domingo, 12 de maio de 2013

Encontro Part.II - Final



Caminho sobre a neve fofa que cobre com classe as calçadas cujo trilho e deslizo com sutileza até as travessar de casa.
Olho pelo janelão, da minha casa, que dá para a sala de estar. Percebo suas brincadeiras, a euforia de cada um, suas risadas e bate-me uma nostalgia.
Olho, ainda parado sob a neve que cisma em cair, para toda a casa de madeira, pintada de branco. A luz e o assoalho me parecem tão acolhedor.
As lágrimas me vêm aos olhos, mas não consigo permiti-las rolar.
Começo a caminhar pelo quintal em direção à porta. Ouço minha irmã mais nova a gritar sobre mim.  Todos desviam o olhar para verem-me desfilar com melancolia até a porta. Mamãe corre até a porta em um turbilhão de emoções. Começo a subir as escadas da varanda e ela para à porta me olhando com lágrimas aos olhos. Sorrio. Ela corre e se joga aos meus braços.
O mulherão, que é minha mãe, joga todo o peso do corpaço, grande e pesado, sobre mim, um pequeno homem, magro e sordidamente triste. Ela jogou todo o peso, eu balancei um pouco, mas logo retribui o abraço sufocante que recebi dela.
- Pensei que você nunca fosse voltar.
- Os filhos são como bumerangue, você treina, ensina e finalmente lança-os ao mundo e quando você pensa que nunca mais vai vê-los eles voltam para te amar novamente.
Sinto suas lágrimas escorrerem pelas minhas costas e molharem meu casaco, mas não ligo. Meu coração chora nosso encontro e finalmente o calor de sua alma materna esquenta o frio do inverno e da aridez do meu espírito.

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