Após voltar para casa
depois de dois meses no hospital mamãe me conta todo o que houve. Ela disse que
após o acidente o fortão, depois de muita insistência de Sarah ela conseguiu
alguém que alguém ligasse para a ambulância, pois ela só conseguia gritar e
ficar comigo ao seu colo. O fortão ficou paralisado. Ela me acompanhou até o
hospital e ficou comigo durante dois dias sem dormir. E enquanto eu estava em
coma ela passou várias noites comigo. Engoli isso a seco e no dia seguinte fui
para a faculdade.
Com a cara toda
quebrada e ainda marcada fui com a coragem e o amor que ainda sentia por ela.
Fui de ônibus como costumava fazer a muito tempo. Ao chegar fui bombardeado
pelos meus amigos com vários abraços e perguntas e desejos de melhoras e blá,
blá, blá. Ao fim da aula, com o pátio cheio eu a encontrei abraçada ao fortão
sem graça. Meus amigos, sabendo dos acontecidos tentaram evitar que eu passasse
perto dela, mas era o nosso destino ficar frente a frente. Nossos olhares se
cruzaram como a muito não se faziam e eu senti seu coração disparar como o meu
em uma só batida. Neste momento eu só tinha duas possibilidades, ou eu passava
fingindo que nada houvesse acontecido ou...
Com o coração acelerado
de adrenalina eu desviei minha rota até o encontro dela e com um olhar sério eu
parei à sua frente olhando nos seus olhos.
- Você vai mesmo ficar
com ele? – Perguntei sério. Ela fez cara de choro e tentou desviar o olhar. Ele
que está ao lado dela tentou retrucar. – Fica quieto que eu estou conversando
com a Sarah.
- Você sabe que eu
posso terminar de te quebrar né?
- Quebra, me quebra e
mostra para ela quem você realmente é. Mas isso não vai mudar nada. Posso ficar
um ano inteiro em coma no hospital, posso viajar para o outro lado do mundo,
posso ir para outra galáxia, posso nunca mais olhar para você, ou ouvir falar
de você, mas nada disso vai mudar o fato que me fez vir até você aqui. E o fato
é que eu te amo e você sabe disso. Não só sabe disso, mas também sente isso por
mim.
- Para, para. Parem os
dois. – Ela grita e sai andando em direção as árvores que é o lado mais alto do
estacionamento e dá caminho para o outro lado do campus.
- Parar por que? Você
não queria ouvir a verdade Sarah? Então, essa é a verdade. A verdade é que eu
sempre fui apaixonado por você, que eu só comprei um carro por que sabia que
você gostava de homens com carro. A verdade é que eu sempre estive ao seu lado,
ouvindo, esperando, aguardando a hora certa para dizer o quanto te amo, com
seus erros e acertos. Não há pessoa nesse mundo que te ame mais e que te
conheça mais que eu e você sabe disso.
- Você teve sua chance
Roger, eu te dei várias chances para você falar isso. Eu também te esperei, mas
você nunca veio. Agora que eu estou me acertando você vem virar meu mundo de
cabeça para baixo de novo? – Ela vai andando para o outro lado do campus e eu
sigo-a andando por dentre as árvores.
- Sim, eu sei que tive
chances. Mas quando eu estava preparado para dizer eu sofri um acidente vindo
me encontrar com você, você se lembra? Todas as vezes que fui falar com você
aconteceu algo. Mas agora não posso mais esperar um segundo. Por mais que eu
não te tenha ou não te veja nunca mais eu não posso mais viver com esse segredo
dentro de mim. Agora você também terá que viver com esse fardo. – Ela gesticula
em negação e começa a chorar. Aos poucos todo mundo da faculdade aparece e
vê-nos discutindo.
- Você sabe que nunca
daria certo. Somos muito diferentes e...
- Não me importa. O que
importa não é a semelhança entre o casal, mas sim se há amor. E eu sei que seu
coração nunca bateu por ele como o meu bate por você. E sei que você esperou
por mim tanto quanto esperei por você.
- Mas é tarde.
- Nunca é tarde para
amar. – Me aproximo e fico frente a frente com ela.
- Não posso fazer isso
com ele. Seria injusto.
- Mas não seria injusto
com você mesma ficar com ele e infeliz? – Ela derrete em lágrimas e
enxugando-as eu a beijo como se fosse a última coisa que fizéssemos nas nossas
vidas.
Os dias se passaram e o
fortão desapareceu. Uns dizem que ele começou a namorar com uma menina do novo
trabalho dele e nós, a cada dia mais próximos de nos formarmos fomos morar
juntos em um apartamento pequeno, mas só nosso. E nossas conversas que duravam
até de madrugada pelo computador enquanto víamos desejos animados juntos passou
a ser abraçados. Como se fosse num abraço de eternidade.

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