Um dia, um dia antes do
nosso “aniversário”, ela sempre fazia questão de lembrar o dia em que me
adicionou, ela me chamou para conversar na internet e já era tarde. Eu estava
com saudade e aceitei. Há muito tempo não conversávamos tanto e tão bem.
- Roger o que você está
fazendo? – Ela digitou.
- Toh conversando com
você e vendo tv.
- Você está vendo
desenho?
- Está vendo Hora de
aventura? – Quando li comecei a rir, pois estava vendo e nem consegui
responder. – Sei que sim.
- Néah. Kkkkkk –
Respondi.
- Então, posso te
confessar uma coisa antes de dormir?
- Diga. – Digitei sem
pensar. Já estava calejado de tantas porradas da vida e sem motivos para temer
qualquer coisa.
- Sabe aquele episódio
em que o rei gelado sequestra a princesa jujuba e o Fin vai salvá-la que
ficamos brincando que depois que acabou eles deveriam ter ficado se beijando?
- Sim, lembro. Rsrs –
Respondi rindo baixo.
- Então, sempre sonhei
que meu príncipe viesse me salvar de um. E ainda espero...
- Não está com seu
príncipe? – Joguei verde cheio de esperanças.
- Ele é lindo e muito
legal, gosta de mim e tal. Mas às vezes preferiria estar com um Shrek a estar
com ele, por que não o amo. Simplesmente queria que meu príncipe chegasse em
seu corcel branco e me salvasse.
- Sabe que príncipes
montados em cavalos não existem né?
- Pode ser em um camelo
mesmo, não ligo. Rsrs – Meu coração apertou em um nó na garganta, pois tinha
certeza que ela estava falando de minha bicicleta, pois quando eu comprei-a ela
falou que eu tinha trocado um carro por um camelo de cidade. – Tudo bem, amanhã
a gente se vê na faculdade. Tenho que dormir, amanhã tenho que apresentar um
seminário de psicologia infantil na primeira aula. E assim ela me deixou na
madrugada, com os olhos arregalados de esperança olhando para a lua que torna-a
a brilhar.
O dia amanheceu e cheio
de esperança tomei café, banho, me arrumei e voei pedalando até a faculdade.
Quando eu estava quase chegando avistei-a sorrindo e acenando alegre ao longe.
Mas um carro me fechou e sem eu ver eu capotei por cima dele e outro veio
rápido e me atropelou.
Não me lembro de muita
coisa só de um tumulto, de muitas vozes e luzes, muitas luzes. Lembro também de
sentir muita dor, mas não conseguir localizar onde. Lembro dos cheiros de
sangue e produtos hospitalares. E também a memória mais forte, Sarah chorando e
olhando nos meus olhos dizendo que tudo iria ficar bem. Depois disso não me
lembro de mais nada.
Quando acordei eu
estava num quarto de hospital cheio de presentes, minha mãe estava ao lado da
cama e me viu acordar. Os médicos logo foram me diagnosticar e disseram que se
eu continuasse respondendo bem aos tratamentos logo estaria em casa. Dois dias
depois Sarah foi me visitar e isso me encheu de alegria, me ajeitei à cama. Ela
entrou de cabeça apesar de meu sorriso largo. Começamos a conversar e eu disse
que sentia saudades dela. Ela disse o quanto estava preocupada e falou muitas
coisas lindas. E quando eu estava preparado para dizê-la o quanto a amo o
fortão entrou no quarto.
- Vocês ainda estão
juntos? – Pergunto perplexo. Ela engasga para responder e ele sem entender fica
quieto em pé próximo à porta. – E se não fosse o bastante eu estar aqui todo
quebrado você trás esse paspalho aqui?
- Ei... – Ele reclama.
Ela tenta se explicar e começa a chorar.
- Saia agora do meu
quarto. Sai. – Cego de fúria sou rude. Ela tenta se explicar e desnorteado de
ódio grito para que saiam. Ela sai empurrando o rapaz e ele sem entender sai logo atrás.
Os dias passam e a dor
por ter expulso a mulher que amo do quarto de hospital lateja em meu coração. O
tempo me ajuda e minha recuperação é mais rápido do que eu esperava.

Nenhum comentário:
Postar um comentário