Estou caminhando pela orla de Copacabana e vejo-a passando
com esse shortinho jeans e esse biquíni amarelo com as marcas do calçadão em
cada seio, com seu headfone ouvindo algo bem animado, pois ela está dançando e
desviando de todos que caminham em sentido contrário.
É interessante vê-la passando deixando todos atrás sorrin
do
e mais felizes. - O que é isso morena? – Questiono-me.
Com esse seu jeito característico de brasileira, com suas
curvas e seu gingado de passista você arrebata corações. Não intendo de onde
vem todo seu ânimo em uma manhã tão cinza. Você passa por mim e joga seu cabelo
encaracolado, cheirando a pêssego no meu rosto, se quer olha para mim, só dança
e desfila.
Agora percebo, ela passa e deixa um rastro de luz, um rastro
de calor carioca. - Você é o verão, você é o samba, você é a alegria carioca em
uma só mulher. -
Após uns metros de distância de mim ela se vira e jogando
seu cabelo de forma celestial, dando um efeito de brilho no ar, olha para mim
com lubricidade, sorri com malícia e continua dançando e percorrendo seu
caminho, de costas, olhando para mim. Gesticulo com a cabeça para
cumprimenta-la de longe, se alarga seu sorriso e segue, de frente, o seu
caminho.
Um pouco mais distante que antes ela para em frente um
quiosque de água de coco, abraça um rapaz e o beija. Vejo-a cochichar algo para
ele e ambos olham para mim parado ao meio da calçada, invisível para todos
menos eles.
Fico parado questionando-me a situação por alguns segundos,
mas logo dou sequencia ao meu caminho. Troco-me, visto uma sunga e vou até o
mar, mergulho, saio, paquero, faço mais algumas coisas e volto ao me quarto de
hotel.
Chegando ao meu quarto recebo uma mensagem ao celular que
diz: “Vejo você na Nuth Lounge da Barra”. Logo se abre um sorriso no meu rosto,
tenho certeza que é aquela morena do calçadão.
Arrumo-me de forma singela, um jeans cinza, camiseta branca,
colete cinza claro e tênis branco. Um contraste perfeito para ressaltar minha
pele morena e meus olhos castanho escuro.
Meu jantar chega,
como qualquer coisinha do prato com a mão mesmo e desço, pego um taxi e logo
estou na boate. Entro sem enfrentar fila.
Ao entrar vou direto ao bar pedir uma caipirinha. Logo a
vejo dançando sozinha á pista. Seu bailar é bem ritmado, com jogadas de cabelo
e pequenos saltos. Quanto troca a música vou chegando próximo á ela com duas
bebidas. Uma para mim e outra para ela.
Ela sorri ao me ver e pega a bebida, ela dá um gole e começa
a pular no ritmo da música. Ela joga o cabelo e dança olhando-me de um jeito
único, só dela.
Nós conversamos sobre diversas coisas, descubro que seu nome
é Larissa e que o nome daquele rapaz com quem ela esteve conversando é Vitor,
disse que são namorados e que eles também tem “dons especiais”. Nós rimos, brincamos, zuamos e tornamos a
rir.
De repente ela sorri, para e me abraça. Ela parece um pouco
temulenta. Vamos rindo até uma mesa. Logo chega o outro rapaz. Sério.
- Tudo bem amor, esse é Hugo, ele é como nós.
- O que você quer dizer com isso? – Parece um pouco
indignado
- Consigo ver coisas que outras pessoas não veem. –
Respondo-o.
- Como o que? – Continua sério. (Não sei se ele quer me
testar ou só quer saber.)
- Não sei, ás vezes vejo como a pessoa realmente é sem
precisar falar com ela, às vezes vejo o futuro, às vezes... Áh sei lá! – Estou
um pouco ébrio.
- Você sabe que não gosto de te ver assim, não gosto que
beba. – Se dirige a ela. Logo me recomponho e fico sério.
- Ah amor, relaxa e aproveita.
- O que você pode fazer? – Dirijo-me a ele.
- Posso fazer as pessoas sentirem dor se não me controlar.
- Por isso que ele é tão controlador e vive com essa cara de
dor. – Além de escarniar do namorado ri na cara dele. Ele enrijece.
Logo, vendo a situação em que nos colocamos Larissa se levanta,
pega as mãos do namorado e puxa-o para dançar, ele reluta, diz que não sabe e
que não gosta, mas acaba sendo envolvido por ela com esse seu jeito enérgico,
explosivo e autentico.
É perceptível até na China que ambos estão se amando, eles
explodem em amores.
A dança deles é algo desengonçado, ela cheia de ginga,
malícia e desenvoltura e ele todo duro tentando acompanha-la. Ela o olha com
maledicência e envolve-o em seus laços de amor, paixão e luxúria. Ela o abraça
com sensualidade e o encara olho no olho.
Ele sorri e pergunta “O que foi”. – Estou longe, mas consigo
entender tudo. – Eles parecem estar a sós na boate, ninguém os percebe e, de
repente, parece que uma clareira se abre e os dois ficam ao meio.
Ela sorri e o beija loucamente como só os dois sabem fazer.
Todos no local acabam se beijando, envolvem-se na união deles dois.
Acho que esse é o “dom” de Vitor, ele faz quem está a sua
volta sentir o que ele sente. Ele se controla para não afetar de mais os
sentimentos dos outros. Mas quem pode se controlar com Larissa?
Com ela você pode ir de um extremo ao outro em segundos, ela
começa fazendo-lhe sorrir e gargalhar com suas brincadeiras e logo ela pode
contar-lhe uma história para você debulhar-se em lágrimas. Ela é a perfeição de
Vitor e ele é a dela. O controlado e a descontrolada. O discreto e a
espalhafatosa. O opaco, impenetrável e a transparente, vulnerável.
Ele é a fortaleza que abriga a rosa bailarina (ela). São os
opostos perfeitos, é o casal perfeito, são a laranja completa e todos esses
clichês.
Eu saio da boate e mando uma mensagem para ela avisando da
situação. Saio sorrindo pela sena que vi.
Volto para meu quarto e vejo o meu jantar no mesmo lugar me
esperando. Já está frio. Rejeito-o e peço um lanche no quarto. Como e durmo.
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