No outro dia pela manhã sou acordado por Larissa que corre e
se joga á minha cama.
- Como chegou aqui?
- Não me questione e me responda... – Fico olhando-a
eufórica e espero com uma cara de paspalho pela pergunta. Ficamos em silêncio
por alguns segundos nos olhando
igual a dois dementes.
- E então? – Indago-a irritado.
- Ah é, tinha me esquecido. – E ri de si mesma. (- Só ela
mesmo - Penso)- Quer me acompanhar no balé da manhã?
- Hã? Como assim? – Apavorado com tamanha estranheza no
convite.
- Sou eu quem trago a suavidade e a beleza da cidade
maravilhosa pela manhã com meu bailar.
Digiro a situação, questiono-me um pouco e finalmente
respondo. – Por que não?
Ela se levanta sentando sobre uma perna e com a outa para
fora da cama. Estende a mão em minha direção e olha-me por cima. Hesito um
pouco, olho para sua mão e depois fito seus olhos. É quase como se ela me
perguntasse, sem falar nada, se eu estava realmente disposta a ir. Finalmente
pego sua mão e somos sofregamente arrebatados até um lugar escuro, não consigo
ver dana. De repente abre-se uma luz ao meio da densa escuridão.
Larissa começa a se mexer devagar e começo a perceber que
estamos sobre a cabeça do Cristo Redentor. No começo eu fico um pouco assustado
com a altura, mas Larissa fala comigo para que eu me acalme e aprecie. É
difícil se acalmar á essa altura, mas estou tentando.
Finalmente consigo apreciar a paisagem e sua dança que ainda
está no início.
Ela se movimenta com leveza, está levantando-se do chão como
quem está acordando. Seus movimentos são leves e envolventes. A cada movimento
seu surge um rastro de cor amarela, um perfume emana desse rastro, um perfume
único, perfeito, de aroma característico. Algo doce, envolvente, delicado e
sedutor.
Ela levanta-se em uma bela pirueta, envolta por sua própria
luz amarela, com pequenos focos que cintilam. Ela está usando um leve vestido
de seda. É tão belo que parece que o tempo corre diferente enquanto ela está no
ar contra a luz do sol que acaricia sua pele morena. Seu cabelo está girando
com seu corpo e varre toda a tristeza, sonolência e a insegurança para fora do
mundo com seus belos cachos. Seu semblante é limpo e às vezes ela esboça leves sorrisos
singelos e delicados.
Ao tocar os pés no chão ela volta a rodar e dançar como uma
bailarina. É, verdadeiramente a dança perfeita, delicada e forte ao mesmo
tempo, transparente e cheia de cor. É a vida do carioca, é o aroma do mar, é a
luz do sol, é o molejo da mulata, é o samba no ar, o cheiro de paixão é a
educação da atendente e a desenvoltura do ambulante. Sua dança transcende a
normalidade e explicita a vida do Rio.
É como uma fita de cetim multicolorida que se meche ao
vento. Muda de cor conforme se movimenta, diz tudo sem emitir uma palavra. É a
dança dessa morena carioca que conheço na calçada á orla da praia.
É essa a morena que conheci, alguém forte, guerreira,
destemida e vulnerável, alguém apaixonada pelo que faz e por quem a faz ser
apaixonada. Essa é a minha Larissinha, minha amiga, minha pequena Notável
bailarina dos palcos da vida.
Essa é ela!

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