sábado, 18 de maio de 2013

A Bela da Serra Part. IV



Dando a hora eu me visto e vou até seu encontro. Chegando a praça, uma pequena praça onde sempre nos encontramos, vejo-a vestindo uma calça jeans azul, com uma regata branca lisa e usando sapatilhas pretas. Munida de sua grande força convencional, uma bolsa e sensualidade de sobra.
- Você é um fotógrafo não? - Pergunta com arrogância. Concordo com a cabeça e com o semblante exteriorizo a confusão mental que estou passando. - Então, que melhor forma há de eternizar-me em você que me transformando em seu trabalho. Transformando seu amor em seu amor que traz dinheiro e sustenta sua vida boêmia?! - Seu sorriso é feroz e irreverente. Retribuo o sorriso.
- Mas não estou preparado com minha câmera. - Logo ela puxa de dentro de sua bols
a uma câmera profissional. Sorrio e tomando de sua mão tiro a primeira foto.
Fotografo-a desfilando ao meu encontro. Fotografo olhando-me. Fotografo, trocando de roupa.
Você ri e me beija.
Fotografo-a com outras roupas. Fotografo-a nua, dentro da pousada. Fotografo-a em mim, em meu coração, em meu ser, em uma só alma.
Jogo a câmera a cama e você fica ultrajada e confusa, mas não diz nada. Seguro com firmeza seu rosto, retiro seu batom com meus dedos e beijo-a loucamente.
No quarto onde passamos inúmeras noites desfrutamos de nossa última tarde juntos com selvageria e luxúria ardente.
Já é noite, estou sonolento. Sinto você se levantar, vejo a luz do banheiro a refletir em meu rosto, mas não consigo reagir. Você me beija e se despede, diz que tem que resolver algo e que me ama. Percebo que você está com um sorriso radiante ao rosto e se vai pela porta.
Ao acordar eu logo me lembro do acontecido ao perceber sua ausência. Respiro fundo, arrumo-me e vou para a rodoviária.
Você está com o telefone desligado e não consigo falar com você. Vou sem me despedir.
Antes de embarcar ao avião para Manaus tento ligar-lhe novamente, mas não há êxito.
Entro ao avião, mas não lhe tiro da cabeça. Seu perfume já não é mais tão vívido ao meu olfato. Seu paladar é bem presente, mas não é a mesma coisa. Seu toque ainda é presente, mas, mesmo assim, ainda falta algo. Falta você.
Os dias passam e os meses também. Volto a minha rotina e você desaparece da minha vida, apesar de jamais conseguir te esquecer. Suas fotos estão espalhadas ao meu estúdio e uma foto nossa juntos está pintada à parede.
Conto os dias para poder voltar a Petrópolis, mas não consigo, o trabalho é muito. Muitos lugares a visitar. Mas nenhum é o mesmo sem você.

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