quinta-feira, 2 de maio de 2013

Eu, Érica e falecida Lurdes Part. V - Final



Na declaração estava escrito assim:
“ Minha querida amada.
Perdão por deixar-me perder seu amor, perdão por não conseguir dar valor ao que tinha, mas como se diz o ditado, ‘É se perdendo que se dá valor.’.
Tive que passar por essa experiência duas vezes, com mulheres diferentes, para aprender a lição. E agora, juro que não vou deixa-la fugir mais uma vez por dentre meus dedos.
Eu quero você aos meus braços. Quero você dividindo a cama comigo. Quero você dividindo a casa com sua enteada e futuramente com um fruto do nosso próprio amor.
Quero você comigo, para sempre. Para todo o sempre. Até que a morte nos separe. Até que nós estejamos bem velhinhos e possamos partir juntos, de mãos dadas como grandes amigos.
Tenho certeza que Lurdes irá nos buscar, porque ela é sua melhor amiga, (ou acha que nunca escutei você rezando por ela?) Juro que não choro mais em pensar nela, mas sim choro quando penso em te perder.
Sei que já deixei Lurdes partir e está na hora de abrir meus braços e rachar minha cara de vergonha pedindo que você volte ao meu abraço.
Vire a folha e responda com o coração aberto e repleto de sinceridade.
Estou aqui esperando sua resposta, estou ao mesmo lugar de sempre. Aos teus pés. Minha chefe, minha amiga, minha mulher.”
E finalmente entreguei tudo exatamente as 13:35 e ainda escrevi bem grande na caixa. “Você sabe que horas são?”
Deixei tudo sobre a mesa dela e disse olhando aos seus olhos. “Por favor, só leia o relatório primeiro, que você vai entender tudo.”
- Senta aí, antes quero conversar com você. – Sua fisionomia é calma e cansada.
- Depois do serviço, depois conversamos, estou um pouco enrolado.
- Mas... – Deixo-a falando sozinha e saio fechando a porta atrás de mim.
Sento-me a minha mesa e fico observando de rabo de olho, fingindo que estou trabalhando. Todos do setor sabem o que fiz, exceto ela.
Aos poucos vou vendo-a debulhar-se em lágrimas e entregar-se me alguns risos chorando. Quando ela finalmente vira o papel ela se joga sobre a mesa e se acaba de chorar. Ela está se levantando para falar comigo e então, Henrique, um  funcionário amigo nosso, que está sentado a frente da sua sala gesticula mandando-a abrir a caixa.
Ela volta e abre e tira a caixinha coma s alianças de dentro da caixa maior. Ela dá pulos de alegria e chora e ri e de repente se abaixa e escreve algo num papel com uma caneta hidrocor azul. E coloca o papel no vidro da sala. Está escrito em letras garrafais: “ACEITO”. Eu começo a rir e ela corre até minha mesa e se joga ao meu colo e nos beijamos como nunca antes havíamos nos beijado.
Todos aplaudem no momento do beijo e gritam e assubiam e jogam papeis picados. Assumo que essa parte eu não planejei.
E tudo foi filmado. Meu planejamento, minha execução, a leitura dramática e silenciosa  dela e, principalmente, o nosso beijo.
Seu rosto se encheu de vida e seus olhos voltaram a brilhar. Nossa vida começou a girar a partir daquele momento e hoje temos três filhos, Evelin, Kaio e Heitor. (Gêmeos, acredita?)
E o filme do pedido de casamento foi passado no dia da cerimônia e é passado a cada dia que passamos juntos. Passa dentro de nossas mentes e dentro de nossos corações que agora são um. E tenho certeza que Lurdes, agora, que descansa em paz, abençoa nossa união.

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