Voltando para casa depois do meu expediente encontro a porta
aberta, entro com cautela e com procurando minha arma escondida, pego-a na
escrivaninha e vou até a cozinha, onde está com a luz acesa, não há ninguém lá,
o micro-ondas apita pois há um pacote de pipocas, dentro dele, que está pronto.
Escondo-me na dispensa e fico de olho para ver quem é, a pessoa vem se
aproximando e quando vejo, deparo-me com a beleza estonteante de Jéssica, com
seus cabelos loiros enrolados por algum cabeleireiro, com uma calça jeans azul
escura e a mesma camiseta florida da foto que peguei hoje na internet. Saio
vagarosamente da dispensa para não assusta-a e largo a arma na bancada. Com um
sorriso no rosto dela faça uma cara de espanto e derramo uma lágrima, ela corre
e me abraça forte como no sonho.
- Quando você chegou que eu... Quando voc... – Não consigo
se quer terminar minhas frases.
- Eu saí nessa segunda, fiquei na casa da minha mãe para me
preparar para vir aqui, entrei com a chave que você esconde no pratinho da
planta pendurada ao lado da sua porta, sabia que qualquer um vê aquela chave
alí? – Ela está descontraída, diferente do que me lembrava. Ainda estou
embasbacado e não tenho reação. Ela me dá um selinho e pega a pipoca. – Vamos
sentar no sofá e conversar um pouco, só nos situarmos.
- Não. – Ainda estou boquiaberto. – Vamos agora à sua casa
pegar suas coisas, você muda hoje para cá. Não vou viver mais um segundo longe
de você. – Começo a chorar sem expressar sentimento algum. É muitas emoções ao
mesmo tempo. Ela sorri, desliga a tv e dá-me o braço para irmos.
Estou perplexo, mas levo-a até o carro, abro a porta do
carona para ela e saímos de casa trancando-a.
- Você está bem mudado mesmo, percebi já na carta que você
me mandou ainda lá no hospital.
- Não fale daquele lugar. – Interrompo-a com um pouco de
antipatia e grosseria. Percebo que ela não gostou. – Desculpe-me, só não gosto
de lembrar daquele lugar.
- Mas querendo ou não lá é nossa história também. Afinal,
foi lá que nós nos conhecemos e se eu não fosse para lá talvez você ainda
estivesse internado. Preciso continuar enumerando? – Ela está alterada, eu rio
com ela me guiando para sua casa.
- Então, já que você faz tanta questão de falar sobre aquele
lugar, diga-me, porque nos últimos dias em que estive lá você estava tão mau?
- A Dr. Silvia disse que você iria embora logo e me ofereceu
um tratamento experimental, um tratamento doloroso com agulhas eletrodos
choques e uns negócios lá, mas isso não é legal de se falar. Fale-me de seu
novo trabalho. – Ela desconversa com um pouco de receio do seu passado não
muito distante. Percebo isso e mudo de assunto para o meu trabalho como ela
pediu.
Chegando na sua casa ela logo arruma as malas, despede-se da
família sem muitas explicações, convidamos-vos para um jantar depois de amanhã
lá em casa com as duas famílias e eles aceitam. Voltando para casa jogamos suas
malas e vamos jantar fora no Café River sob a ponde do Brooklin na cidade de
Nova York. Geralmente é preciso de reservas, mas sendo quem sou tenho privilégios.
Comemos e conversamos de várias coisas. Voltamos para casa brincando,
conversando e rindo, rindo muito.
Chegando em casa ela ajeita suas coisas em quanto tomo
banho. Estou quase saindo quando ela entra no box, nua, ela me beija e fazemos
amor sob o chuveiro derramando água quente sobre nossos corpos ardendo em
paixão.
Saímos já limpos e visto uma camiseta e uma cueca para
deitar-me ela veste uma lingerie da victoria secret roxa e de renda, ela se
deita de um lado e se cobre com o edredom, eu me deito do outro lado também me
cobrindo com o lençol, nos abraçamos e conversamos um pouco abraçadinhos. Nós
nos beijamos ardentemente e começamos a nos amar de uma forma inusitada para
nós. O entrelaças de dedos e pernas deixam-me tonto, mas isso não dificulta meu
desempenho nem o dela. Por momentos ela parece sufocada e cansada, mas isso não
nos impede que nos amemos até as quatro e quarenta da manhã do outro dia.
Dormimos e acordo sorrindo, arrumo-me para ir trabalhar
deixando-a ainda dormindo, beijo-a e deixo seu dejejum sobre a bancada da
cozinha.
Trabalho com um outro astral, o que contagia a todos e faz
com que me perguntem o que aconteceu, meus colegas de trabalho adoram ouvir
minhas histórias sobre ela e eu adoro as contra.
Saio para almoçar e pela primeira vez vou almoçar em casa,
chegando lá vejo-a preparando o almoço, é uma carne assada.
- Oi amor, por que você não me acordou para fazer seu café,
fiquei com saudade. – Ela é toda carinhosa comigo. Aproximo-me, dou-lhe um
selinho e afrouxo a gravata.
- Me desculpe, você estava dormindo como um anjo e eu não
quis incomodar, mas deixei seu café sobre a bancada, foi o que pude deixar como
presentinho. Também fiquei com saudade amor, aproposito, você já decidiu qual
vai ser o cardápio do jantar de amanhã? – Sento-me a bancada e fico conversando
com ela.
Nossa refeição está fantástica mas tenho que voltar ao
trabalho. Chegando ao trabalho mal posso trabalhar de tão bem que comi, estou
cheio e cansado, mas principalmente, muito, muito feliz.
Meu celular toca.
- Oi amor? – Parece que temos um século de casados pelo tom
que atendo o telefone.
- Estou com uma dor de cabeça que não me deixa se quer
pensar, onde você guarda os remédios?
- Estão em uma maletinha com tampa na despensa do banheiro,
mas dê uma lida na bula por que eu acho que o remédio que tenho aí é muito
forte é para minha cefaleia e, não tenho certeza, mas acho que não pode ser
misturado com outros medicamentos não. Qualquer coisa dá uma ida na farmácia.
- Ah não, eu não quero ter que pagar um taxi para ir a
farmácia no centro da cidade para comprar um remédio. Vou tomar esse mesmo.
- Leia a bula antes Jéssica, pode dar reação.
- Ramon, eu tomo remédios sem parar a três anos, fique
tranquilo, vai ficar tudo bem.
-Beijo e se cuida, qualquer coisa me liga. – Agora estou um
pouco preocupado, mas acho que ela sabe se cuidar.
- Beijo. Te amo. – Ela desliga o telefone.
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