terça-feira, 26 de março de 2013

Larissa gota de tinta



Me deparo com o papel branco sem nenhuma gota de tinta e entristeço-me. Coloco a agulha tocando ao disco e após alguns segundos de silêncio logo começa o dedilhar de um piano singelo. A tinta escorre, sem minha intenção, pela tinteiro e dança pelo papel, deixa uma marca similar a uma mulher dançando é mais ou menos assim.
Ela é alta e com belas curvas, cabelo longo e enrolado como os cachos dos anjos nas capelas que entro para fingir que rezo e vigiar as belas jovens virginais. Ela é linda e dança com seriedade, mostra sutileza ao olhar e leveza aos passos com destreza e retidão.
Cada toque de piano e a cada grave da voz da cantora é um gesticular sutil e avassalador. Ela dança como se levitasse, baila como quem estivesse sendo conduzida pelo vento ou por um próprio anjo.
Ela gira, salta, rodopia, cai ao chão deixando todos preocupados, atônitos, ninguém se meche e ela rola ao chão, faz passos ao solo e logo vem seu príncipe ergue-la.
Ele é duro e não baila com a mesma leveza dela, ele tem uma beleza peculiar e seus traços rígidos no seu físico contrastam com as curvas sinuosas. Ela cuida dele com carinho e com dedicação, mas é perceptível suas brigas constantes. Ele vai para um canto do palco e ela ao outro cai ao chão e chora.
- Autor, ó autor, porque brigamos tanto. – Entristecida expõem-me o coração
- O que há minha pequena gota de tinta?
- Ele reclama da minha maior qualidade, minha transparência. – Esconde, ela, a face nas mãos.
- Você o ama? – Aflito em tentar ajuda-la.
- Se o amo?... – Indaga a si mesma refletindo olhando a escuridão. – Eu o amo. – Constata com a alma. – Amo-o mais que a mim mesma. Amo-o mais que a tudo nessa vida. Amo-o tanto que por mais que eu lhe presenteasse com o meu próprio coração em uma bandeja de prata seria pouco pois meu amor por ele é o suficiente para que eu arranque a lua da orbita da terra e faça dela um presente de amor para dá-lo.
- Então por que você não volta aos seus braços.
E assim ele o fez. Sem mais pestanejar e sem terminar de me ouvir ela corre aos seus braços em um abraço entrelaçado de amor e lascívia. Com delicadeza e ardor eles se beijam e nesse beijo ela deita todo seu ser em seus lábios, seus abraços e seu coração. Alí já não vejo mais duas almas mais sim uma troca tão intensa de energias que formam um só coração. Um só ser desde a imatura infância até a sua ancianidade velhice.
O amor desses dois é tão intenso que as brigas ecoam por séculos, encarnações, universos, planetas, gerações, realidades alternativas. Seu amor é tão forte e poderoso que fa
z até a pessoa mais infeliz do universo sorrir.
Sei que no infinito, no além, no céu esses dois não serão simplesmente dois espectros aquém um do outro e sim, ou serão um espectro só ou serão estrelas de mão dadas. Será o símbolo de todo amante posterior a eles.
Um amor tão intenso que dissipa a maldade que corrói a iniquidade e ultrapassa a realidade.
É o amor de Vitor e Larissa!


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