Odeio quando sonho com coisas boas, gosto de sonhar com
coisas comuns, corriqueiras para mim. Gosto de ter pesadelos para depois poder
escrever. Não gosto de ter sonhos onde eu sonho, ou onde eu realizo um sonho.
Não gosto de sonhar em estar vulnerável de amor.
Odeio quando sonho assim.
Odeio quando acordo chorando e tenho que enxugar as lágrimas
antes que alguém veja e me pergunte “o que foi”. – NÃO QUERO ENXUGAR MINHAS
LÁGRIMAS. Quero chorar mais.
Chorar de amor, chorar de covardia, chorar por algo que não
sei se vai acontecer. Chorar por você.
Quero chorar, mas meu orgulho não deixa. O mundo é duro e
cruel, eu sei, mas é necessário que sejamos mais duros e cruéis que ele, só
para poder sobreviver. E CHORAR NÃO É CABIVEL PARA UM HOMEM DURO E CRUEL. Pelo
menos não enquanto os outros veem.
Eu choro, choro sim e assumo minhas lágrimas, minhas
lágrimas em momentos difíceis, minhas lágrimas em ver um belo filme, em ler um
bom livro, em ver uma cena marcante. Minhas lágrimas de ira, de impotência,
minhas lágrimas de um homem de carne e osso.
Vivo repetindo para mim mesmo que devo ser de TITANIUM, mas
não consigo, quando estou só eu acabo rasgando toda minhas máscaras e olho-me
ao espelho, sorrio e estilhaçando com um soco o mesmo espelho, choro e sangro por pura ira. Isso
são minhas lágrimas diárias.
Minhas lágrimas teimam em cair e molham-me, misturam-se ao
sangue do meu punho e, com as tentativas insanas de limpar meu rosto, empapo-me
com uma mistura de sangue e lágrima. Meu rosto fica imundo com meu próprio
sangue. Esse cheiro metalizado só me dá mais vontade de chorar e me ferir. Ele me
lembra de tantas coisas. Menos de você.
Vou até o chuveiro e giro a válvula de água. Deixo a água cair sobre meu corpo. Choro sob o chuveiro e limpo-me todo o sangue.
Assim percebo que não há nenhum machucado em mim, simplesmente feridas de amor
ou ira. Feridas na alma e no coração.
Gostaria de ter você aqui nas minhas mãos, simplesmente para
poder chorar ao seu colo e ter quem afagar meus cabelos e dizer que tudo vai
ficar bem. Mas não tenho, se quer consigo novamente ouvir sua voz
aveludada simplesmente choro ao chuveiro para parecer menos patético. Pelo
menos aqui o mundo não me engole.
- Agora não, mas espere para ver as contas...
Não ligo, se quer me importo com o que virá agora. Deixo o
vento me levar, não tenho mais forças para caminhas, então deixo-o, Lord, carregar-me
em seus ventos leves e cheios de determinação, poder. Não reluto até ver você.
Pulo do barco e corro até seus braços. Mas as trevas caem e enjaulam-me ao
nada. Você desaparece e volto a ficar perdido.
Gostaria de sentir seus lábios á tocarem os meus, gostaria
de sentir novamente o toque da sua pele, gostaria...
... Poder te amar novamente.
Mas sei que isso não
vai rolar.

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