Na declaração estava escrito assim:
“ Minha querida amada.
Perdão por deixar-me perder seu amor, perdão por não
conseguir dar valor ao que tinha, mas como se diz o ditado, ‘É se perdendo que
se dá valor.’.
Tive que passar por essa experiência duas vezes, com mulheres
diferentes, para aprender a lição. E agora, juro que não vou deixa-la fugir
mais uma vez por dentre meus dedos.
Eu quero você aos meus braços. Quero você dividindo a cama
comigo. Quero você dividindo a casa com sua enteada e futuramente com um fruto
do nosso próprio amor.
Quero você comigo, para sempre. Para todo o sempre. Até que
a morte nos separe. Até que nós estejamos bem velhinhos e possamos partir juntos,
de mãos dadas como grandes amigos.
Tenho certeza que Lurdes irá nos buscar, porque ela é sua
melhor amiga, (ou acha que nunca escutei você rezando por ela?) Juro que não
choro mais em pensar nela, mas sim choro quando penso em te perder.
Sei que já deixei Lurdes partir e está na hora de abrir meus
braços e rachar minha cara de vergonha pedindo que você volte ao meu abraço.
Vire a folha e responda com o coração aberto e repleto de
sinceridade.
Estou aqui esperando sua resposta, estou ao mesmo lugar de
sempre. Aos teus pés. Minha chefe, minha amiga, minha mulher.”
E finalmente entreguei tudo exatamente as 13:35 e ainda
escrevi bem grande na caixa. “Você sabe que horas são?”
Deixei tudo sobre a mesa dela e disse olhando aos seus
olhos. “Por favor, só leia o relatório primeiro, que você vai entender tudo.”
- Senta aí, antes quero conversar com você. – Sua fisionomia
é calma e cansada.
- Depois do serviço, depois conversamos, estou um pouco
enrolado.
- Mas... – Deixo-a falando sozinha e saio fechando a porta
atrás de mim.
Sento-me a minha mesa e fico observando de rabo de olho,
fingindo que estou trabalhando. Todos do setor sabem o que fiz, exceto ela.
Aos poucos vou vendo-a debulhar-se em lágrimas e entregar-se
me alguns risos chorando. Quando ela finalmente vira o papel ela se joga sobre
a mesa e se acaba de chorar. Ela está se levantando para falar comigo e então,
Henrique, um funcionário amigo nosso,
que está sentado a frente da sua sala gesticula mandando-a abrir a caixa.
Ela volta e abre e tira a caixinha coma s alianças de dentro
da caixa maior. Ela dá pulos de alegria e chora e ri e de repente se abaixa e
escreve algo num papel com uma caneta hidrocor azul. E coloca o papel no vidro
da sala. Está escrito em letras garrafais: “ACEITO”. Eu começo a rir e ela corre até minha
mesa e se joga ao meu colo e nos beijamos como nunca antes havíamos nos beijado.
Todos aplaudem no momento do beijo e gritam e assubiam e
jogam papeis picados. Assumo que essa parte eu não planejei.
E tudo foi filmado. Meu planejamento, minha execução, a
leitura dramática e silenciosa dela e, principalmente, o nosso beijo.
Seu rosto se encheu de vida e seus olhos voltaram a brilhar.
Nossa vida começou a girar a partir daquele momento e hoje temos três filhos,
Evelin, Kaio e Heitor. (Gêmeos, acredita?)

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