sábado, 18 de maio de 2013

A Bela da Serra Part. III



Os dias se passam, os beijos se repetem e nossos encontros começam a se tornar nosso "programinha da tarde".
Lanches ao ar livre, nas praças. Risadas sobre coisas bobas. Como gosto de ouvir o som do seu riso.
Deixo minhas preocupações de lado e vivo os poucos segundos que tenho ao seu lado. Cada entrelaças de pernas. Cada acariciar de línguas. Cada arrepio sórdido e gemido abafado. Cada segundo, eternos segundos que vivi, vivo e eternizo com você.
- O que foi? - Sua voz é preocupada e séria. Seu olhar é penetrante. Selo os olhos enquanto nego com a cabeça. - Eu sei que há algo. Diga-me. - A sensualidade da sua voz é paralela com a ferocidade aveludada que você perfura meus pensamentos.
- Meu tempo aqui acabou. Eu tenho que embarcar ao avião até o fim da semana, ou eu perco meu emprego e...
- E o que lhe impede de ir? – Surpreso com sua interrupção volto meu olhar para o seu com espanto. Estou de pé, nu a janela do nosso quarto à pousada. Você está deitada à cama, cing
ida apenas pelo lençol.
Nosso olhar é penetrante e feroz, quase nos devoramos simplesmente pelo olhar.
- Nosso amor já superou vidas e vidas, já superou distancias e dimensões inimagináveis. Por que não superaria a distância de alguns estados? - Sua pergunta é presunçosa e afiada como uma navalha que rasga o tecido do meu miocárdio.
- Quero, ao menos, levá-la comigo. Levar algo seu. Algo que eu possa ter sempre junto de mim.
- Quer eternizar-me ao seu corpo? - Dou de ombros.
Sem dizer mais nenhuma palavra você se levanta, nua em pele, e desfia até o banheiro. Abre a válvula do chuveiro e começa a se banhar.
- Aonde você vai? - Não me responde. Termina o banho com um sorrisinho bobo ao rosto e se veste.
- Me encontre ao lugar de sempre, na hora de sempre. - Abrindo um sorriso lúbrico e mordendo o lábio inferior ela sai pela porta deixando-me só com meus pensamentos confusos.
"Para onde foi minha Iana?" Penso.

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