sábado, 18 de maio de 2013

A Bela da Serra Part. V - Final

Em um dia qualquer ao meu estúdio, trabalhando, a campainha toca. Sem ânimo levanto para atender e quando estou quase à porta eu ouço meu celular tocar, mas logo para.
- Oi - Marcus está à porta.
- O que foi? - Com cara de cansado atendo-o.
- Quero saber se você pode...
- Não, não posso. Tenho muita coisa para fazer, não tenho tempo. - Interrompo-o com dureza e isso o enrijece. Colocando a cabeça ao lugar ele se dirige novamente a mim.
- Me desculpe, mas preciso que você resolva um problema ao centro cultural Palácio Rio Negro. - Faço cara de insolência.
- Mas agora? - Ele concorda com a cabeça e retribui-me a insolência.
Sobe-me uma gana, mas engulo a seco. Peço para que ele espere, desligo tudo, fecho o estúdio e vejo o que houve com meu celular. Pelo jeito ele descarregou. Deixo-o carregando e vou com raiva. Chegando ao palácio não há nada a se fazer, simplesmente ele me importunou. Logo passo um e-mail mal criado pelo computador de uma amiga que trabalha aqui.
Voltando para o estúdio lembro-me subitamente de Iana. Sua memória nunca esteve tão vívida. Seu sabor, seu cheiro, seu toque, sua pele na minha. Sobe até um calafrio. Mas ignoro e sigo meu caminho.
Chegando ao prédio subo as escadas pensando em sua fisionomia, mas apesar de tentar esquece-la, não consigo.
Quando chego ao meu andar me deparo com ela, de pé, à frente a porta do meu estúdio, tocando a campainha, com malas aos pés e um sorrisinho bobo ao rosto delicado. Logo, sem que ela me veja eu sorrio e imediatamente ela se vira e vê meus olhos. Nossos olhares se cruzam como naquela primeira vez. Você abre um sorriso largo e desfila ao meu encontro. Caminho com calma e beijo-a.
Entramos ao meu estúdio e você admira o trabalho que fiz com suas fotos e com tantas outras.
- E então, o que você fez para me eternizar? - Pergunto subitamente enquanto você bebe uma xíc
ara de café cujo dei. Você me mostra o ombro direito e percebo que dando a volta ao seu braço você tatuou "Costumava saber tudo, mas quando vi seus olhos a chorar eu percebi que não sei nada. Costumava ser Armando, mas descobri que posso ser outro alguém que não conheço. Costumava ser de Manaus, mas começo a sentir como se eu sempre houvesse morado em outro lugar, mas nunca percebi.".
Sorrio com simplicidade ao fato e percebo meus olhos brilharem de amores pela minha Iana, morena, de pele branca, de uma das serras do Rio de Janeiro, que veio me amar à minha terra natal.

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