Vejo grandes janelas e por uma sei que consigo escapar desse
pesadelo insano. Escalo uma pilha de cartas para papai Noel e alcanço a janela.
Saindo do forte, vejo uns destroços de prédios, corro e me escondo atrás de uma
parede ainda de pé, como se isso fosse impedir alguém, desse tempo, de fazer
algo contra mim.
Paro e respiro fundo fechado os olhos, quando de repente sou
surpreendido por um homem com roupa futurista, algo que notoriamente parecia
ser feito com um tipo de acrílico, uma armadura ou um exoesqueleto, algo com as
cores laranja e preto. O capacete encolhe dobrando e revelando-me sua dona que
o tira mostrando-me sua feminilidade.
- Sou Cíntia, sou uma das soldadas da Resistência, fui eu
quem te chamei e fico muito feliz de não ter acreditado em tudo que esses
lunáticos te disseram. Bem isso fica implícito pelo fato de você ter tentado
fugir. – Ela parece bem mais extrovertida e simpática que as duas mulheres que
conheci do Forte.
- As cores da resistência são...
- Acho que você tem perguntas muito mais pertinentes a fazer
do que sobre as cores do meu traje não é? – Ela me interrompe rindo.
- Com certeza... – E assim ingressamos em uma conversa que
norteia a nova política e várias coisas sobre esse novo mundo. Ela me descreve
a resistência como um “outro planeta”, algo parecido com uma Terra mais
futurista, do que um planeta fantasma. Ela me explica que os grupos que ainda
vivem, todos tem uma cúpula protetora e que a do forte é uma das melhores, os
meios são arcaicos e duvidosos, mas eficazes, a cúpula da resistência também é boa e nada sutil.
De repente, um estrondo de uma parede próxima a nós,
explodindo, nos desfoca e desnorteia. Ela saca um cilindro preto eu logo vejo
que a culpada pela explosão é uma mulher do forte, eu não a conheço, ela também
segura um cilindro preto e de dentro dele sai uma corrente de energia de coloração
alaranjada, na ponta tem uma clava com espinhos. A estranha mulher meche na
base do cilindro e de sua ponta a corrente se transforma em um chicote elétrico
laranja, com uns raiozinhos azulados e brancos o envolvendo. Ela mira e lança
sobre mim aquele chicote laçando meu tornozelo esquerdo e apertando um botão e
puxando-me ela avança sobre mim uma forte corrente elétrica que me paralisa os
movimentos bruscos, fazendo-me contorcer vagarosamente com dores correndo pelo
meu corpo inteiro que me faz precipitar ao chão. Vejo Cíntia tenta lutar por
mim, mas desesperada ela tem que fugir por que aparecem mais soldados do forte.
Esperneio por ela como uma criança suplicando pela mãe.
Acordo novamente no quarto 27. Saio e volto direto a sala de
jantar. Estou confuso e com medo. Lili insiste para que eu coma e após muita
insistência janto com eles.
As pessoas aqui são estranhas e agem como robôs. Cíntia
explicou-me que muitos são cirados em laboratórios especialmente para a batalha
e outros, desobedientes, tem a personalidade alterada para serem mais fortes, insensíveis
e obedientes. Temo meu futuro aqui.
- Quero tomar um banho. – Sussurro a Lili. A mesma começa a
falar com a estranha mulher em códigos.
- Lili, não quero voltar para aquele quarto, tenho medo de
lá. Posso até dormir aqui num colchão, mas pra lá não volto.
- Verônica, aonde ele vai se lavar? – A mesma não responde e
assim só encara-a.
- Ele está com medo de dormir, imagine se lavar, nu, na
penumbra. Verônica... – Verônica encara-a como quem arquiteta um plano
brilhante, suspira e responde a rebeldia da irmã.
Saio do recinto e sou guiado por um asiático sem expressão.
Ao entrar no quarto sinto-me familiarizado com o local, mas sinto que tenho que
fugir. Tranco-me no banheiro e tiro minha roupa na penumbra. Abro o chuveiro e com
custo a água esquenta, enchendo a banheira.
O medo, o pânico, o frenesi de escapar e o fato deu estar
preso em uma realidade completamente estranha para mim, me enlouquece. Será que
foi isso que deixou muitos deles assim?
Meu sangue ferve, meu corpo estremece e energizado clama
fuga. Mas as questões são:
Como?
Por onde?
Quem são os mocinhos e
os vilões?
... E o mais
importante...
O que fazer agora, nu
no banheiro e esperando o futuro me abraçar...
?

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