terça-feira, 26 de março de 2013

Bom pranto Part. II - Final



Finalmente a hora mais esperada, você, sem se aquecer, vestida em um belo tutu negro, com o cabelo solto e maquiagem sombria, sapatilhas negras e tristeza ao olhas, com uma dor á alma.
Você começa a dança do jeito que sabe que iria aplaudi-la se pudesse. Começa com paços de ballet clássico, depois solta-se em uma dança mais contemporânea e entrega-se ao seu jeito original como eu adoro ver.
Você se meche e remexe de uma maneira que só você sabe fazer. Outras bailarinas aparecem e lhe acompanham em paços prontos, mas você faz uma dança original, uma dança que expressa seus sentimentos, uma dança que desenha a nossa vida de amizade, uma dança que só eu entenderia você dançar. Uma dança nossa, como amigos. Nosso segredo, nosso código.
Uma chave que só abre meu coração você entregou ao mundo e todos viram a beleza de nossa amizade pura como um sorriso de bebê. Você transpareceu o que nós fomos.
Você chora e acaba ao chão, alguns bailarinos tentam levantar e ao som da ópera e da orquestra você continua a dançar por mim, para que saibam quem fui por você. Pelo molejo de quem nunca tocou-me vulgarmente todos conhecem a parte mais pura de um homem que nunca era visto como puro.
Quem a vê chora e se encanta, você desabrocha uma beleza impar e exala nosso amor uma amizade única. Um amor unanime, um amor que não excluía ninguém, mas que era só nosso.
Ao terminar a dança você faz um passo de que diz como fui morto, mas as asas da minha atual parceira não deixam-me ver. Ela briga comigo e beija-me os lábios. Sua fala é grossa e forte, muito marcante. Minha amada das trevas baila e leva-me á um lugar de uma escuridão densa. Ela expressa palavras em uma língua que nunca ouvi e não sinto mais nada além de um agitar em mim.
Não vejo nada e começo a ouvir claramente o povo cantando pelas ruas de minha cidade natal minha despedida. O caixão está sendo carregado sobre os ombros amigos pela rua até o cemitério.
Começo a sentir os raios de sol a acariciarem meu rosto e alarmo-me quando sinto uma gota gélida a pingar sobre minha bochecha. Limpo com a mão e abro os olhos.
Vocês, amigos meus, vocês me trouxeram a vida.
Sento-me ao caixão e peço que me tirem daqui.
Vamos todos á um salão e bailamos a vida, brindamos a vitória e rimos o desterro vão.
De repente acordo com a luz do banheiro á minha cara. É você querida amiga, está vomitando, provavelmente, as treze doses de tequila que bebeu naquela aposta. Continuo invicto com minhas 26 doses em cinco minutos.
Sorrio vendo a sena e suspiro o pesadelo. Continuo feliz, pois sei que, no sonho, meus amigos, o amor da minha família e sua dança trouxeram-me de volta a vida.
Bons sonho bela bailarina bêbada e bom pranto para mais tarde, pois após a farra de ontem, a ressaca vai ser forte e as dores e o mal estar também.



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