- Alô? – Atendo o telefone me distanciando da multidão que
está na conferência.
- Já tem um nome? – Ouço meu chefe falando com tom moderado
e temperante como sempre. Fico um pouco nervosa pois nunca demorei tanto para
conseguir uma informação tão simples.

- Ainda não, não consegui chegar perto dele ou acessar seu
computador pessoal, tem muitos programas para proteger as informações que
queremos. – Você já foi melhor Senhorita Miller, mais pontual, o que está
acontecendo com você? – Engulo a seco essa pergunta retórica. – Quando terminar
a conferência você pode voltar a sua sede, passarei o caso para o agente Bittencourt,
você o conhece e sabe que ele é bem competente para o caso, só peço que não
interfira.
- Senhor, se me permite, eu gostaria de ter mais uma semana
para lhe entregar o relatório, não me oponho ao agente Herivelto, mas como já
estou engajada a mais tempo no caso, eu proponho-lhe pelo menos um trabalho em
equipe. – falo tentando manter o controle na voz. “Mas que absurdo como ele
pode querer me tirar desse caso, eu nunca atrasei, pelo contrário eu sempre
entrego todo o relatório com tanta antecedência que não há necessidade, isso
quando eu mesma não prendo o meu alvo. Nunca falhei no meu trabalho e não será
hoje a primeira vez.”
- Tudo bem, você tem até amanhã para me dar alguma
informação, o ponto de encontro entre você e o agente Bittencourt é o palácio
de Buckingham, ele está indo ainda hoje para Londres, seus horários estão
sincronizados, então não tome nenhum desvio, descendo na estação vá direto ao
ponto de encontro, lá vocês estão abertos a discutir o caso e decidirem como
vão fazer para prender nosso alvo. Não se esqueça Eva, seu alvo é Frederik
Hunter, gerente de relações estrangeiras da empresa Coolugat cujo está com
grandiosos e importantíssimos trabalhos com a empresa de softwares Brasnet. Herivelto,
é brasileiro e já tem todas as informações relevantes para nós sobre a empresa
Brasnet, já você, está em atraso com as informações da Coolgat. – Mordo meu
lábio inferior de ira, respiro fundo e respondo meu chef.
- Senhor, perdoe-me, mas meu prazo é até hoje anoite e eu
estou dependendo do resumo do relatório do agente Herivelto sobre a empresa
Brasnet. – Estou agindo mais profissional do que o corriqueiro.
- Ok, ele mesmo lhe entregará o relatório e não se esqueça,
nosso cliente está pagando muito caro para investigarmos o assassinato de Nataliano
Carneiro. Eva, não fuja do seu objetivo. - Tenho a sensação de que ele, por
aquele telefone, pode ver minha alma. Sobe um frio na espinha, mas me contenho
para que ninguém perceba que estou um pouco assustada. Ao terminar de falar
isso meu chef desliga o telefone e logo vou me encaminhando discretamente para
a sala de conferência da diretoria. Eu tenho acesso, pois estou trabalhando dentro
do financeiro da empresa Coolgat.
Passo pelo povo cumprimentando-os e entro no prédio da sede
conferencial. Passo pelo corredor despercebida e abro uma porta que me dará
acesso a sala que quero, ao entra no corredor abro a primeira porta a direita e
encontro dentro de uma salinha apertada de almoxarifado dois funcionários se
pegando, logo fecho a porta e abro a segunda a direita, ainda não é essa,
“tenho que chegar nessa sala antes dos outros para obter informações
pertinentes e começar a investigação cujo enrolei tanto para começar. Estava muito
bom fingir por uma semana que tinha uma vida normal e não de uma agente
policial internacional.” Abro a primeira porta a esquerda e é essa a sala,
entro nela, vou direto ao computador do diretor da empresa. Ao liga-lo pede uma
senha de 7 dígitos, digito uma senha mestra que recebi da centra: “FATIGUE” e
entrou. Assim que termina de abrir todos os programas do computador eu começo a
vasculhar os arquivos suspeitos, arquivos que falam sobre transações
estrangeira, arquivos com nomes de funcionários, arquivos com senhas de acesso,
etc. Passo tudo para um cartão de memória que conecto ao notebook. Ainda
procurando por mais arquivos pertinentes ouço um barulho vindo do corredor,
logo fecho todos os programas abertos e faço logoff no computador para que ninguém
perceba que eu estive por aqui. Corro para o banheiro da sala e entro, espero
eles abrirem a porta da sala para eu abrir a porta do banheiro junto e assim ninguém
suspeitar do que eu estava fazendo.
- Que bom te encontrar aqui Samanta, procuramos por você,
mas Brigitte disse que você poderia já estar aqui já que você é... – Ele hesita.
– Diga Brigitte, diga-a o que me disse sobre ela. – Sinto ter a confiança de
quase todos naquela sala, principalmente a do dono da empresa, que é quem está
falando comigo agora. Olho com arrogância para Brigitte e fico esperando sua
resposta.
- ... já que você é puxa-saca do chefe. – ela responde com
um tom de arrogância e com um olhar indolente.
- Engano seu
Brigitte, não sou bajuladora, sou competente, palavras bem distintas e com
significados singularmente diferentes. Eu simplesmente vim adiantar minha entranha
na sala e aproveitei para usar o toalete já que pelo menos aqui eu não me
atrasaria para a reunião. – Vejo-a vermelha e envergonhada pela minha resposta
e pelos olhares risonhos dos outros funcionários da empresa.
- então vamos parar com isso meninas, vamos dar continuidade
ao que viemos fazer aqui. – Fidgins
corta a sensação de constrangimento para com Brigitte e fala se
dirigindo ao seu assento.
A reunião começa e todos estamos já sentados, eu estou no
meu computador tomando ata de tudo o que está sendo discutido e enquanto eles
conversão sobre uma ideia aumentar a visibilidade externa da empresa fico
pensativa mexendo e cacheando os tufos de cabelo da minha nuca, quando percebo
que a parte traseira da minha tiara, onde tem o fundo falso para o cartão de
memória, está vazia, fico um pouco assustada e preocupada, com medo de alguém perceber
o cartão, olho para o computador do Fidgins, mas ele não percebeu ainda, espero
que nem perceba, mas por precaução, me levanto do meu assento e vou até atrás
dele de seu assento, onde ficam as janelas, abro-as disfarçando o meu
verdadeiro objetivo que é pegar o meu cartão de volta.
Ele olha para mim e percebe que apesar d’eu estar virada
para a janela estou olhando para seu computador.
- Está tudo bem Samanta? – Ele interrompe a discussão e faz
todos prestarem atenção em mim.
- Perdoe-me chef, eu distraí um pouco e perdi o nome do
ultimo programa que nós vamos comprar, eu estava tentando disfarçar abrindo a
janela para ler suas anotações, mas pelo jeito o senhor é bem mais perspicaz do
que eu. – Faço cara de envergonhada, mas na verdade estou aliviada de ter
pensado em algo tão rápido para responder.
- Claro isso acontece com todos, pode tomar nota aqui do meu
computador e voltar para seu lugar. – Ele é bem discreto e com isso dá
sequencia a reunião.
- Me desculpe chef, mas devo alertar a Samanta que isso
também tem nome, desatenção. – Brigitte fala com um tom de arrogância de quem
ganhou alcançou uma vingança de infância.
- Obrigado Brigitte por acrescentar mais uma palavra ao meu
vasto vocabulário. – Dou-me por vencida, pois essa não é minha missão.
Debruço-me ao computador do chef e finjo ler o que ele
escreveu, passo o mouse sobre seu texto e sem que ele perceba pego o cartão de
memória e volto ao meu lugar, finjo ajeitar meu cabelo, colocando o cartão na
tiara e torno a digitar qualquer coisa.

Essa reunião dura por um bom tempo, e quando acaba eu vou
direto para meu quarto de hotel para poder ler com calma os arquivos que pude
pegar do computador do Fidgins. Leio-os calmamente e percebo que nada é de
grande relevância, nada além de uma informação que pode me render muitas
pistas, tenho as fichas completas de todos os funcionários que estão na
conferência e um deles o gerente de tecnologia, ele não parece muito
importante, só preciso dos acessos dele para poder descobrir mais coisas sobre
Frederik. Esse homem que eu preciso é muito previsível, noivo há três meses,
branco, temperamento controlado, pontual e amigo íntimo Frederik e Fidgins. “Hum,
o caso está começando a ficar interessante.”
Obtendo as informações de que preciso, começo a arrumar minhas
malas para voltar a Londres e encontra-me com Herivelto. Encaminho-me com todos
a estação de trem, mas quando eu percebo que meu novo alvo está no mesmo trem
que eu começo a caçada.
Enrolo um pouco para entrar no trem e quando finalmente
entro, estão quase todas as cabines lotadas e como eu percebi, observando esse
homem, ele é bem tarado, então vou direto a cabine dele.

- Com licença, algum paspalho sentou-se em meu lugar e se
reusa a sair e como as outras cabines estão cheia eu posso me sentar aqui com
você – Digo a ele sensualmente, me sinto fazendo um filme pornô.
- Claro, sem problemas. – Ele consente sorrindo.
- Meu nome é Samanta Pinheiro, sou do financeiro e trabalho
na cede da Califórnia. – estendo a mão para cumprimenta-lo.
- Patrick Spencer, gerente da inteligência tecnológica do
polo B. – Ele consente e me cumprimenta com um aperto de mão fraco.
Começo a puxar uns assuntos aleatórios e ele vai cada vez
mais caindo na minha armadilha, então começamos a beber, ele vai ficando cada
vez mais solto e acaba me beijando, ele pede desculpas e fala que nunca traiu a
noiva, eu me desculpo também e digo que nunca traí o meu namorado, “ Invento um
namorado só para já com essa colocar Herivelto na jogada, tenho certeza que ele
futuramente vai me agradecer.”, mas eu não posso deixar escapar essa
oportunidade, fecho as persianas, tiro a camiseta e começo a beija-lo. Depois
do beijo nós começamos a transar, foi rápido e nem foi bom, tive que fingir um orgasmo
e foi a pior atuação da minha vida.
Chegando próximo á estação de Londres eu me visto novamente
e falo para ele fingir que nada aconteceu, mas pela preocupação que ele exerce
sei que não vai esquecer nunca aquele acontecido, vejo que ele comeu a isca
toda e pedia mais.
Logo que chego há estação vou há rua, entro em um taxi e vou
direto ao palácio, encontro Herivelto de pé, em frente ao palácio só abro a
porta do carro e grito “Entra logo, o taxi aqui é caro.” E ele entende que é
para entrar. Nós não trocamos uma palavra, ele está com um rosto bem sério,
vestindo uma roupa singularmente desconexa a moda, usando um cachecol preto
sobre uma camiseta amarela esverdeada, uma calça jeans azul clara e surrada, coturnos
pretos e uma pasta cor de areia, nas mãos ele está com luvas de couro preto e
segurando um smartphone cujo está me passando algo, deve ser o relatório.
Ao chegarmos em nosso destino que é um bar próximo ao hotel
onde estamos hospedados, pago o motorista, agradeço e saio, Herivelto também,
nos sentamos no bar e começamos a conversar em português que é mais seguro e
mais fácil para ambos compreendermos, já que eu sou meio brasileira. Explico a
ele o que fiz até agora e o porquê eu demorei tanto para obter tão poucas
informações. “Ele eu sei que me compreende, pois ele passa pela mesma coisa que
eu.”
Sem muita conversa, vamos para o hotel, abrimos estadia e
alugamos um quarto, subimos, nos trocamos e vamos para a exposição de quadros
de um brasileiro onde eu tenho certeza de que vou encontrar com Patrick.
Ao chegarmos no local, fico sentada em um banco olhando para
o mar na mesma rua do prédio onde meu alvo está. Herivelto esta me vigiando de
longe, eu estou de tocaia fingindo que estou esperando alguém, na verdade estou
esperando meu alvo sair do prédio, “espero que ele saia antes de sua noiva para
que eu possa beija-lo e faze-lo terminar o noivado deixando-o somente como meu
cumplice na investigação”.
Depois de um tempo esperando ele aparece, ele fica olhando a
lua e antes que eu precise me levantar do meu lugar ele se vira e me vê, vem ao
meu encontro e me beija na frente de qualquer um, logo que começamos a nos beijar
Herivelto aparece para forjar um escândalo, atraindo a noiva de Patrick junto
do pintor. Havendo aqui uma ceninha sobre um corno revoltado que bate em Patrick
e vai consolar a ex-noiva dele.
Fico aqui com Patrick dentado no chão depois de apanhar de
Herivelto, permaneço sobre o corpo dele estirado no chão, fico pensando o que
vou fazer agora, as coisas de Herivelto estão no meu quarto, não posso leva-lo
para lá, não sei o que Patrick vai fazer, devo agir como uma mulher frágil e
dar impressão a ele de que ele pode me manipular sendo que quem vai manipula-lo
serei eu.
Levanto-o e levo-o até o banco cujo eu estava sentada.
- Aliás, belo vestido. – Apesar dele estar ainda um pouco sensibilizado
por tudo o que aconteceu já está voltando a si.
- Obrigada. – Tento não parecer tão volúvel, mas não dá para
disfarçar. – E então, o que vamos fazer agora? Meu namorado me deixou e a sua
noiva lhe deixou... – Dou uma abertura para que ele chore as mágoas e encontre
o consolo em mim. Ele respira fundo.
- Não é o fim, não se preocupe, temos bons empregos e nos
gostamos certo? – Consinto com a cabeça. – Então vamos de carro na minha casa
só para eu pegar umas coisas e se quiser vamos até onde você mora com seu ex
para pegar umas coisas e morarmos juntos, certo? – Ele parece estar tentando me
consolar enquanto sou eu quem estou manipulando-o para conseguir o que preciso.
Abraço-o forçando um choro cinematográfico.
- O que seria de mim sem você, muito obrigada por tudo. – Olho
em seus olhos e beijo-o.
Saímos aqui e vamos há nossas casas, pegamos o essencial e
vamos ao apartamento que ele vai alugar para nós. Passamos por uns momentos de
volúpia e logo ele pega no sono. Enquanto fico olhando-o dormindo penso comigo
mesma que a armadilha está montada, a presa já está na armadilha e está feliz
em estar preso em meu cativeiro, está tudo em minhas mãos, mas eu não sei se de
fato quero continuar com isso. Mas logo lembro-me do que meu chef falou comigo
pelo telefone, “Eva, não fuja do seu objetivo.”, imagino que ele estava falando
desse momento. Recomponho-me, levanto ainda nua da cama e vou mexer no
computador de Patrick.

Ligo-o, não tem senha, vou procurando alguns arquivos,
encontro algumas senhas salvas, deixo o arquivo com as senhas aberto, depois de
uma certa procura encontra uns arquivos bem pesados com bloqueio de senha, eu
utilizo as que tem no programa de texto sobre senhas, mas nenhuma delas serve,
então eu uso as iniciais de cada senha e abre.
“O meu Deus! Eu nunca iria imaginar encontrar isso aqui, são
fotos de várias crianças nuas, violentadas e em situações sexuais, é horroroso
e nojento, é doentio e pavoroso, algumas dessas crianças eu mesma encontrei o
corpo e prendi o culpado, mas nunca iria imaginar encontrar alguém envolvido com
isso aqui em Londres.”
Tento me recompor e continuar procurando informações e
consigo, encontro o que estou procurando, tenho os nomes e tudo o que meu
cliente está pedindo sobre o assassinato de Nataliano Carneiro, salvo tudo em
meu cartão de memória escondido ainda na tiara e salvo também essas fotos, até
que “esbarro” por uns programas sobre casos de pedofilia, quadrilhas de
pedófilos e desaparecimento de crianças, eu salvo o arquivo, tiro o cartão e
vou para meu quarto de hotel antigo, pego tudo o que é meu, fecho a hospedagem
e vou para outro hotel.

Quando já estou no meu novo quarto terminando de redigir o
relatório da minha missão para mandar ao meu chef eu decido ver o arquivo sobre
as crianças desaparecidas que também peguei.
“O meu Deus! Uma dessas crianças é a minha
irmã mais nova desaparecida há dez anos.” Com lágrima nos olhos, uma fúria que
lateja meu rosto e faz meu sangue ferver e uma cede de vingança no coração abro
o arquivo que fala sobre as quadrilhas, “Minha nossa, não só meu alvo, como os
componentes da empresa onde estou trabalhando de fachada fazem parte, mas não é
só isso, o Nataliano, o alfa do meu cliente, também estava nessa quadrilha.”
Desnorteada fecho de qualquer jeito o computador e vou para
a sacada do quarto do hotel de luxo que estou hospedada. Que ódio, não era para
ser difícil, mas agora a vingança será há meu modo!
E que a caçada comesse!