sábado, 18 de maio de 2013

A Bela da Serra Part. II



Entramos a uma grande festa. Uma festa temática, toda ornamentada com elementos de castelos, de vida feudal, misturado com vida circense e com músicas contemporâneas.
- Vou pegar alguma bebida. Vê se não se mete em confusão. - E ele se afasta.
Caminho pela festa e admiro a decoração. Encontro um antigo amigo e puxo conversa. Ele me oferece uma bebida e aceito, já que Emerson ainda não chegou com a minha bebida.
Dou a primeira golada e engasgo pelo teor alcoólico que há.
- Nossa. - Tusso. - É forte. - Meus olhos estão lacrimejando.
- Ué. - Ele ri. - Armando, você já foi mais forte. Mais macho. - Ele ri e acabo sucumbindo ao impulso de retribuir à ironia.
Sem querer, ao começar a tocar a música Yellow da banda Coldplay, eu desvio o olhar de meu amigo e percebo ela/você. Com um vestido justo e longo. Quando chega as coxas ele se alarga e desce em uma espécie de babado. Uma cor incomum, ressaltando seus olhos em uma tonalidade incomum de castanho escuro.
Você está conversando com seus amigos, colegas, companheiros, ou sei lá. Simplesmente está radiante, alegre, de uma forma que nem imaginaria te ver. Está com uma latinha de cerveja à mão e um copo. Está com o cabelo solto.
É engraçado ver sua pequenez ao meio de seus conterrâneos e, também, sua presença forte sobre eles. Seu poder. Você mostra sua presença. Mostra que não pode ser pisada, apesar de ser pequena. Mas, então, por que você estava chorando?
Uma amiga sua percebe que estou te fitando e fita-me, você nota e, imperceptivelmente, segue seu olhar e encontra com o meu.
Ficamos nos fitando por uns segundos. Seu rosto fica sério e logo entrega a latinha de cerveja a uma amiga.
Você que vem ao meu encontro.
Não fico parado. Caminho e nos encontramos ao meio do caminho. Fico ainda em silêncio.
- Quem é você? - Você o quebra. Reflito sobre sua pergunta e logo respondo.
- Me perdi quando encontrei você! - Você sorri, ajeita o cabelo atrás da orelha esquerda e olha-me aos olhos.
- De onde você é? - Não consigo responder. Engulo a seco. Você continua a fitar minha alma.
- Eu não sei... - Seu olhar é de assombro e o meu é de perpétua confusão. - Costumava saber tudo, mas quando vi seus olhos a chorar eu percebi que não sei nada. - Seu olhar se abaixa e você repara minha vestimenta simplória de baixo a cima. Lança-me um olhar sensual sem consentimento de seu raciocínio. - Costumava ser Armando, mas descobri que posso ser outro alguém que não conheço. Costumava ser de Manaus, mas começo a sentir como se eu sempre houvesse morado em outro lugar, mas nunca percebi. - Seus olhos exprimem sua confusão e também seus sentimentos controversos. Começo a questionar se são por minha causa.
- Acho que sei o que isso significa. - Seu olhar sobe ao encontro dos meus.
Seus lábios são carnudos e seu aroma é mais sedu
zente que me lembrava.
Deixo todo o clima me envolver e com o dedilhar de um piano eu me aproximo com lascívia. Você se mostra vulnerável e não faz nada. Passo minha mão por entre seus cabelos e toco sua nuca. Seu olhar, juntamente com o meu, é lascivo e seu corpo suplica pelo amor que o meu quer lhe oferecer.
Entrego-me em um caloroso beijo. Delicio-me com o doce mel de seus lábios e embriago-me com a suavidade do aroma que sua pele exala. Sua pele, tão delicada e macia pele de pêssego.
Seu corpo está rijo, mas, mesmo assim, está se entregando aos meus beijos, abraços e desejos, que dividimos inconscientemente.

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