Eu seguro á sua mão e flutuamos por sobre as nuvens juntos.
Não tememos nada nem ninguém, desde que estejamos juntos.
Você é meu porto seguro, meu segredo, minha forma perfeita.
Com você às minhas mãos não temo nem a morte. Pelo contrário, somos os senhores
da Morte.
Seu olhar azul celeste penetra minha alma e enrijece-me. Um
sentimento desconhecido até mesmo para os deuses do Olimpo toma conta do meu
corpo e ficamos trocando olhares fortes, penetrantes e viscerais.
Ao ajeitar o cabelo loiro que está por sobre o olho
esquerdo, você retira de trás de si uma arma. Não sou conhecedor de armas de
fogo, mas o simples fato de estar em suas mãos me faz começar a questionar-me.
Dúvidas, dúvidas cruéis corroem-me e um silêncio fúnebre toma
conta do ambiente que, á pouco era celeste, claro e lindo. Agora eu vejo tudo a
nossa volta como um borrão embaçado pelas lágrimas que tomam conta de minh’alma.
- Mate. Mate e traga-me a cabeça em uma bandeja de prata.
- Matar a quem e como farei tudo isso?
- Mate o teu próprio coração e me entregue o cadáver
juntamente com o restante de sua dignidade que ainda há em suas veias.
Temoroso e reflexivo tomei a arma de usa mão esquerda, ela é
mais pesada do que pensava. Inspeciono-a olhando de perto, por todos os ângulos,
manejo-a com cuidado e por fim empunho-a com a mão direita. Fito seus olhos e
você retribui com um olhar de frieza e sadismo.
- Faça agora! – Rosna com dureza.
Com lágrimas embaçando meus olhos castanhos abraço-a.
- Saiba que te amo mais que a minha própria vida. – Sussurro
ao seu ouvido esquerdo e sinto-a sorrir sadicamente.
Ainda abraçados atiro em suas costas perfurando seu coração
e deixando alojada a bala em meu pulmão esquerdo. Perfurando os órgãos vitais
de ambos, do casal, caímos ao chão.
Entre os últimos suspiros de vida você me empurra com ira.
- VOCÊ ME TRAIU...! – Esbraveja deixando esvair cada vez mais
sua vida sendo derramada pelo seu sangue que escorre do buraco da bala.
- Simplesmente fiz o que você man... – Sou interrompido por
tosses de sangue. – mandou. Matei meu próprio coração e entreguei o restante da
dignidade que corre em minhas veias, o fiz quando proferi aquelas palavras de
puro amor, de inteira beleza e de... – Tusso um pouco mais. – e de intensa
pureza. O completei quando deixei ser atingido pela mesma bala que matou o meu
coração, sendo ela um empecilho para uma vida normal. – Ela cai ao chão, mas
ainda viva respira com força e bem rápido. – Agora toda vez que eu quiser ser
feliz, de qualquer forma, vou lembrar que entreguei minha felicidade ao meu
coração que matei. O restante da minha dignidade foi entregue quando decidi
deixar o último pedaço de você em mim impedindo-me de ser eu mesmo.
Não sei se você ouviu todo meu discurso, mas sei que parou
de respirar a alguns segundos. Ao menos sei que fui a última coisa que viu
antes de entregar a alma ao ceifador, seu último amado e o único que não fará
sofrer nunca.
Após essa sena eu desço das nuvens dentre lágrimas e chuva
quente que empapa-me misturando-se ao langue que escorre do meu peito. Desço ás
trevas e por aqui fico durante alguns anos até que Alguém vem tocar minha
campainha e meu olhos voltam a brilhar.
Será que posso voltar a viver? Será que posso tornar a amar?
A bala ainda alojada ao pulmão dói. Derramo duas lágrimas e
logo enxugo-as. Apresso-me á porta e abro-a sorrindo para o outro Você...!

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