na cidade e dizem que eles estão roubando crianças então
fiquem alertas.
- Tá, só se for um dos nossos a sumir né? – Falo zombando
com um pinguinho de verdade.
- NÃO SAIAM! – Minha tia avó grita senta a mesa junto de
vovó e mais alguns velhos da família. – Não entendeu o que eu sua avó falou
menino? – A principio ficamos um pouco assustados, mas logo nos recompomos e
dou-lhes uma resposta.
- Mas e se Ivana ou Igor sair brincando e sumir, temos que
procura-los. Vocês não se preocupam com eles? – Falo com pulso firme.
- Mas eles não vão sumir, não vão sair e ponto. – Minha avó
retruca.
- Tudo bem. – Encerramos a discussão comigo saindo da copa.
O restante dos jovens volta comigo para a sala e ficamos por
uns instantes falando sobre isso, mas logo deixamos isso para lá e voltamos a
conversar sobre coisas alegres e descontraídas.
Mais tarde minha mãe está voltando para casa e pede para eu
chamar meus irmãos gêmeos mais novos Ivana e Igor, mas quando vou procura-los
não os encontro. Começo a ficar desesperado e a gritar seus nomes e assim agito
todos dentro de casa.
- As crianças sumiram, SUMIRAM! – Grito entrando em casa
para todos ouvirem.
Apesar de eu ser apenas um irmão sou o que está mais
abalado, eles tem que me dar água e me acalmar enquanto conversam com o
policial que foi chamado para fazer o Boletim de Ocorrência.
Saio da sala onde estou em evidencia e vou para meu quarto
praticamente fazendo subconscientemente os demais jovens me seguirem para lá,
eles sabiam de alguma forma que era uma reunião de emergência. Chegando no quarto quase arrumado fecho a
porta, acendo a luz e ligo o ventilador.
- O que você quer nos dizer? Qual é a encrenca que vai nos
meter agora? – Yago fala cheio de intimidade.
- Vamos encontrar as crianças. – falo com decisão e espírito
de liderança.
- Você pirou de vez
né? Como você acha que vai conseguir essa façanha? – Evelin fala pirando
comigo. – Você acha que ninguém está também sentido com isso, mas estamos. Isso
é loucura amor. – Olho para Isis e vejo em seus olhos que isso não é coisas só
da minha cabeça.
- Isis sabe onde começar e eu também. – Eles ficam se
olhando com dúvida, mas hesitamos em falar qualquer coisa. Um silêncio paira
sobre nós, cada qual olhando um para o outro.
- E então, como vai ser? – Isis quebra o silêncio. – Vocês
estão dispostos a se arriscar por eles? Confiam em nós? – Evelin olha para
dentro dos olhos de Yago e logo responde sem muito pensar.
- Claro que sim, qualquer coisa por aqueles pivetes. – Dá
para perceber uma gota de tristeza no olhar dela. Yago consiste com a cabeça
sem falar nada.
- Então amanhã, nos vemos em frente o morro atrás da zona
dos esqueitistas. Evelin leve sua câmera e não se esqueçam, todos bem vestidos.
Até amanhã bem cedo.
Eles saem sem que troquemos mais nenhuma palavras e fecho a
porta atrás deles. Não consigo dormir essa noite e quando acordo não consigo
hesitar o medo que domina meu corpo só de pensar em o que podemos passar para
conseguir pegar essas crianças de volta. Arrumo-me para ir e saio sem que
ninguém me veja, no meio do caminho vejo Isis seguindo em silêncio e faço-a
companhia em silêncio.
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