sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Eu carrego seu coração...



Quando acordei ainda com a visão embaçada, olhei para o céu azul fora da janela e não vi alegria alguma. Levantei-me com dificuldade e vasculhei a casa vazia. Só encontrei solidão.
Jamais acordastes antes de mim, mas desta vez é diferente. Você se foi...
Olhei para onde ficava sua cama e não vi nada além de um espaço vazio, sem vida, sem amor. Um tímido, às vezes bruto, amor. Mas ao menos é meu.
Meu silêncio fere ainda mais minha alma, minhas piadas estão desbotadas e meu sorriso escondeu-se atrás da minha dor. Minhas lágrimas estão tímidas, mas de vez em quando rolam sem ninguém ver. Como quando nos separamos na infância. Fui para outra cidade e você ficou. Lembra-se do suplício que foi? Lembra-se da dor que sentimos? Da saudade? Pois bem, é com um pouco mais de intensidade que estou sofrendo.
Recorda-se de quando você foi estudar fora e eu fiquei? Ficamos meses distantes. Não sabes o quanto esse tempo me feriu, mesmo tendo bastante contato. Mas agora é pior. Estamos muito longe. Você está no interior de um estado e eu no interior de outro. Cada qual escondido em seu interior. Escondendo suas saudades, suas lágrimas, suas dores, seus abraços não dados, seus beijos não deitados, seus elogios não investidos, suas brincadeiras não lançadas.
Preferi não ir, não quis que minha última lembrança sua, antes de você se mudar, fosse você indo para a área de embarque. Já vi essa cena vezes de mais. Preferia que fosse nós nos despedindo em casa. Mas não consegui que fosse. Pouco me recordo de ontem e esta madrugada. Só me lembro de você caçoar de mim por estar triste com sua partida, lembro-me de você pisar em meu colchão e isso me enfurecer, como sempre, e recordo-me vagamente de vê-la ao corredor as pressas na penumbra da madrugada.
Perdi minha melhor amiga, minha confidente, meu porto seguro onde nunca me segurei. Pelo contrário né mana... (RS) Agora com quem irei fazer aquelas piadas infames, com quem jogarei papo fora, quem perseguirei como uma sombra dentro de casa, com quem verei filmes de terror, ou me mandará baixar um monte de coisas enquanto converso com meus “NÊGO” na internet? Quem? Se agora você partiu...
Logo serei eu que partirei se Deus permitir. Mas mesmo estando longe de casa, não vendo dia após dia onde demos nossos primeiros passos, nossas primeiras brigas e onde passamos quase toda nossa vida, mesmo sem ver nossas memórias cravadas nos tijolos de um prédio me recordarei com dor, saudade e alegria de cada momento que passamos juntos.
Você é minha flor, com muitos espinhos diga-se de passagem. Você e minha beleza rara, minha joia rara. Minha melhor amiga. Minha irmã mais velha querida, sempre, sempre e para todo o sempre.
 
Carrego seu coração comigo
Eu carrego no meu coração
Nunca estou sem ele

Onde quer que vá, você vai comigo
E o que quer que faça
Eu faço por você

Não temo meu destino
Você é meu destino meu doce
Eu não quero o mundo por mais belo que seja

Você é meu mundo, minha verdade.
Eis o grande segredo que ninguém sabe.

Aqui está a raiz da raiz
O broto do broto e o céu do céu
De uma árvore chamada VIDA
Que cresce mais que a alma pode esperar ou a mente pode esconder
E esse é o pródigo que mantém as estrelas á distancia

Eu carrego seu coração comigo
Eu o carrego no meu coração.”
E. E. Cummings
Espero que não tenha se esquecido de minha longínqua promessa de que recitaria esse poema, talvez em inglês, no dia do seu casamento. Como no filme “In Her Shoes” que me lembra bastante nós dois. Não pela vida errônea de uma das personagens, mas pelas brigas, pelas desavenças, pela infância difícil onde nós mesmo éramos nossas muletas, da nossa união e pelo simples fato de nunca, jamais conseguirmos ficar brigados, nem por um segundo, nem por um instante de nossas vidas. Por isso posso dizer sem medo ou dúvida...
“I carry your heart
I carry it in my heart”

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