A cada dia mais meu
coração se apertava e minhas mãos suavam mais e mais perto dela. Mas eu não
conseguia dizer-lhe o que sentia. Até que tomei a iniciativa e conversando pelo
celular, numa noite de sexta-feira eu perguntei se poderia ir até a casa dela.
Mal ouvi o sim e disparei do trabalho para lá.
Chegando lá ela estava
meio tristonha e desconcertado com o que vi perguntei o que havia acontecido.
- Não, tudo bem, você
veio aqui falar algo comigo, diga. – Apesar de ainda estar cabisbaixa ela me
pediu a palavra.
- Não, por favor, sei
que você não é assim, fala. O que tenho a dizer pode esperar um pouco. – Engulo
a seco e respiro fundo mordendo minha bochecha por dentro com raiva de mim
mesmo por não falar agora mesmo o que sinto.
- Você sabe que você é
meu melhor amigo, não teria outra pessoa para falar. – Aceno com os olhos
atentos e dor ao coração pelo “meu melhor amigo”. – Então, sabe o Richard?
- O do oitavo período
fortão de cabelinho arrepiado?
- Ele mesmo. – Fico
esperando e acenando com a cabeça. – Então, esses dias ele foi para a faculdade
com um camaro do ano vermelho e perguntou se podia me levar para casa. Aquele
dia que eu saí mais tarde, lembra que te disse.
- Sim, as terças você
sai mais tarde por causa da aula de francês não é? – Ela acena. – Então, o que
houve?
- Então, ele parou em
um lugar para tomarmos sorvete e enquanto eu tomava o meu, você sabe, eu
adoooooooro sorvete. – Ri e acenei em concordância. – Ele disse que sempre foi
apaixonado por mim e me chamou para sair amanhã e hoje ele me ligou confirmando
e aceitei. – Na mesma hora meu corpo gelou, meu coração apertou tanto contra
meu tórax que doeu. Fiquei estatelado.
- E qual é o problema?
– Ao falar isso vi em seus olhos desolação, mas não sabia o porque. Eu estava
com o punho direito escondido e tão cerrado que estava machucando minha mão com
minhas próprias unhas.
- Eu não sei. – Ela
olhou dentro dos meus olhos e parou por um segundo sem dizer nada. – De repente
eu só precisava contar mesmo. – Sorriu com tristeza. Fingi indiferença, mas se
quer sabia dizer o que sentia de tão controverso.
Logo saí e chorando fui
para casa, sem dizer nada para ninguém. Ao chegar em casa ela me chamou para
conversar na internet, mas disse que estava cansado pelo dia de trabalho e fui
dormir. Só que a noite não tinha luar novamente e novamente no escuro sombrio e
no calor intenso, não consegui dormir. Mas fiquei deitado, olhando para a
escuridão e a via olhar para dentro de mim.
Dias depois ela veio me
contar como foi, mas dei pouca atenção. Nossa amizade foi esfriando e eu fazia
questão de deixar o gelo crescer entre nós para ver se a dor diminuía. Mas
quanto mais distante eu tentava ficar longe dela mais ela tentava
reaproximar-se e mais isso me machucava.
O tempo passou e ela
começou a namorar o fortão de camaro. Eu vendi meu carro, não via mais motivos
para tê-lo, era um gasto exacerbado e nem gostava de dirigir. Comprei uma
bicicleta e passei a ser mais ecológico indo para a faculdade e para o trabalho
de bicicleta, assim também tinha mais motivos para evita-la. Na verdade não sei
se eram mais motivos ou desculpas.
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