sábado, 18 de maio de 2013

A Bela da Serra Part. I



Certa vez, passeando por uma cidadezinha aos arredores da grande e bela Rio de Janeiro esbarrei em uma garota intrigante. Cintura fina e corpo esguio. Estatura baixa e cabelos negros como a noite. Pele branca, uma tonalidade normal para os brasileiros. Olhos castanho escuro e um sorriso misterioso.
Ela passou por mim como um trovão rasga o céu, mas conseguiu deixar muito mais que sua impressão sobre minha percepção. Deixou-me seu cheiro, um cheiro doce e sufocante. Era como um enforcamento de tantas emoções que me remetia a ótimos momentos só de sentir aquele delicioso aroma ao meu nariz.
Estava eu a passar pela avenida. Sobre a calçada movimentada, fotografando o caminhar das pessoas, registrando suas feições preocupadas e agitadas. Estava frio, mesmo ao sol.
Quando estava quase à praça mais movimentada da cidade eu esbarrei por ela. Com lágrimas aos olhos, vestindo um casaco/poncho cinza, com uns colares e o cabelo meio esvoaçante.
Ela olhou para mim, abaixou a cabeça e seguiu. Esbarramos os braços e foi quando nosso olhar se cruzou, de fato. Virei-me para reclamar pelo esbarrão e me deparei com aqueles meigos e grandes olhos lac
rimosos. Percebi-a como se houvesse olhado para dentro de minha alma pedindo piedade e eu não disse nada, simplesmente estava em transe com sua beleza.
Ela seguiu seu caminho e deixou em mim seu perfume entranhado. Ainda agora consigo sentir seu perfume doce e sufocantemente saboroso.
Arrumo-me para ir a uma festa e munido apenas do celular e da carteira saio da pousada com um amigo conhecedor da cidade.
- Ah, como gostaria de encontrar com essa garota novamente. - Comento.
- Cara, deixa de ser doido, você só esbarrou com ela, você já quer casar?! - Ironiza. Hesito em responder. - Você ao menos pegou o telefone dela? - Já estamos sentados ao ônibus ao caminho da festa. Não presto muita atenção nele e fico lembrando-me dela, olhando para a chuva a cair ao lado de fora.
- Não. - Balanço a cabeça em sinal de negação juntamente com minhas palavras.
Um silêncio toma conta não só de nós, mas também de toda a cidade. Parece que tudo o que se pode ouvir é a chuva e alguns barulhos da natureza cantando meu amor triste por estar longe do meu amor.

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