domingo, 5 de janeiro de 2014

Surpresa da internet - Part. IV



Um dia, um dia antes do nosso “aniversário”, ela sempre fazia questão de lembrar o dia em que me adicionou, ela me chamou para conversar na internet e já era tarde. Eu estava com saudade e aceitei. Há muito tempo não conversávamos tanto e tão bem.
- Roger o que você está fazendo? – Ela digitou.
- Toh conversando com você e vendo tv.
- Você está vendo desenho?
- Sim.
- Está vendo Hora de aventura? – Quando li comecei a rir, pois estava vendo e nem consegui responder. – Sei que sim.
- Néah. Kkkkkk – Respondi.
- Então, posso te confessar uma coisa antes de dormir?
- Diga. – Digitei sem pensar. Já estava calejado de tantas porradas da vida e sem motivos para temer qualquer coisa.
- Sabe aquele episódio em que o rei gelado sequestra a princesa jujuba e o Fin vai salvá-la que ficamos brincando que depois que acabou eles deveriam ter ficado se beijando?
- Sim, lembro. Rsrs – Respondi rindo baixo.
- Então, sempre sonhei que meu príncipe viesse me salvar de um. E ainda espero...
- Não está com seu príncipe? – Joguei verde cheio de esperanças.
- Ele é lindo e muito legal, gosta de mim e tal. Mas às vezes preferiria estar com um Shrek a estar com ele, por que não o amo. Simplesmente queria que meu príncipe chegasse em seu corcel branco e me salvasse.
- Sabe que príncipes montados em cavalos não existem né?
- Pode ser em um camelo mesmo, não ligo. Rsrs – Meu coração apertou em um nó na garganta, pois tinha certeza que ela estava falando de minha bicicleta, pois quando eu comprei-a ela falou que eu tinha trocado um carro por um camelo de cidade. – Tudo bem, amanhã a gente se vê na faculdade. Tenho que dormir, amanhã tenho que apresentar um seminário de psicologia infantil na primeira aula. E assim ela me deixou na madrugada, com os olhos arregalados de esperança olhando para a lua que torna-a a brilhar.
O dia amanheceu e cheio de esperança tomei café, banho, me arrumei e voei pedalando até a faculdade. Quando eu estava quase chegando avistei-a sorrindo e acenando alegre ao longe. Mas um carro me fechou e sem eu ver eu capotei por cima dele e outro veio rápido e me atropelou.
Não me lembro de muita coisa só de um tumulto, de muitas vozes e luzes, muitas luzes. Lembro também de sentir muita dor, mas não conseguir localizar onde. Lembro dos cheiros de sangue e produtos hospitalares. E também a memória mais forte, Sarah chorando e olhando nos meus olhos dizendo que tudo iria ficar bem. Depois disso não me lembro de mais nada.
Quando acordei eu estava num quarto de hospital cheio de presentes, minha mãe estava ao lado da cama e me viu acordar. Os médicos logo foram me diagnosticar e disseram que se eu continuasse respondendo bem aos tratamentos logo estaria em casa. Dois dias depois Sarah foi me visitar e isso me encheu de alegria, me ajeitei à cama. Ela entrou de cabeça apesar de meu sorriso largo. Começamos a conversar e eu disse que sentia saudades dela. Ela disse o quanto estava preocupada e falou muitas coisas lindas. E quando eu estava preparado para dizê-la o quanto a amo o fortão entrou no quarto.
- Vocês ainda estão juntos? – Pergunto perplexo. Ela engasga para responder e ele sem entender fica quieto em pé próximo à porta. – E se não fosse o bastante eu estar aqui todo quebrado você trás esse paspalho aqui?
- Ei... – Ele reclama. Ela tenta se explicar e começa a chorar.
- Saia agora do meu quarto. Sai. – Cego de fúria sou rude. Ela tenta se explicar e desnorteado de ódio grito para que saiam. Ela sai empurrando o rapaz e ele  sem entender sai logo atrás.
Os dias passam e a dor por ter expulso a mulher que amo do quarto de hospital lateja em meu coração. O tempo me ajuda e minha recuperação é mais rápido do que eu esperava.

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