sábado, 15 de fevereiro de 2014

Para todo o sempre sem fim - Part. Final

Ainda meio desorientado. É madrugada, mas não demoro muito para tentar ignorar o sonho. Banho-me e retiro os últimos resíduos do impúdico sonho que tive com você.
Com pressa ajeito uma vitamina e visto-me como se fosse para um combate. Calço calçados confortáveis como se fossem coturnos de guerra. Visto minhas roupas de ginástica como se fosse uma armadura. Bebo o denso líquido da vitamina como se fosse a última refeição da minha vida e finalmente viro-me para beijar você como se fosse nosso último beijo. Mas, apesar de procurar, não vejo ninguém. Saio de casa sem pensar muito no assunto com os fones de ouvido bem posicionados e estrondando qualquer música que me fizesse não pensar muito.
Começo minha corrida sem um destino bem pré delimitado. Apenas corro como se corresse de algo ou atrás de alguém. Mas tento não pensar muito nisso.
A lua ilumina meus passos que são o único som que ecoa por toda cidade dormindo suas últimas horas de sono matinal. De repente sou surpreendido por uma lembrança de nós na praia. Comigo deitado sobre seu colo. Seu cabelo balançando com o vento e seu rosto sendo beijado belo sol deixando-o com uma tonalidade dourada na pele. Meu coração batia forte como bate agora em um frenesi de sentimentos conflituosos. Você afagava meus cabelos e a outra mão mantinha-a dentro da minha camisa, sobre meu peito, sentindo meu coração pulsar desritmado. Você olhou nos meus olhos sorrindo. Eu levantei devagar e nos beijamos  delicadamente como nos filmes hollywoodianos.
Balanço a cabeça com violência tentando fazer essa memória cair dela. Mas não some essa imagem de nosso beijo cálido, com nossas camisas movendo-se ao vento e nossos corpos sendo envolvidos pelo calor do sol que se punha ao horizonte na praia.
Paro por um instante, respiro fundo, bebo um pouco d’água e retomando meu norte volto a correr. A música envolve-me como em um abraço afetuoso. Cada batida forte, cada agudo da cantora como se fossem para mim. E vejo seu sorriso no escuro da noite, seu rosto lindo me dizendo “Bom dia meu amor!” ainda com os olhos fechados.
Recuso-me penar nisso e tento correr mais rápido como se fugisse dessa imagem deixando-o para trás. E quando finalmente penso ter conseguido vejo-me em uma boate enquanto corro. A música alta, muitas pessoas dançando e você ao longe parado, com um olhar acolhedor me chamando. Meu coração aperta e um nó atasse à garganta. Caminho até você abrindo uma clareira entre nós  ao meio das pessoas que dançam e quando nos beijamos todas as outras pessoas também são tocadas por nossa paixão se beijando também. Acordo da alucinação e quase sou atropelado por um carro que cantava pneus na direção oposta à minha.
Gesticulo nervoso como se pudesse tirar você de dentro de mim. E volto para casa com o rosto molhado com um misto de suor e lágrimas de dor, mágoa, saudade, uma paixão mal resolvida talvez.
Chegando em casa sento-me aos prantos e quando finalmente acalmo-me volto a banhar-me tirando todo o suor do corpo e enquanto deslizo o sabonete pelo meu corpo penso em seu toque suave que desbravou todo esse corpo nu, que brincou, beijou, mordeu e amor em intensas noites de amor, com um fogo incontrolável, um fogo que tudo consome, que tudo cria, que tudo gera. Um fogo que nos ligava e liga por dentre toda a eternidade, gerações e universos.
Ligo para você ainda enrolado na toalha com o corpo úmido. Sei que você encara seu celular tocando mas não o atende. Isso dói, pois sei que fomos feitos um para o outro para todo o sempre e sempre
e sempre sem fim...!

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