quinta-feira, 2 de maio de 2013

Eu, Érica e falecida Lurdes Part. III



 Pegando a rosa velha e murcha cor de rosa vou até o quarto de Evelin, bato a porta e abro uma brecha, ela está ao celular digitando algo. Fico por alguns segundos em silêncio admirando sua beleza.
- Eu sei que o senhor está aí papai.
- Oi meu amor, tudo bem?
- Calmo como sempre e aê, o senhor quer alguma coisa?
- Quero lhe entregar algo.
- Entra então, a casa é sua afinal. – Ainda sem olhar para mim.
Entro acendo a luz que estava em penumbra e sento a cama a sua frente. Tiro a rosa de trás de mim.
- Ah que fofo pai, obrigada. – Ela sorri e me abraça. Eu retribuo o abraço e seguro-a em um longo e apertado abraço. Beijo sua cabeça e fico com o queixo apoiado sobre sua cabeça. – O que foi?
- É hoje?
- Você não deveria ter ido lá.
- Como você sabe que eu fui?
- Senti o cheiro e pelo seu jeito.
- Meu amor, eu sei que... – Ela se solta do abraço e me olha nos olhos.
- Pai, eu é quem sei. Sei que o senhor ainda não aceitou a morte de mamãe, sei que o senhor só não pediu ainda a mão da Érica por que ainda, no fundo, espera que ela entre pela porta da frente e lhe dê um forte abraço. Mas isso nunca vai acontecer.
- Minha filha, você não entende. Meu relacionamento com ela era diferente do seu.
- Pai, você acha que eu não sinto saudade dela, mas eu sinto. Você acha que é fácil ouvir todas as amigas falarem de como suas mães são incríveis, ou são malas, ou as fazem passar vergonha e não poder falar nada? Você acha que é fácil falar sobre coisas de mulher com uma pessoa que ainda lhe parece uma colega de classe. Eu preciso da minha mãe. Preciso muito mais que você. Mas o senhor não entende não é? – Já chorando. – Eu sei o que é perder um abraço de mãe depois do primeiro recital de balé e você nunca vai saber disso. – Tento abraça-la, mas ela me rejeita.
- Perdão minha flor, mas eu sei sim como é. – E me levanto fechando a porta atrás de mim.
Volto até o quarto e pego o buquê de Érica, vou até a cozinha e a encontro lavando os legumes.
- Boa noite amor.
- Oi, e aê, como você está?
- Não melhor que você agora. – E surpreendo-a abraçando sua cintura por trás e colocando o buquê a frente de seu rosto.
- Que lindo meu amor. – Ela, imediatamente, se vira e me beija me abraçando com as mãos molhadas. – Vou coloca-las em um  vaso, você termina de lavar os legumes para mim?
- Claro. – Respondo sorrindo.
E o restante da noite é completamente morno. Cozinhamos juntos, jantamos em família sobre a mesa de jantar e depois vemos um pouco de tv. Evelin logo sobre para se aprontar para dormir e eu e Érica ficamos abraçados ao sofá.

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