domingo, 23 de dezembro de 2012

Feliz Natal & um Alegre Ano Novo!



Como alegria de Pobre tem é perecível, com prazo de validade bem curto, a saga termina por aqui...
Talvez, de repente eu continue algum dia a história, pois elas têm uma continuidade, mas não é nada garantido. Então fica você por aí e eu por aqui, pois logo viajarei e não irei publicar nada, talvez publique na volta. E vou deixar na vontade quem estava esperando por um conto de natal meu.
Pois bem, como já disse alegria de pobre dura pouco e me despeço assim com um forte abraço e um beijo para quem merece!
Boas Festas!


Felicitações de:
Lipe Dick

sábado, 22 de dezembro de 2012

A saga dos olhos verdes * Vingança


- Alô? – Atendo o telefone me distanciando da multidão que está na conferência.
- Já tem um nome? – Ouço meu chefe falando com tom moderado e temperante como sempre. Fico um pouco nervosa pois nunca demorei tanto para conseguir uma informação tão simples.
- Ainda não, não consegui chegar perto dele ou acessar seu computador pessoal, tem muitos programas para proteger as informações que queremos. – Você já foi melhor Senhorita Miller, mais pontual, o que está acontecendo com você? – Engulo a seco essa pergunta retórica. – Quando terminar a conferência você pode voltar a sua sede, passarei o caso para o agente Bittencourt, você o conhece e sabe que ele é bem competente para o caso, só peço que não interfira.
- Senhor, se me permite, eu gostaria de ter mais uma semana para lhe entregar o relatório, não me oponho ao agente Herivelto, mas como já estou engajada a mais tempo no caso, eu proponho-lhe pelo menos um trabalho em equipe. – falo tentando manter o controle na voz. “Mas que absurdo como ele pode querer me tirar desse caso, eu nunca atrasei, pelo contrário eu sempre entrego todo o relatório com tanta antecedência que não há necessidade, isso quando eu mesma não prendo o meu alvo. Nunca falhei no meu trabalho e não será hoje a primeira vez.”
- Tudo bem, você tem até amanhã para me dar alguma informação, o ponto de encontro entre você e o agente Bittencourt é o palácio de Buckingham, ele está indo ainda hoje para Londres, seus horários estão sincronizados, então não tome nenhum desvio, descendo na estação vá direto ao ponto de encontro, lá vocês estão abertos a discutir o caso e decidirem como vão fazer para prender nosso alvo. Não se esqueça Eva, seu alvo é Frederik Hunter, gerente de relações estrangeiras da empresa Coolugat cujo está com grandiosos e importantíssimos trabalhos com a empresa de softwares Brasnet. Herivelto, é brasileiro e já tem todas as informações relevantes para nós sobre a empresa Brasnet, já você, está em atraso com as informações da Coolgat. – Mordo meu lábio inferior de ira, respiro fundo e respondo meu chef.
- Senhor, perdoe-me, mas meu prazo é até hoje anoite e eu estou dependendo do resumo do relatório do agente Herivelto sobre a empresa Brasnet. – Estou agindo mais profissional do que o corriqueiro.
- Ok, ele mesmo lhe entregará o relatório e não se esqueça, nosso cliente está pagando muito caro para investigarmos o assassinato de Nataliano Carneiro. Eva, não fuja do seu objetivo. - Tenho a sensação de que ele, por aquele telefone, pode ver minha alma. Sobe um frio na espinha, mas me contenho para que ninguém perceba que estou um pouco assustada. Ao terminar de falar isso meu chef desliga o telefone e logo vou me encaminhando discretamente para a sala de conferência da diretoria. Eu tenho acesso, pois estou trabalhando dentro do financeiro da empresa Coolgat.
Passo pelo povo cumprimentando-os e entro no prédio da sede conferencial. Passo pelo corredor despercebida e abro uma porta que me dará acesso a sala que quero, ao entra no corredor abro a primeira porta a direita e encontro dentro de uma salinha apertada de almoxarifado dois funcionários se pegando, logo fecho a porta e abro a segunda a direita, ainda não é essa, “tenho que chegar nessa sala antes dos outros para obter informações pertinentes e começar a investigação cujo enrolei tanto para começar. Estava muito bom fingir por uma semana que tinha uma vida normal e não de uma agente policial internacional.” Abro a primeira porta a esquerda e é essa a sala, entro nela, vou direto ao computador do diretor da empresa. Ao liga-lo pede uma senha de 7 dígitos, digito uma senha mestra que recebi da centra: “FATIGUE” e entrou. Assim que termina de abrir todos os programas do computador eu começo a vasculhar os arquivos suspeitos, arquivos que falam sobre transações estrangeira, arquivos com nomes de funcionários, arquivos com senhas de acesso, etc. Passo tudo para um cartão de memória que conecto ao notebook. Ainda procurando por mais arquivos pertinentes ouço um barulho vindo do corredor, logo fecho todos os programas abertos e faço logoff no computador para que ninguém perceba que eu estive por aqui. Corro para o banheiro da sala e entro, espero eles abrirem a porta da sala para eu abrir a porta do banheiro junto e assim ninguém suspeitar do que eu estava fazendo.
- Que bom te encontrar aqui Samanta, procuramos por você, mas Brigitte disse que você poderia já estar aqui já que você é... – Ele hesita. – Diga Brigitte, diga-a o que me disse sobre ela. – Sinto ter a confiança de quase todos naquela sala, principalmente a do dono da empresa, que é quem está falando comigo agora. Olho com arrogância para Brigitte e fico esperando sua resposta.
- ... já que você é puxa-saca do chefe. – ela responde com um tom de arrogância e com um olhar indolente.
 - Engano seu Brigitte, não sou bajuladora, sou competente, palavras bem distintas e com significados singularmente diferentes. Eu simplesmente vim adiantar minha entranha na sala e aproveitei para usar o toalete já que pelo menos aqui eu não me atrasaria para a reunião. – Vejo-a vermelha e envergonhada pela minha resposta e pelos olhares risonhos dos outros funcionários da empresa.
- então vamos parar com isso meninas, vamos dar continuidade ao que viemos fazer aqui. – Fidgins  corta a sensação de constrangimento para com Brigitte e fala se dirigindo ao seu assento.
A reunião começa e todos estamos já sentados, eu estou no meu computador tomando ata de tudo o que está sendo discutido e enquanto eles conversão sobre uma ideia aumentar a visibilidade externa da empresa fico pensativa mexendo e cacheando os tufos de cabelo da minha nuca, quando percebo que a parte traseira da minha tiara, onde tem o fundo falso para o cartão de memória, está vazia, fico um pouco assustada e preocupada, com medo de alguém perceber o cartão, olho para o computador do Fidgins, mas ele não percebeu ainda, espero que nem perceba, mas por precaução, me levanto do meu assento e vou até atrás dele de seu assento, onde ficam as janelas, abro-as disfarçando o meu verdadeiro objetivo que é pegar o meu cartão de volta.
Ele olha para mim e percebe que apesar d’eu estar virada para a janela estou olhando para seu computador.
- Está tudo bem Samanta? – Ele interrompe a discussão e faz todos prestarem atenção em mim.
- Perdoe-me chef, eu distraí um pouco e perdi o nome do ultimo programa que nós vamos comprar, eu estava tentando disfarçar abrindo a janela para ler suas anotações, mas pelo jeito o senhor é bem mais perspicaz do que eu. – Faço cara de envergonhada, mas na verdade estou aliviada de ter pensado em algo tão rápido para responder.
- Claro isso acontece com todos, pode tomar nota aqui do meu computador e voltar para seu lugar. – Ele é bem discreto e com isso dá sequencia a reunião.
- Me desculpe chef, mas devo alertar a Samanta que isso também tem nome, desatenção. – Brigitte fala com um tom de arrogância de quem ganhou alcançou uma vingança de infância.
- Obrigado Brigitte por acrescentar mais uma palavra ao meu vasto vocabulário. – Dou-me por vencida, pois essa não é minha missão.
Debruço-me ao computador do chef e finjo ler o que ele escreveu, passo o mouse sobre seu texto e sem que ele perceba pego o cartão de memória e volto ao meu lugar, finjo ajeitar meu cabelo, colocando o cartão na tiara e torno a digitar qualquer coisa.
Essa reunião dura por um bom tempo, e quando acaba eu vou direto para meu quarto de hotel para poder ler com calma os arquivos que pude pegar do computador do Fidgins. Leio-os calmamente e percebo que nada é de grande relevância, nada além de uma informação que pode me render muitas pistas, tenho as fichas completas de todos os funcionários que estão na conferência e um deles o gerente de tecnologia, ele não parece muito importante, só preciso dos acessos dele para poder descobrir mais coisas sobre Frederik. Esse homem que eu preciso é muito previsível, noivo há três meses, branco, temperamento controlado, pontual e amigo íntimo Frederik e Fidgins. “Hum, o caso está começando a ficar interessante.”
Obtendo as informações de que preciso, começo a arrumar minhas malas para voltar a Londres e encontra-me com Herivelto. Encaminho-me com todos a estação de trem, mas quando eu percebo que meu novo alvo está no mesmo trem que eu começo a caçada.
Enrolo um pouco para entrar no trem e quando finalmente entro, estão quase todas as cabines lotadas e como eu percebi, observando esse homem, ele é bem tarado, então vou direto a cabine dele.
- Com licença, algum paspalho sentou-se em meu lugar e se reusa a sair e como as outras cabines estão cheia eu posso me sentar aqui com você – Digo a ele sensualmente, me sinto fazendo um filme pornô.
- Claro, sem problemas. – Ele consente sorrindo.
- Meu nome é Samanta Pinheiro, sou do financeiro e trabalho na cede da Califórnia. – estendo a mão para cumprimenta-lo.
- Patrick Spencer, gerente da inteligência tecnológica do polo B. – Ele consente e me cumprimenta com um aperto de mão fraco.
Começo a puxar uns assuntos aleatórios e ele vai cada vez mais caindo na minha armadilha, então começamos a beber, ele vai ficando cada vez mais solto e acaba me beijando, ele pede desculpas e fala que nunca traiu a noiva, eu me desculpo também e digo que nunca traí o meu namorado, “ Invento um namorado só para já com essa colocar Herivelto na jogada, tenho certeza que ele futuramente vai me agradecer.”, mas eu não posso deixar escapar essa oportunidade, fecho as persianas, tiro a camiseta e começo a beija-lo. Depois do beijo nós começamos a transar, foi rápido e nem foi bom, tive que fingir um orgasmo e foi a pior atuação da minha vida.
Chegando próximo á estação de Londres eu me visto novamente e falo para ele fingir que nada aconteceu, mas pela preocupação que ele exerce sei que não vai esquecer nunca aquele acontecido, vejo que ele comeu a isca toda e pedia mais.
Logo que chego há estação vou há rua, entro em um taxi e vou direto ao palácio, encontro Herivelto de pé, em frente ao palácio só abro a porta do carro e grito “Entra logo, o taxi aqui é caro.” E ele entende que é para entrar. Nós não trocamos uma palavra, ele está com um rosto bem sério, vestindo uma roupa singularmente desconexa a moda, usando um cachecol preto sobre uma camiseta amarela esverdeada, uma calça jeans azul clara e surrada, coturnos pretos e uma pasta cor de areia, nas mãos ele está com luvas de couro preto e segurando um smartphone cujo está me passando algo, deve ser o relatório.
Ao chegarmos em nosso destino que é um bar próximo ao hotel onde estamos hospedados, pago o motorista, agradeço e saio, Herivelto também, nos sentamos no bar e começamos a conversar em português que é mais seguro e mais fácil para ambos compreendermos, já que eu sou meio brasileira. Explico a ele o que fiz até agora e o porquê eu demorei tanto para obter tão poucas informações. “Ele eu sei que me compreende, pois ele passa pela mesma coisa que eu.”
Sem muita conversa, vamos para o hotel, abrimos estadia e alugamos um quarto, subimos, nos trocamos e vamos para a exposição de quadros de um brasileiro onde eu tenho certeza de que vou encontrar com Patrick.
Ao chegarmos no local, fico sentada em um banco olhando para o mar na mesma rua do prédio onde meu alvo está. Herivelto esta me vigiando de longe, eu estou de tocaia fingindo que estou esperando alguém, na verdade estou esperando meu alvo sair do prédio, “espero que ele saia antes de sua noiva para que eu possa beija-lo e faze-lo terminar o noivado deixando-o somente como meu cumplice na investigação”.
Depois de um tempo esperando ele aparece, ele fica olhando a lua e antes que eu precise me levantar do meu lugar ele se vira e me vê, vem ao meu encontro e me beija na frente de qualquer um, logo que começamos a nos beijar Herivelto aparece para forjar um escândalo, atraindo a noiva de Patrick junto do pintor. Havendo aqui uma ceninha sobre um corno revoltado que bate em Patrick e vai consolar a ex-noiva dele.
Fico aqui com Patrick dentado no chão depois de apanhar de Herivelto, permaneço sobre o corpo dele estirado no chão, fico pensando o que vou fazer agora, as coisas de Herivelto estão no meu quarto, não posso leva-lo para lá, não sei o que Patrick vai fazer, devo agir como uma mulher frágil e dar impressão a ele de que ele pode me manipular sendo que quem vai manipula-lo serei eu.
Levanto-o e levo-o até o banco cujo eu estava sentada.
- Aliás, belo vestido. – Apesar dele estar ainda um pouco sensibilizado por tudo o que aconteceu já está voltando a si.
- Obrigada. – Tento não parecer tão volúvel, mas não dá para disfarçar. – E então, o que vamos fazer agora? Meu namorado me deixou e a sua noiva lhe deixou... – Dou uma abertura para que ele chore as mágoas e encontre o consolo em mim. Ele respira fundo.
- Não é o fim, não se preocupe, temos bons empregos e nos gostamos certo? – Consinto com a cabeça. – Então vamos de carro na minha casa só para eu pegar umas coisas e se quiser vamos até onde você mora com seu ex para pegar umas coisas e morarmos juntos, certo? – Ele parece estar tentando me consolar enquanto sou eu quem estou manipulando-o para conseguir o que preciso. Abraço-o forçando um choro cinematográfico.
- O que seria de mim sem você, muito obrigada por tudo. – Olho em seus olhos e beijo-o.
Saímos aqui e vamos há nossas casas, pegamos o essencial e vamos ao apartamento que ele vai alugar para nós. Passamos por uns momentos de volúpia e logo ele pega no sono. Enquanto fico olhando-o dormindo penso comigo mesma que a armadilha está montada, a presa já está na armadilha e está feliz em estar preso em meu cativeiro, está tudo em minhas mãos, mas eu não sei se de fato quero continuar com isso. Mas logo lembro-me do que meu chef falou comigo pelo telefone, “Eva, não fuja do seu objetivo.”, imagino que ele estava falando desse momento. Recomponho-me, levanto ainda nua da cama e vou mexer no computador de Patrick.
Ligo-o, não tem senha, vou procurando alguns arquivos, encontro algumas senhas salvas, deixo o arquivo com as senhas aberto, depois de uma certa procura encontra uns arquivos bem pesados com bloqueio de senha, eu utilizo as que tem no programa de texto sobre senhas, mas nenhuma delas serve, então eu uso as iniciais de cada senha e abre.
“O meu Deus! Eu nunca iria imaginar encontrar isso aqui, são fotos de várias crianças nuas, violentadas e em situações sexuais, é horroroso e nojento, é doentio e pavoroso, algumas dessas crianças eu mesma encontrei o corpo e prendi o culpado, mas nunca iria imaginar encontrar alguém envolvido com isso aqui em Londres.”
Tento me recompor e continuar procurando informações e consigo, encontro o que estou procurando, tenho os nomes e tudo o que meu cliente está pedindo sobre o assassinato de Nataliano Carneiro, salvo tudo em meu cartão de memória escondido ainda na tiara e salvo também essas fotos, até que “esbarro” por uns programas sobre casos de pedofilia, quadrilhas de pedófilos e desaparecimento de crianças, eu salvo o arquivo, tiro o cartão e vou para meu quarto de hotel antigo, pego tudo o que é meu, fecho a hospedagem e vou para outro hotel.
Quando já estou no meu novo quarto terminando de redigir o relatório da minha missão para mandar ao meu chef eu decido ver o arquivo sobre as crianças desaparecidas que também peguei.  “O meu Deus! Uma dessas crianças é a minha irmã mais nova desaparecida há dez anos.” Com lágrima nos olhos, uma fúria que lateja meu rosto e faz meu sangue ferver e uma cede de vingança no coração abro o arquivo que fala sobre as quadrilhas, “Minha nossa, não só meu alvo, como os componentes da empresa onde estou trabalhando de fachada fazem parte, mas não é só isso, o Nataliano, o alfa do meu cliente, também estava nessa quadrilha.”
Desnorteada fecho de qualquer jeito o computador e vou para a sacada do quarto do hotel de luxo que estou hospedada. Que ódio, não era para ser difícil, mas agora a vingança será há meu modo!
E que a caçada comesse!

A saga dos olhos verdes * Traição

Já estou no trem para Londres a alguns minutos olhando pela janela quando uma mulher de pele branca e cabelos negros pede para dividir a cabine comigo, ela explica que já estão todas lotadas e é claro que eu permito a entrada dela. Primeiro que tenho certeza de tela visto na conferência e segundo que ela é linda. Ela arruma a mala no bagageiro da cabine e se senta de frente para mim. Discretamente encarando-a percebo que está vestindo uma camiseta amarela que me permite ver o seu sutiã roxo e de renda preta, veste também uma calça jeans surrada e igualmente apertada, me permitindo descobrir que a sua lingerie é um conjunto.
Ela puxa assunto sobre a conferência, mas não nos prolongamos nisso, pois lá foi um saco. Ela se apresenta como “Samanta Pinheiro, financeiro”, pelo seu sotaque ela me permite perceber que é californiana, eu estendo minha mão para cumprimenta-la e me apresento como “Patrick Spencer, gerente da inteligência tecnológica do polo B”. Nós conversamos por muito tempo e sobre muitas coisas.
Não sei o que me deu na cabeça, mas depois de umas bebidas e outras que nos foram servidas aqui na cabine, nós nos beijamos. A primeira impressão é que fico um pouco arrependido, pois nunca havia traído minha noiva Elena e agora traio com uma estranha. Ela se desculpa e explica que está namorando e que nunca iria querer trai-lo, mas depois de três meses sem vê-lo estava precisando de um calor de homem. Eu falei que a compreendia e que só havia ficado apenas uma semana sem minha noiva e já estava necessitado. Isso foi o suficiente.
Ela se levanta sem hesitar ou falar algo, vai até a porta da cabine e abaixa à persiana, tira a camiseta e senta-se no meu colo e fecha a persiana da janela beijando-me. Passamos aqui algumas horas de orgasmos, gemidos, arranhões e puro prazer, nos deleitando com o gozo da vitalidade de nossa alma.
Após umas horas de prazer, ficamos sentados por um certo tempo em conchinha, ela no meu colo e escorando na parede, só conversando, após tantas posições em tão pouco espaço ficamos cansados. Eu percebo uma tatuagem atrás do seu ombro esquerdo, é a deusa da justiça, na mão direita uma pistola Colt 45 e com a mesma mão apoiando contra o peito uma bíblia, na mão esquerda segurando uma balança de prata, com os olhos vendados, vestindo uma toga que lhe despia um dos seios e usando um broche que é um distintivo policial, mas êxito em perguntar se há algum significado para a tatuagem.
Depois de alguns minutos naquela posição, já olhando para a paisagem lá fora, ela se levanta e veste-se, pois já estamos chegando à estação.
Ao chegarmos saímos do trem, fingimos que não nos conhecemos, apesar de ainda conseguir sentir sua boca aveludada na minha e seu cabelo de seda negra em minhas mãos.
Vou ao encontro de Elena e finjo que nada de mais aconteceu, vejo-a um pouco chocada e me preocupo, limpo sua lágrima no rosto e pergunto o que aconteceu, “Nada.” ela me responde boquiaberta , deve não ter sido nada mesmo, então levo-a em casa para nos  arrumarmos e no caminho vou contando algumas coisas da viagem, ela parece um pouco distraídas, mas super interessada na viagem. Bem típico dela mesmo.
Ao estarmos prontos e entrarmos no carro para irmos a uma exposição cultuadíssima de um pintor brasileiro, pergunto-a novamente o que a deixou distraída daquele jeito, ela diz que foi uma reportagem que viu no telejornal mais cedo, “falava sobre umas guerras urbanas na cidade de minhaa família no Brasil e me deixou preocupada”. Confio nela, ela nunca foi uma boa mentirosa e estou sem Tv há uma semana, deve ser isso mesmo.
Ao chegarmos à exposição vou procurar o tal artista e tenho muita dificuldade pois ele é singularmente brasileiro, falo com ele em um português quase ativo, ele pareceu aliviado por não conversarmos em inglês, logo ele vai falar com Elena.
Eu aproveito para sair um pouco e respirar esse ar gelado do inverno britânico. Quando estou prestes a entrar novamente olho para a outra rua e vejo Samanta em um banco, sentada, sozinha.  Não hesito, esqueço-me de tudo e vou a seu encontro, ela sorri e fala da coincidência de nos encontrarmos aqui, eu pego em sua mão e levo-a para o lado do prédio onde está sendo a exposição do brasileiro Heitor Severo Carneiro e a beijei loucamente, no primeiro beijo ela hesitou, mas depois d’eu pegar em seu cabelo, enrola-lo em meu punho e puxar sua cabeça para traz beijando seu pescoço ela cedeu e nossos beijos consecutivos são tão ardentes que até a neve derrete antes de tocar os nossos corpos em tamanho frenesi de paixão.
Em meio a muitos beijos ouço um barulho de vidro se estilhaçando, é a taça de Elena que se quebra tocando o chão ao encontrar-me beijando Samanta. Ao vê-la com aquela cara de desespero eu larguei Samanta e fui direto em sua direção, ouvi um homem gritando com Samanta, mas ignorei e fui desculpar-me com minha noiva.
Eu estou no meio dessa confusão e sem perceber começo a culpa-la pela minha traição, culpei a única vítima. Ao  ver aquela lágrima escorrer de seu rosto percebi, “é a mesma lágrima da estação, ela me viu”, logo desculpei-me e contei que havia transado com outra e que aceitava o que ela falasse. Ela simplesmente, ao lado do pintor, chorando, deu-me um tapa, “esse é o fim de algo que sequer deveria ter começado Patrick”, ela joga em meu peito a aliança da minha avó e entra no prédio batendo pé e a porta, vou atrás dela, mas Heitor não deixa. Começo a gritar com o menino, “quem você pensa que é ...” e logo um homem moreno e de olhos verdes me pega pelo braço e me pergunta com calma e lágrima nos olhos, “ Foi você que transou com a minha Sam?”, eu tento me explicar mas antes de terminar ele me dá um soco que me derruba ao chão.
- Isso é pela minha namorada. – Em seguida ele chuta minha virilha com força. – E isso é pela sua noiva.
Antes dele mi virar as costas Sam lança-se sobre meu corpo que se contorce de dores na rua vazia e coberta de neve fofa.
- Sam, não precisa nem me procurar – Ele gesticula demostrando um misto de confusão, ira, desgosto e decepção. E logo entra no prédio. O pintor entra atrás dele, mas antes disso lança-me um olhar de desapontamento.
Apesar de Samanta estar sobre meu corpo ainda deitado no chão e estar me consolando, fico aqui, deitado, olhando para o fim da rua, o meio fio que delimita no meu horizonte a terra firme da água gélida. Fico aqui, deitado, revendo o que errei, qual pedra do meu tabuleiro de xadrez da vida que mexi errado. Acho que eu tentei comer uma rainha, jogada de mestre, mas acabei levando um xeque-mate pela torre, pelo bispo, um peão e um cavalo, um belo garanhão de olhos verdes.
É, pelo visto é xeque-mate, mas como a luz da lua e os flocos de neve no meu rosto percebi, é hora de reiniciar o jogo e serei as peças brancas.
“Peão ‘D 7’ para ‘D 5’. O jogo começou, prepare-se!”

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A saga dos olhos verdes * Visão de artista



 Estamos a caminho em direção a estação de Londres, deixo-os andando e conversando na frente enquanto estou acompanhando bem a traz, chutando a neve da calçada e vendo o movimento indiferente dos britânicos na rua.. É como se fossem robôs, os movimentos, as ações e expressões são mecânicas e frias como as de bonecos, como de robôs.

Ao chegarmos à estação Thiago pergunta, bem alto para todos da turma, qual café vão pedir, já Hiago vem ao meu encontro e me pergunta pessoalmente, nossa troca de informações é similar a uma confissão.
- Irmão, o que vai querer? – Grita Thiago para mim, logo faço cara feia.
- Ele pediu um frappuccino duplo sem chocolate e com pouco chantilly. – Responde Hiago em tom moderado ao seu gêmeo.
Na cafeteria da estação fico olhando para o movimento das pessoas e de certa forma me isolo.
- É bem diferente do Brasil não é? – Isis se dirige a mim sentada ao meu lado. Nem havia percebido que ela estava sentada aqui.
- Pois é, aqui eles são tão frios com seus horários e regras excessivas. No Brasil somos mais, mais...
- Brasileiros? – Ela me interrompe rindo.
- É, exatamente. – Continuo com meu clima pesado.
 Ela percebe que nosso assunto acabou aqui e começa a observar meus irmãos.
- Você são tão diferentes não é? – ela fala comigo ainda olhando para eles.
- O que? – Desatento pergunto.
- Vocês, são muito diferentes. Thiago é todo elétrico, enérgico e ligado no 220, já Hiago é todo quieto, simples, sucinto e você é todo meio... – Ela hesita.
- Obscuro? – Falo sem olha-la mas percebo que sua reação é fitar-me imediatamente.
- Mas na sua! – Com tom de repressão.
- Pode falar, eu sei, eu sou o problemático, o doente, o estranho e eles são os gênios inovadores. Enquanto eles estudam publicidade e direito eu estudo artes e exponho minhas obras sinistras por aí. Mamãe sempre fala que eu sou o erro, sempre fui. Isis, não se engane, todos acham isso.
- Você não é o erro, você é outro gênio, só que incompreendido e não se esqueça, se não fosse por você nós não estaríamos aqui se lembra disso?
- É, mas você já esqueceu pelo jeito que era para serem só dois gêmeos e que também estamos aqui pela conferência de Hiago com o parlamento britânico. – Sou irônico e ríspido.
Amor o que vocês estão fuxicando aí? – Chega Thiago abraçando Isis e beijando-a. Pego furioso meu café e me sento de frente para o trem e de contas para a cafeteria.
Ao me acalmar mais e colocar meus pensamentos no lugar percebo algo estranho acontecendo próximo aos trilhos, um casal de brasileiros conversando em português. Fico observando-os mas é uma conversa breve, ele se vai, é um homem moreno e bonito, mas antes de sair ele para na porta da estação e acena para a moça sorrindo, não olho-a, mas sei que é para ela, é chocante ver como se contrasta nele os olhos verdes e o sorriso branquíssimo, ele sai e enquanto ele some na nevasca ela fica lá imóvel, aparenta passar mau e parece que é culpa dele, ela parece uma estátua de mármore de tamanha brancura e dureza, aparenta sequer ter sangue correndo nas veias. Eu cheguei até levantar-me para ver se ela precisava de ajuda, mas logo chegou outro homem, esse branco com as bochechas rosadas e com roupas bem extravagantes, ele a beija e levou-a para rua.
Fico preocupado com a mulher, ela parecia como que sem norte, apavorada e muito confusa. O que será que eles conversaram?
Logo chega nosso trem e nós entramos, sento-me bem longe de Thiago e meu irmão senta-se ao meu lado deixando os três demais brincando e zombando sós.
- o que foi? Nervoso com a estreia? – Fala ele calmamente tentando disfarçar.
- Hí, você sabe o que é. O Thiago me tira do sério. – Desabafo.
- Fica um pouco tranquilo, essa é sua noite, não deixe nada nem ninguém estragar isso, nem nosso irmão gêmeo do mal, nem ninguém. – Ele brinca me cutucando com o cotovelo e eu rio. Ele sempre acalma com esse jeito protetor, apesar de termos a mesma idade.
Ao chegarmos em nossa estação descemos, caminhamos eu e Hiago em silêncio, vendo os outros na frente brincando como chimpanzés loucos. Chegando á galeria eu sou apresentado pelo anfitrião e dono da exposição, logo vem umas pessoas me cumprimentarem.
Enquanto estou olhando um dos meus quadros e vendo o que deveria melhorar, vem um homem conversar comigo. É o mesmo homem branco da estação de trem, ele me apresenta sua noiva Elena que é brasileira e é uma grande fã do meu trabalho. Ele arranha um português precário, mas compreendo o que ele diz. Vou falar com a moça.
Ao me apresentar, percebo que ela ainda está um pouco desnorteada. Pergunto sobre o homem moreno da estação e ela logo se espanta, fica com medo do noivo Patrick me ouvir e me explica, quase sussurrando, que já sonhou com aquele homem, mas nunca havia imaginado que ele existiria de fato e que a deixaria daquele jeito quando ela o visse.
Ao decorrer de nossa conversa que já tornou o ruma da arte e está em clima descontraído, acompanhado de um bom champanhe, a pergunto por Patrick e vamos procura-lo.
O achamos na esquina da rua da exposição, ele está beijando outra mulher de cabelos negros e vestido azul escuro. Elena fica pálida como antes, mas não por ver seu noivo a traindo, mas sim por ver o moreno de olhos verdes do outro lado gritando com a mulher de azul.
Elena nem percebe que seu noivo está se explicando, ela está tão sem reação quanto na estação de trem, ela derrama uma lágrima e parece que naquela gota d’água o mundo para. Nem a neve, nem a noite, nem eu ao seu lado, nada faz acorda-la.
Eu simplesmente não sei o que está acontecendo, só sei que preciso descobrir que é esse moreno de olhos verdes, qual a relação dele com a mulher de vestido azul escuro e Elena e porquê ele causa essa reação louca em nela.
A questão é: Eis a tela esboçada, só falta eu desbotar a cor.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A saga dos olhos verdes * Moreno dejavu




De certa forma foi engraçado, foi interessante, foi lindo. Sabe aqueles dejavus que de vez em quando, todos, temos. Aquele sentimento de “já vivi essa cena, nesse mesmo lugar, com essas mesmas pessoas”? Não sabe? Pois bem, é meio isso que estou sentindo desde que entrei nessa estação de trem.
O relógio da estação já badalou as 20:00 horas e Petrick ainda não apareceu, estou começando a ficar preocupada com ele, ele deveria ter chagado a uns quinze minutos.
Sinto uma mão tocar em meu ombro e me viro bruscamente com esperança de ser ele. Me deparo com um par de olhos verdes que logicamente não são do meu noivo.
- Desculpe-me, mas percebi que você é brasileira e gostaria de saber se você pode me ajudar a chegar ao Palácio Buckingham, é que eu estou meio perdido e eles só falam um inglês enrolado. – Um grande sorriso branco e meio constrangido se espalha pelo rosto moreno do homem estranho.
- Ah sim. É só você sair por essa porta aqui e ... – Oriento-o ainda meio abalada com sua beleza. Enquanto ele parece tomar nota eu tento respirar, mas o ar parece fugir de mim.
- Muito obrigado. – Ele sorri e segue pela estação.
Nossa que homem é aquele, eu tenho certeza de já tê-lo visto no Brasil. E mesmo que não, tenho certeza de já ter sonhado, pelo menos, umas 300 vezes com ele.
Com esse mesmo sorriso largo, esse s coturnos preto sujos de contrastantemente branca, com aquele jeans surrado, a camiseta verde amarelada e até com aquele cachecol preto cheio de neve fofa. Mas eu tenho certeza que conheço em qualquer lugar aquela pasta da Hugo Boss cor de areia e aqueles olhos verdes destacados no rosto moreno, que só há no Brasil, o cabelo raspado, as sobrancelhas desenhadas por Deus e aquele sorriso perfeitamente alinhado e branco a laser.
Eu sei que conheço esse Apolo, esse tudo, meu tudo. A cada instante que tento desvendar esse mistério sinto como que minha vida deixasse meu corpo. É quase orgásmico. É mítico, é épico.
Ele dá uma olhada para traz antes de atravessar a porta, sorrio e aceno com a mão. Não consigo esconder o desespero por não saber quem ele é  e derramo uma lágrima gélida como os flocos de neve que caem lá fora. Fico parada como uma estátua enquanto o vejo andando pela rua na negritude da noite sendo contrastada pela luz dos postes e da brancura da neve.
Enquanto ele some no Horizonte sinto como se todo meu sangue esvaísse do meu corpo.
- Amor tudo bem? – Petrick ao meu lado enxuga minha lágrima e com a mão em meu ombro me indaga.
- Tudo, lindo. Claro! – Apesar de saber que minha vida poderia dar uma reviravolta a partir daquele momento, eu hesitei em assumir a verdade.
- Parece que você viu um fantasma. – Ele realmente parece preocupado, mas novamente hesito fazendo não com a cabeça.
- Meio que isso... – Murmuro quase inaudivelmente. Ele não me ouve, me beija a boca de leve e começa a balbuciar as coisas da viagem dele. Mas não dou a menor atenção.
Estamos andando em direção a algum lugar, mas nem presto atenção, a única coisa em que consigo pensar é naquele homem moreno dos olhos contrastantemente verdes. Solto mais uma lágrima e sinto a neve enxuga-la.
- Destino que brincadeira é essa? O que guardas para mim? – Pergunto em pensamento e deixo-o fugir nos ventos uivantes da noite escura da cidade de Londres.

A saga dos olhos verdes

A partir de agora tenho que publicar um conto por dia cujo será a inspiração do meu futuro livro.
A saga é de quatro contos. Cada conto um narrador, cada narrador em primeira pessoa com sua própria história pessoal.
Quatro pessoas, quatro pontos de vista. Uma situação, um par de olhos verdes.
Cada conto um ponto de vista.
Bom apetite literário!

Novidades:
Essa será a primeira vez que eu vou escrever com o narrador sendo mulher.
Boa sorte leitor!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O marinheiro e o veludo negro



Ainda estava no navio quando recebi a carta dela, que exprimia aflição, saudade e dor, com um toque de paixão e perfume de flores cor de rosa. A carta dizia claramente para eu encontrá-la no quarto 16 do hotel da Rua do Ouvidor.
Fui direto ao barbeiro, depois ao alfaiate, banhei-me de perfume e enfim ao seu encontro.
Ao chegar à porta estava entre aberta, eu bati e ela terminou de abrir. Entrei cautelosamente e a vi em um vestido de seda branca e transparente, que lhe dei no nosso primeiro aniversário de casamento, estava escorada na janela.
Ela olhou para traz, dentro de meus olhos, mas não sorri, eu percebi um pouco de alívio em seu olhar, mas nada ela expressou. Eu sorrio e a abraço com força, então quando ela sorri e derrama uma lágrima, mas logo enxuga.
- Senti muito sua falta, não sabe o quanto.
- Também senti muito a sua, parecia que essa viagem nunca ia acabar. – Puxo-a para minha frente e pego seu rosto envolvendo-o com minhas mãos. – Mas agora estou aqui, pode ficar tranquila. – Puxo seu rosto e colo no meu em um beijo ardente que parece queimar nossas roupas em chamar envolventes e intensas.
Passamos aquela tarde e a noite toda nos amando com intensidade, nosso entrelaçar de pernas e língua parecia não ter fim e nem queria que o tivesse. Seus gemidos eram mais intensos do que eu me lembrava, mas sua feição não era de paixão e sim de cansaço. Seus cachos se entrelaçam em grande intensidade em minha mão direita formando puxões de cabelo para que minha boca alcance seu dorso.
Sua pele é aveludada e suas bochechas são rosadas, seu sorriso é inocente e triste, seu corpo e jovem e quase virginal, é minha madona.
Após longas horas intermináveis de puro amor, prazer e paixão, que parecerão passar em um pulsar de nossos corações, ela deita a cabeça em meu peito largo e brincando com meus poucos pelos da barrica e expressa uma súbita tristeza, quase uma expressão sem vida.
- Camila, o que você tem? – Perguntei, pois saiba em meu intimo que não era cansaço de nossa noite de luxúria. Parecia uma criança deitada no colo de seu pai esperando a morte da peste negra vir buscá-la. Mas a resposta pareceu perder-se na penumbra do lampião e no silencio da noite.
- Camila, o que foi? – Pergunto segurando sua mão que fazia círculos em meus pelos.
- Só estou preocupada com mamãe, ela está muito doente. – Ela escapou sua mão da minha e continuou fazendo os círculos. Eu sabia que não era essa a resposta que ela queria dar, mas preferi não discutir.
- Quer conversar? – Precisava ajudar minha mulher, eu sei apesar de cansado eu sento em meu coração uma inquietação forte.
- Durma, eu vou beber uma água e já volto. – Sua fala parece agitada, mas eu não me importo muito. Ela se levanta, me dá um beijo leve e vai ao banheiro.
Antes de perceber eu já estou em sono profundo, só consigo por relance, olhar o corpo nu moreno aveludado e com curvas perfeitas, no beiral da janela, olhando a rua e fumando um cigarro, o lampião está apagado, mas o sol está nascendo. Volto a dormir sorrindo com aquela imagem em minha mente.
Acordo já com o sol entrando pela janela, parece ser umas nove horas da manhã. Olho para o lado na cama e não vejo minha amada, sento-me ainda nu e sonolento, percebo que o chão está molhado. Esfrego os olhos e olho em direção de onde imagino ser o início do molhado. Para meu pavor é Camila no chão, estirada, com um copo quebrado perto de sua mão direita, é um misto de água e vômito. É uma gosma densa que sai da boca dela, sai com alguns comprimidos inteiros, mas pelo jeito ela já está morta. Recusando-me a aceitar a situação, debruço-me em seu corpo sem vida, sacudo-a bruscamente, vejo seu pulso, vejo se está respirando, mas nada funciona. Faço massagem cardíaca e respiração boca a boca, coisa que aprendi na marinha, mas também, não funciona. Sem saber o que fazer, corro, abro a porta e começo a gritar por socorro no corredor, uma senhora vem ver o que é e grita pois estou nu, volto envolvo-me no lençol onde passei a noite com minha então finada e volto a pedir socorro, logo aparecem alguns bombeiros. Fico olhando de longe, do canto do quarto para ver a o que acontece. Mas minhas esperanças são vans, eles me dão a notícia levando o corpo dela para fazer exames. Incrédulo com tudo sento, no chão e choro como nunca, pareço desfalecer de tantas lágrimas que saem de mim. Meus gemidos, berros e gritos ecoam pela rua vazia e sem vida como meu quarto de hotel. Fico ali até anoitecer que é quando vejo que nada vai mudar os fatos.
Levanto-me, tomo um longo banho e vou até a recepção, pago as diárias e ouço ao fundo alguém me desejar os pêsames. Mas não olho para ver quem foi, vou direto as docas. Falo com o capitão que quero embarcar em qualquer navio aquela noite ainda. Sem saber o que fazer ele me abraça e me encaminha para um navio que carregava café para Portugal.
Os dias se passaram, mas a dor pouco amenizou. Cheguei ao porto de Faro em Portugal e o carteiro parecia me esperar para entregar-me uma carta, endereçada do Brasil.
 Diz a carta com formas cultas e um pouco difícil de compreender que Camila Quaresma estava grávida e se matou tomando drogas de vários tipos fáceis de encontrar em qualquer boticário. Meu sangue pareceu parar de correr pelo corpo, eu não sabia o que fazer, só tremia e chorava. O carteiro, disse simplesmente, “Sinto muito se trouxe notícias tristes.” E virou-me as costas.
Agora não sei como viver com essa notícia e sem saber o “porque”! Assim, minha vida se encontra ao seu Fim.