Quando acordei ainda com a visão embaçada, olhei
para o céu azul fora da janela e não vi alegria alguma. Levantei-me com
dificuldade e vasculhei a casa vazia. Só encontrei solidão.
Jamais acordastes antes de mim, mas desta vez é
diferente. Você se foi...
Olhei para onde ficava sua cama e não vi nada além de um espaço vazio, sem vida, sem amor. Um tímido, às vezes bruto, amor. Mas ao menos é meu.
Olhei para onde ficava sua cama e não vi nada além de um espaço vazio, sem vida, sem amor. Um tímido, às vezes bruto, amor. Mas ao menos é meu.
Meu silêncio fere ainda mais minha alma, minhas
piadas estão desbotadas e meu sorriso escondeu-se atrás da minha dor. Minhas
lágrimas estão tímidas, mas de vez em quando rolam sem ninguém ver. Como quando
nos separamos na infância. Fui para outra cidade e você ficou. Lembra-se do
suplício que foi? Lembra-se da dor que sentimos? Da saudade? Pois bem, é com um
pouco mais de intensidade que estou sofrendo.
Recorda-se de quando você foi estudar fora e eu
fiquei? Ficamos meses distantes. Não sabes o quanto esse tempo me feriu, mesmo
tendo bastante contato. Mas agora é pior. Estamos muito longe. Você está no
interior de um estado e eu no interior de outro. Cada qual escondido em seu
interior. Escondendo suas saudades, suas lágrimas, suas dores, seus abraços não
dados, seus beijos não deitados, seus elogios não investidos, suas brincadeiras
não lançadas.
Preferi não ir, não quis que minha última lembrança
sua, antes de você se mudar, fosse você indo para a área de embarque. Já vi
essa cena vezes de mais. Preferia que fosse nós nos despedindo em casa. Mas não
consegui que fosse. Pouco me recordo de ontem e esta madrugada. Só me lembro de
você caçoar de mim por estar triste com sua partida, lembro-me de você pisar em
meu colchão e isso me enfurecer, como sempre, e recordo-me vagamente de vê-la
ao corredor as pressas na penumbra da madrugada.
Perdi minha melhor amiga, minha confidente, meu
porto seguro onde nunca me segurei. Pelo contrário né mana... (RS) Agora com
quem irei fazer aquelas piadas infames, com quem jogarei papo fora, quem
perseguirei como uma sombra dentro de casa, com quem verei filmes de terror, ou
me mandará baixar um monte de coisas enquanto converso com meus “NÊGO” na
internet? Quem? Se agora você partiu...
Logo serei eu que partirei se Deus permitir. Mas
mesmo estando longe de casa, não vendo dia após dia onde demos nossos primeiros
passos, nossas primeiras brigas e onde passamos quase toda nossa vida, mesmo
sem ver nossas memórias cravadas nos tijolos de um prédio me recordarei com
dor, saudade e alegria de cada momento que passamos juntos.
Você é minha flor, com muitos espinhos diga-se de
passagem. Você e minha beleza rara, minha joia rara. Minha melhor amiga. Minha
irmã mais velha querida, sempre, sempre e para todo o sempre.
“Carrego seu
coração comigo
Eu carrego no meu coração
Nunca estou sem ele
Onde quer que vá, você vai comigo
E o que quer que faça
Eu faço por você
Não temo meu destino
Você é meu destino meu doce
Eu não quero o mundo por mais belo que seja
Você é meu mundo, minha verdade.
Eis o grande segredo que ninguém sabe.
Aqui está a raiz da raiz
O broto do broto e o céu do céu
De uma árvore chamada VIDA
Que cresce mais que a alma pode esperar ou a mente pode esconder
E esse é o pródigo que mantém as estrelas á distancia
Eu carrego seu coração comigo
Eu o carrego no meu coração.”
Eu carrego no meu coração
Nunca estou sem ele
Onde quer que vá, você vai comigo
E o que quer que faça
Eu faço por você
Não temo meu destino
Você é meu destino meu doce
Eu não quero o mundo por mais belo que seja
Você é meu mundo, minha verdade.
Eis o grande segredo que ninguém sabe.
Aqui está a raiz da raiz
O broto do broto e o céu do céu
De uma árvore chamada VIDA
Que cresce mais que a alma pode esperar ou a mente pode esconder
E esse é o pródigo que mantém as estrelas á distancia
Eu carrego seu coração comigo
Eu o carrego no meu coração.”
E. E. Cummings
Espero que não tenha se
esquecido de minha longínqua promessa de que recitaria esse poema, talvez em
inglês, no dia do seu casamento. Como no filme “In Her Shoes” que me lembra
bastante nós dois. Não pela vida errônea de uma das personagens, mas pelas
brigas, pelas desavenças, pela infância difícil onde nós mesmo éramos nossas
muletas, da nossa união e pelo simples fato de nunca, jamais conseguirmos ficar
brigados, nem por um segundo, nem por um instante de nossas vidas. Por isso
posso dizer sem medo ou dúvida...
“I carry your heart
I carry it in my heart”
I carry it in my heart”




