sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Sonho: Crazy Love Part. II


Os dias passam e nada de diferente acontece. Ela continua com a mesma camisola azul esbranquiçada e eu com o mesmo conjuntinho de calça cinza e de camiseta branca azulada. Fazemos nossos afazeres em silêncio e só nos olhares, sorrimos ás vezes, mas é raro. Estou contando as horas para sair desse buraco e leva-la comigo.
É chegada a hora. Um dos enfermeiros, o mais simpático, me leva para o corte de cabelo e barba da saída. Eles fazem a varredura para ver se há algum dano e se estou machucado ou algo assim, mas estou bem, em perfeito estado e ansioso para sair, sentir o cheiro da grama cortada, sentir o sol queimando meu rosto e principalmente, entrar em casa triunfante.
Assino toda a papelada e saio, na porta encontro Dr. Silvia me esperando para dar o último abraço como paciente e o primeiro como amigo.
- E Jéssica, quanto falta para ela? Ela ficará bem?
- Fique tranquilo, do mesmo jeito que confiou em mim sobre seu romance ela confia em mim para tira-la daqui sã. – Com um sorriso e um abraço ela se despede e os portões se fecham a minhas costas.
Entro no Taxi que me leva rapidamente a casa da minha falecida avó, foi por causa de sua morte que eu fui parar em San Julian. Chegando lá entro com a chave que me deram ainda no hospital. Deixo minhas malas no Hall de entrada, não me lembrava de que a casa era tão linda, subo as escadas, vou a cozinha e olho nos demais cômodos e vejo que precisa de uma boa limpeza.
Pego o telefone para ligar para minha mãe, quem atende é Marta, a empregada, e peço para falar com minha mãe. Ambas ficam muito feliz e no decorrer na conversa com mamãe pergunto por Julho, “Ele faleceu à uns três meses”, dá para sentir a dor em sua voz então evito mais perguntas, ficamos naquele silêncio constrangedor, “Infarto”, foi a única palavra que ela mencionou sobre esse assunto.
- Presumo que esteja precisando de ajuda na limpeza? – Sua voz volta a se alegrar.
- Tudo bem, vou dar um jeitinho e amanhã eu vou ligar para umas equipes virem ajudar no que precisa, já estava planejando isso a muito tempo e quando tudo estiver perfeito eu vou aí lhe buscar para que veja como tudo está lindo. Mas me responde uma coisa, quem está pagando as contas dessa casa?
- Eu pedi para Marta ir aí pegar as contas com minha chave reserva e eu estou pagando até que você consiga um emprego.
- Então, amanhã eu vou resolver tudo no banco e vou pegar as contas que restam aí em casa, vou pagar-lhe o que devo e vou, bem vou resolver minha vida ora. – Com umas risadinhas vamos terminando nossa conversa.
Depois de um bom tempo de limpeza consigo terminar meus objetivos de hoje e adianto os de amanhã indo ao banco. Resolvo algumas papeladas da herança da minha avó e transfiro todo o dinheiro que havia na minha poupança para minha nova conta pessoal. Minha conta é enorme de rica, minha avó me deixou muito bem, ainda não sei o pro que ela não dividiu esse dinheiro com os outros parentes. Antes de voltar para casa passo no mercado e no departamento de transito para resolver a renovação da minha carteira de motorista, pois eu fui internado logo depois de tira-la, pego meu carro que está lá a dois anos e volto para minha nova casa, Arrumo tudo e vou dormir.

É estranho dormir em um lugar tão confortável depois de tanto tempo. Enrosco-me no edredom fofo e durmo com muita dificuldade, mexendo-me muito. Já sabia que no começo seria assim, fui avisado, é muito tempo tomando remédios e para parar assim é muito difícil. Então levanto-me e tomo um comprimido para dormir. Agora sim me sinto cansado.
É solitário aqui, apesar de todos esses operários limpando e concertando, converso com alguns deles e brinco, mas não é a mesma coisa. Entro e tomo um comprimido.
O tempo passa e acabo largando os remédios, não por rebeldia, mas porque já está na hora de largar, sofro um pouco, mas no fim eu consigo.
Conforme o tempo passa minha vida vai mudando, arrumo um emprego bom, recebo bem como editor da revista GQ, terminei a faculdade e estou com outro comportamento e com outro estilo de moda. Minha vida está bem mudada, mas não esqueço Jéssica, sempre que vou me deitar fico pelo menos uns quarenta minutos olhando para as estrelas lembrando de seus lindos olhos azuis.
- Minha amada, como senti saudade. – Sorrio para ela e a mesma retribui com outro sorriso e um abraço forte.
- Demorou, mas valeu a pena esperar por mim... – Com um beijo quente e intenso, o mais intenso que já dei, nós selamos nosso amor.
E assim eu acordo, melado. É nojento pensar no que aconteceu durante meu sono, mas o sonho não deixa de perturbar meu coração. Ajeito-me para o trabalho, o mesmo ritual que tenho nesses dois últimos anos. Chegando à minha sala de trabalho pesquiso sobre ela na internet e consigo uma foto dela antes de ser internada. Ela está linda, com uma saia amarela alaranjada e uma camiseta florida, sentada em um banco e sorrindo para a câmera, ela era modelo, seu cabelo está exatamente como me lembro, seus olhos são menos expressivos e seu sorriso falso, conheço o lugar onde foi tirada a foto, foi no Lago do Central Park, próximo a rua West Dr.

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