Vou até o espelho retrovisor que está ao chão, pego-o e pego
um de seus cacos. Limpo-o com cuidado com minha mão mesmo e olho-me ao que está
mais inteiro. Vagarosamente abro um talho ao meu rosto, arranhando para ver se
está suficientemente afiado. E está.
Largo o retrovisor e fico somente com o caco. Aproximo-me do
rapaz e faço um pequeno furo ao seu pomo-de-adão. Ele começa a respirar com
dificuldade e o sangue jorra no meu rosto. Sorrio sadicamente. Abro os seus
olhos e corto de “fora a fora” suas orbitas oculares. Por fim deixo-o e
volto-me a menina. Limpo-me do sangue de seu amado em seu seio vestido de azul e
acaricio seu rosto macio. Não lhe encontro o lugar certo de ferir. Por quê?
Desço minhas mão por seu corpo contornando sua silhueta.
Passo vagarosamente pelo seu pescoço e sinto a maciez de um suave enforcamento,
- pena não poder experimentar -, passo pelos seus seios e pelo seu braço, pelo
seu tórax e por sua virilha e finalmente chego a parte interna da sua coxa.
Achei a artéria que procurava, o ponto perfeito. Aqui abro um talho perfeito
onde verte muito sangue de sua artéria. Você Pulou quando talhei-a, mas foi
involuntário. Volto-me aos seus olhos e repito o procedimento de rasgar de
“fora a fora”, também, suas órbitas oculares.
Finalmente levanto-me do chão e tiro minha jaqueta, Embrulho
suas mãos unidas nela e vou até o para-brisas do carro que está em pedaços.
Tiro dois grandes estilhaços de vidro pontiagudos. E volto-me aos corpos e sem
pensar muito finco cada um em cada peito, ambos exatamente ao coração.
Ergo-me satisfeito com a obra. Serviço completo. Exceto pela
testemunha ocular.
Levanto o olhar vagarosamente com sadismo em direção ao
olhar do velho que está me vigiando. Ele fica apavorado e deixa cair a garrafa.
Sorrio com sede pelo seu sangue e ele se vira tentando correr, mas cambaleia,
cai, cambaleia mais e cai outra vez e se arrasta e não consegue correr muito.
Caminho em sua direção e com passos largo pego um fragmento, considerável, do
vidro da garrafa de bebida que ele segurava com tanto fervor.
Voo até seu encontro e abraço-o por traz levantando sua
cabeça e encostando meu rosto ao seu pescoço sentindo o fedor de seus pecados e
de sua bebida barata.
- Por favor, por favor, não faça o mesmo comigo, deixe-me
ir. – Pateticamente suplicava pela vida.
- Não posso deixa-lo ir, você viu tudo. Você é o que me
impede do meu felizes para sempre... – solto alguns risinhos de sadismo.
- Eu juro, eu juro que não conto nada. Juro. – Com a voz
trêmula de pânico urina nos meus pés. Gargalho. – Por favor eu lhe imploro. Eu
nem vi nada, nem sei bem o que vi, estou cego e com a chuva não vi nada eu
juro, agora deixe-me ir.
-Tarde de mais para dizer isso vovô... – Subo com o caco de
vidro pelo seu peito enquanto sinto e ouço o choro quente do velho bêbado.
- Eu juro que não conto para ninguém, ninguém vai acreditar
em um velho bêbado mesmo. Eu juro agora me deixe ir pelo amor de Deus. – Ele
grita.
- Deus não está aqui agora vovô. – Paro com a ponta do caco
bem posicionada na garganta do indivíduo. – Quais são suas últimas palavras?
- Vá para o inferno. – Com força e classe. Sorrio e fecho os
olhos enquanto executo e respondo.
- Nos vemos lá. – E passo o vidro cortando profundamente sua
garganta que só via cachaça.”
- E é isso vovô, foi isso que ele me contou.
Apavorado e sem reação pergunto: “Quem te contou isso
Jorge?”
- O Ismael, meu amiguinho que só eu vejo.
- O mesmo que te fez essas manchas roxas? – E sem falar ele
sinaliza que sim com a cabeça.
- O senhor acredita em mim não acredita? – Ainda boquiaberto
sinalizo, igualmente a ele, que sim com a cabeça. – Por que ele diz que gosta
de fazer mal a quem não acredita nele. – Imediatamente derramo uma lágrima. –
Como fez com a...
- PARA, PARA AGORA... – Grito sem saber o que fazer. Começo
a chorar. Lanço-me ao chão e abraço-o. – Me perdoe meu querido, não fiz por
mal. Mas, por favor, não toque mais nesse assunto e fale para seu amigo não
voltar nunca mais.

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