Outro dia amanhece e
sigo minha rotina até em casa, hoje com um pouco mais de alívio ao coração. Passo
o dia inteiro pensando em Sarah, a nova menina que entrou na minha vida pela
internet. Pode ser apenas uma amizade inocente, mas já é algo, ou melhor,
alguém.
Sinto cada engrenagem
do tempo rodar, vejo-as empoeiradas e com suas teias de aranha girando e fazendo
outras girarem e fazerem passar o tempo cada vez mais rápido para quem não quer
correr com ele. Saindo da faculdade passo os olhos novamente, mas não vejo-a em
lugar nenhum.
Seguindo minha rotina
leio, faço algumas tarefas em casa e logo vou para o computador que tem algumas
atualizações. Duas dela, cujo me marcou em um vídeo de uma banda que gosto e em
uma foto que ela comentou dizendo que lembrou de mim. Logo ela puxou conversa
novamente com o mesmo ar alegre de ontem e fomos conversando sobre mais um
monte de coisas.
E os dias foram se
passando e nossas conversas ficaram cada vez mais frequentes, nas redes
sociais, no celular, por sms’s, mas sempre conversávamos. O estranho era que
nunca conseguíamos nos encontrar, mas também nunca havíamos marcado nada ou
tínhamos tentado nos encontrar para conversar. A cada dia mais nossa amizade
crescia, eu conhecia mais ela e ela me conhecia, eu sabia de suas dificuldades,
seus medos e suas forças, de seus sonhos e de suas esperanças. Nossa amizade se
tornava cada vez mais forte e reciproca.
Adentramos meses e
começamos a nos encontrar com o tempo e conversávamos entre uma aula e outra,
almoçamos juntos e nos tornamos grandes amigos. Mas algo aconteceu comigo, algo
que nunca aconteceu antes. Nunca havia me sentido assim por uma amiga. Tenho
várias amigas mulheres, lindas por sinal. Algumas já até pediram para ficar
comigo, mas nunca havia tido vontade, até conhecer Sarah. A cada dia que se
passava e nos encontrávamos seus grandes olhos verdes me cativavam mais e mais,
seu sorriso rosado, suas bochechas coradas, seu longo cabelo loiro e seu jeito
espalhafatoso. Cada dia mais eu me perdia nela.
Um dia vi uma
publicação dela dizendo que ela gostava de homens de carro, acho que era uma
brincadeira, mas não podia perder a oportunidade, ainda mais por que seria
legal mesmo eu ter um carro, eu tenho condições e minha família também pode
usufruir, apesar de já ter um carro na garagem de casa, agora é hora de ter um
meu. Eu posso comprar, eu trabalho para isso hora. E comprei e começamos ir
para a faculdade juntos, de carro. Mas ainda não tinha tido coragem de dizer
nada.
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