Me deparo com o papel branco sem nenhuma gota de tinta e
entristeço-me. Coloco a agulha tocando ao disco e após alguns segundos de
silêncio logo começa o dedilhar de um piano singelo. A tinta escorre, sem minha
intenção, pela tinteiro e dança pelo papel, deixa uma marca similar a uma
mulher dançando é mais ou menos assim.
Ela é alta e com belas curvas, cabelo longo e enrolado como
os cachos dos anjos nas capelas que entro para fingir que rezo e vigiar as
belas jovens virginais. Ela é linda e dança com seriedade, mostra sutileza ao
olhar e leveza aos passos com destreza e retidão.
Cada toque de piano e a cada grave da voz da cantora é um
gesticular sutil e avassalador. Ela dança como se levitasse, baila como quem
estivesse sendo conduzida pelo vento ou por um próprio anjo.
Ela gira, salta, rodopia, cai ao chão deixando todos
preocupados, atônitos, ninguém se meche e ela rola ao chão, faz passos ao solo
e logo vem seu príncipe ergue-la.
Ele é duro e não baila com a mesma leveza dela, ele tem uma
beleza peculiar e seus traços rígidos no seu físico contrastam com as curvas
sinuosas. Ela cuida dele com carinho e com dedicação, mas é perceptível suas
brigas constantes. Ele vai para um canto do palco e ela ao outro cai ao chão e
chora.
- Autor, ó autor, porque brigamos tanto. – Entristecida
expõem-me o coração
- O que há minha pequena gota de tinta?
- Ele reclama da minha maior qualidade, minha transparência.
– Esconde, ela, a face nas mãos.
- Você o ama? – Aflito em tentar ajuda-la.
- Se o amo?... – Indaga a si mesma refletindo olhando a
escuridão. – Eu o amo. – Constata com a alma. – Amo-o mais que a mim mesma.
Amo-o mais que a tudo nessa vida. Amo-o tanto que por mais que eu lhe
presenteasse com o meu próprio coração em uma bandeja de prata seria pouco pois
meu amor por ele é o suficiente para que eu arranque a lua da orbita da terra e
faça dela um presente de amor para dá-lo.
- Então por que você não volta aos seus braços.
E assim ele o fez. Sem mais pestanejar e sem terminar de me
ouvir ela corre aos seus braços em um abraço entrelaçado de amor e lascívia.
Com delicadeza e ardor eles se beijam e nesse beijo ela deita todo seu ser em
seus lábios, seus abraços e seu coração. Alí já não vejo mais duas almas mais
sim uma troca tão intensa de energias que formam um só coração. Um só ser desde
a imatura infância até a sua ancianidade velhice.
O amor desses dois é tão intenso que as brigas ecoam por
séculos, encarnações, universos, planetas, gerações, realidades alternativas.
Seu amor é tão forte e poderoso que fa
z até a pessoa mais infeliz do universo
sorrir.
Sei que no infinito, no além, no céu esses dois não serão
simplesmente dois espectros aquém um do outro e sim, ou serão um espectro só ou
serão estrelas de mão dadas. Será o símbolo de todo amante posterior a eles.
Um amor tão intenso que dissipa a maldade que corrói a
iniquidade e ultrapassa a realidade.
É o amor de Vitor e Larissa!

Nenhum comentário:
Postar um comentário