Os dias se passam, os beijos se repetem e nossos encontros
começam a se tornar nosso "programinha da tarde".
Lanches ao ar livre, nas praças. Risadas sobre coisas bobas.
Como gosto de ouvir o som do seu riso.
Deixo minhas preocupações de lado e vivo os poucos segundos
que tenho ao seu lado. Cada entrelaças de pernas. Cada acariciar de línguas.
Cada arrepio sórdido e gemido abafado. Cada segundo, eternos segundos que vivi,
vivo e eternizo com você.
- O que foi? - Sua voz é preocupada e séria. Seu olhar é penetrante.
Selo os olhos enquanto nego com a cabeça. - Eu sei que há algo. Diga-me. - A
sensualidade da sua voz é paralela com a ferocidade aveludada que você perfura
meus pensamentos.
- Meu tempo aqui acabou. Eu tenho que embarcar ao avião até
o fim da semana, ou eu perco meu emprego e...
- E o que lhe impede de ir? – Surpreso com sua interrupção volto
meu olhar para o seu com espanto. Estou de pé, nu a janela do nosso quarto à
pousada. Você está deitada à cama, cing
Nosso olhar é penetrante e feroz, quase nos devoramos simplesmente
pelo olhar.
- Nosso amor já superou vidas e vidas, já superou distancias
e dimensões inimagináveis. Por que não superaria a distância de alguns estados?
- Sua pergunta é presunçosa e afiada como uma navalha que rasga o tecido do meu
miocárdio.
- Quero, ao menos, levá-la comigo. Levar algo seu. Algo que
eu possa ter sempre junto de mim.
- Quer eternizar-me ao seu corpo? - Dou de ombros.
Sem dizer mais nenhuma palavra você se levanta, nua em pele,
e desfia até o banheiro. Abre a válvula do chuveiro e começa a se banhar.
- Aonde você vai? - Não me responde. Termina o banho com um
sorrisinho bobo ao rosto e se veste.
- Me encontre ao lugar de sempre, na hora de sempre. - Abrindo
um sorriso lúbrico e mordendo o lábio inferior ela sai pela porta deixando-me
só com meus pensamentos confusos.
"Para onde foi minha Iana?" Penso.
Nenhum comentário:
Postar um comentário