Pegando a rosa velha
e murcha cor de rosa vou até o quarto de Evelin, bato a porta e abro uma
brecha, ela está ao celular digitando algo. Fico por alguns segundos em
silêncio admirando sua beleza.
- Eu sei que o senhor está aí papai.
- Oi meu amor, tudo bem?
- Calmo como sempre e aê, o senhor quer alguma coisa?
- Quero lhe entregar algo.
- Entra então, a casa é sua afinal. – Ainda sem olhar para
mim.
Entro acendo a luz que estava em penumbra e sento a cama a
sua frente. Tiro a rosa de trás de mim.
- Ah que fofo pai, obrigada. – Ela sorri e me abraça. Eu
retribuo o abraço e seguro-a em um longo e apertado abraço. Beijo sua cabeça e
fico com o queixo apoiado sobre sua cabeça. – O que foi?
- É hoje?
- Você não deveria ter ido lá.
- Como você sabe que eu fui?
- Senti o cheiro e pelo seu jeito.
- Meu amor, eu sei que... – Ela se solta do abraço e me olha
nos olhos.
- Pai, eu é quem sei. Sei que o senhor ainda não aceitou a
morte de mamãe, sei que o senhor só não pediu ainda a mão da Érica por que
ainda, no fundo, espera que ela entre pela porta da frente e lhe dê um forte
abraço. Mas isso nunca vai acontecer.
- Minha filha, você não entende. Meu relacionamento com ela
era diferente do seu.
- Pai, você acha que eu não sinto saudade dela, mas eu
sinto. Você acha que é fácil ouvir todas as amigas falarem de como suas mães
são incríveis, ou são malas, ou as fazem passar vergonha e não poder falar
nada? Você acha que é fácil falar sobre coisas de mulher com uma pessoa que
ainda lhe parece uma colega de classe. Eu preciso da minha mãe. Preciso muito
mais que você. Mas o senhor não entende não é? – Já chorando. – Eu sei o que é
perder um abraço de mãe depois do primeiro recital de balé e você nunca vai
saber disso. – Tento abraça-la, mas ela me rejeita.
- Perdão minha flor, mas eu sei sim como é. – E me levanto
fechando a porta atrás de mim.
- Boa noite amor.
- Oi, e aê, como você está?
- Não melhor que você agora. – E surpreendo-a abraçando sua
cintura por trás e colocando o buquê a frente de seu rosto.
- Que lindo meu amor. – Ela, imediatamente, se vira e me
beija me abraçando com as mãos molhadas. – Vou coloca-las em um vaso, você termina de lavar os legumes para
mim?
- Claro. – Respondo sorrindo.
E o restante da noite é completamente morno. Cozinhamos
juntos, jantamos em família sobre a mesa de jantar e depois vemos um pouco de
tv. Evelin logo sobre para se aprontar para dormir e eu e Érica ficamos
abraçados ao sofá.
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