De longe eu avisto seus olhos verdes, fico parado observando
para ver se você me encontra. Apesar de estar atenta e procurando algo, você
não me encontra parado ao meio da multidão ao aeroporto.
Finalmente você olha para mim, um medo sobe como frio a espinha.
Você sorri largamente e acena com entusiasmo, eu retribuo o sorriso com
simpatia e aceno calmamente só para mostrar que a vi.
Caminho vagarosamente até você, com calma e concentrado.
Você corre com as malas as mãos e me abraça com força.
- Como eu senti saudades de você meu querido. Não sei como
consegui viver tanto tempo longe de você. Não sei nem expressar o quanto te
amo. – Ela esta quase me enforcando com um abraço esmagador. Sinto sua
respiração forte ao meu pescoço e mal consigo conter minhas lágrimas. Retribuo
o abraço com um singelo cingir a sua cintura. Ela se solta aos poucos e olha-me
aos olhos molhados pela dor. – Está tudo bem amor? O que foi que você está
chorando? – E limpa minhas lágrimas. Sorrio e selo um leve beijo aos seus lábios.
- Quer comer? – Com a voz embargada e um pouco rouco.
- Claro, mas...
- Não fale mais nada. – Gesticulo em negação com a cabeça e
seguro seus lábios com a mão. – Hoje é o nosso dia, que você não se deixe
abater pelo passado, ou se deixe perturbar pelo que ainda há de vir, ou se quer
se aflija com o que aconteceu na sua ausência. Vamos viver nosso amor no agora,
no momento que é real.- Ela tira minha mão dos seus lábios, sorri e beija-me.
Pego as malas e vamos até o estacionamento do Galeão.
Entramos ao carro em silêncio e levo-a até um restaurante bem famoso, aqui
perto mesmo. Estamos prestes a entrar.
- Meu amor, o que estamos fazendo aqui?
- Vamos jantar. – Espontaneamente.
- Mas nesse lugar, com essas roupas... – Dou de ombros.
Entramos com ela ainda estatelada. O maitre, sem que falemos
nada, leva-nos até nossos assentos. Uma mesa de honra. Ele deixa-nos com o
cardápio e deixa-nos a sós. Ela me fita com dureza e não diz nada.
- O que foi? – Dirijo-me com indiferença.
- Pode me explicar?
- Já não está explicado? – E chega o garçom com o vinho
interrompendo-nos em nossa primeira discussão depois da chegada de Dominique.
Ela sorri agradecendo-o e ele se afasta.
- Ernesto, você pode me dizer o que houve? – Ela está um
pouco chateada.
- Vamos esperar pelo menos até a sobremesa.
E jantamos em silêncio, ao som de violinos e um delicado
piano. Um jantar refinado, sob luz de velas e desconfiança.
A sobremesa chega a mesa e ela me olha com fúria.
Não respondo nada.
Ela dá a primeira colherada à sobremesa, que sequer sei
pronunciar o nome. Ao afastar a colher ela percebe um pacotinho plástico que
contem a sua aliança. Ela coloca imediatamente a colher sobre o prato, olha-me
com espanto e pega o pequeno pacote com delicadeza. Ao tirar o anel de dentro
do envelope plástico ela o analisa com cautela e admiração.
- Onde você a encontrou? – Pasma.
- Estava em uma loja de penhores.
- Por que você se deu o trabalho de compra-la novamente? –
Não sei se ela levou como uma afronta ou como um presente. Estou com a mesma
indiferença de quando a encontrei ao aeroporto.
- Por que nosso amor é eterno e eu não gostaria que você se
casa-se comigo sem a aliança que comprei pra você nosso primeiro noivado. –
Seus olhos se enchem de lágrimas, deixa escapar algumas e as enxuga com impiedade. Pego a aliança de sua mão, ajoelho-me e
coloco em seu dedo em silêncio.
Meu silêncio nunca foi tão frio, tão turbulento, tão
fúnebre, ao mesmo tempo romântico e ainda tão significativo.
Ao me levantar eu tomo-a pela mão, levo-a para o jardim,
entramos em uma charrete e vamos até uma casa por uma trilha iluminada por
pequenas lâmpadas espalhadas pelas bordas do caminho. Seus olhos arregalados
pela sua admiração ao todo que foi gerado.

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