quinta-feira, 2 de maio de 2013

Eu, Érica e falecida Lurdes Part. II



Chegando ao cemitério eu estaciono o carro e logo entro. O porteiro e o coveiro nem me questionam, já até sabem.
Vou direto até a sepultura de Lurdes, minha falecida esposa. De frente para sua sepultura, segurando uma rosa vermelha fico em silêncio. Fito a foto de seu rosto e passo o olho por sobre o epitáfio.  “Veja as estrelas que ao céu você pode admirar, mas nunca as terá nas mãos, hoje você pode me admirar, fechando os olhos, mas nunca mais me terá aos teus braços.”
“Ela mesma quem escreveu o próprio epitáfio, no início foi uma música, depois se tornou uma história e agora é seu legado.”
- Minha querida esposa, já faz um ano que não venho aqui lhe visitar e mesmo dentre todas as promessas que lhe fiz á nossa última conversa antes de morrer eu não consigo lhe deixar partir de vez. Eu te amo, ainda te amo e sempre te amei. Não consigo lhe esquecer ou se quer te deixar.
Hoje, como sabe é seu aniversário e tive que vir lhe presentear e lhe prestigiar. Sua filha, Evelin, está linda como você era. Ela é sua cara, mas infelizmente não consegue compreender o porque ainda teimo em lembrar de você dentre minha nova vida com Érica.
Perdão por me deitar com outra mulher, eu tentei seguir, mas você é a minha única mulher, não posso pedir a mão de Érica por isso. Se quer consigo tirar minha aliança. Então deixo aqui seu presente de aniversário e vou, vou fingir que tenho uma vida sem você e vou partir de sua nova morada.
Fique com Deus minha amada. – E assim eu beijo a rosa e coloco sobre a lápide, me viro saio. Com lágrimas aos olhos eu entro ao carro, respiro fundo e parto.
Dirijo sem dificuldades até em casa e finalmente posso descansar em paz.
Entro deixo meus sapatos ao canto da porta, vou direto ao quarto do casal e deixo sobre a cama o buquê de rosas vermelhas e minha pasta, afrouxo a gravata e tiro a parte de cima do terno e já penduro ao cabide.

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