Caminho sobre a neve fofa que cobre com classe as calçadas
cujo trilho e deslizo com sutileza até as travessar de casa.
Olho pelo janelão, da minha casa, que dá para a sala de
estar. Percebo suas brincadeiras, a euforia de cada um, suas risadas e bate-me
uma nostalgia.
Olho, ainda parado sob a neve que cisma em cair, para toda a
casa de madeira, pintada de branco. A luz e o assoalho me parecem tão
acolhedor.
As lágrimas me vêm aos olhos, mas não consigo permiti-las
rolar.
Começo a caminhar pelo quintal em direção à porta. Ouço
minha irmã mais nova a gritar sobre mim.
Todos desviam o olhar para verem-me desfilar com melancolia até a porta.
Mamãe corre até a porta em um turbilhão de emoções. Começo a subir as escadas
da varanda e ela para à porta me olhando com lágrimas aos olhos. Sorrio. Ela
corre e se joga aos meus braços.
O mulherão, que é minha mãe, joga todo o peso do corpaço,
grande e pesado, sobre mim, um pequeno homem, magro e sordidamente triste. Ela
jogou todo o peso, eu balancei um pouco, mas logo retribui o abraço sufocante
que recebi dela.
- Pensei que você nunca fosse voltar.
Sinto suas lágrimas escorrerem pelas minhas costas e
molharem meu casaco, mas não ligo. Meu coração chora nosso encontro e
finalmente o calor de sua alma materna esquenta o frio do inverno e da aridez
do meu espírito.
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