Acordo e finjo que nada de mais aconteceu, arrumo-me para ir
á faculdade e saio de casa embalado ao som de Renato Russo e Cazuza.
Chegando á faculdade um bolo junta-se em minha garganta, meu
coração se comprime e minha respiração fica ofegante, sorrio sem graça de
volta, pois ele está vindo em minha direção.
- E aê, conseguiu dormir depois de todo aquele energético? –
Em meio a leves risadas.
- Pois é. – Um leve e gracioso sorriso simpático. Quem o vê
não sabe o que ele esconde.
- Cara, se eu te falar que não me lembro de nada você
acredita? A última coisa que me lembro é de voltar do bar com todas aquelas
bebidas e depois acordar de madrugada me perguntando o que aconteceu.
- Sério que você não se lembra? – Um misto de perplexidade
com alívio. Ele consente com a cabeça levantando as sobrancelhas. – Também
acordei de madrugada essa noite. Muito calor... – desvio o assunto.
- Pois é, acordei depois de ter sonhado que tinha te... Que
tinha... falado algumas coisas malucas. – Ele ri e dá caminho á sala de aula.
O nó na garganta se aperta, meus olhos enchem-se de lágrimas
sendo escondidas por um sorriso simpático. - Como falar para meu melhor amigo
que ele se declarou para mim e que ele me beijou?- No decorrer do caminho
enxugo, sem que ele veja, duas lágrimas que escorreram contra minha vontade do
olho esquerdo.
Não sei o que está acontecendo, não sei o que sinto, só sei
que não é certo, por que se fosse eu estaria podendo ver em magnanimidade, mas
meu olhar é tão limitado quanto o de um cavalo com arreio. - Será que fui
fisgado pelos arreios do amor?
Respiro fundo e sento ao seu lado fingindo que não sei o que
sei...
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