sábado, 27 de abril de 2013

Minha Pocahontas Part. III



Esfregando-me lembro de cada uma das vezes em que nos encontramos bem em baixo dos olhos de Gregório, seu noivo. No parque, numa loja de roupas, ao provador, num banheiro público, num banheiro de bar, na minha casa, em diversos motéis, em alguns hotéis, na livraria onde nos conhecemos, aqui.
Você acorda e desfila nua até debaixo d’água que estou banhando. Chego um pouco para traz e você fica exatamente sob a água. Completamente molhada como na nossa primeira vez.
Precipito num beijo quente, mais caloroso que a água que nos banha. Doces lábios, carnudos e largos inigualáveis. Silhueta delicada como a de uma bailarina, mas com curvas perfeitas como de uma típica brasileira. A pele com uma tonalidade perfeita de caramelo, um veludo intenso. Cabelos longos e negros como a noite, cabelos que me cobriram do frio, do medo, no fervor de nossas noites de pura paixão. Mãos delicadas de uma massagista tailandesa. Um corpo perfeito, tão pequeno que cabe a palma das minhas mãos. Perfeita como as ninfas da Grécia, mas nenhuma delas pode se comparar a sua beleza.
Você transcende o sentido de beleza, você me fez rever meu conceito de amor, você me fez rever meus conceitos todos para manter-me ao seu lado minha bela amada.
Envolvo seu pequeno rosto com minhas grandes mãos de confeiteiro e bebo de sua boca o mais puro leite das ninfas romanas. Beijo o pescoço que exala o perfume das flores do campo e perco-me em seus cabelos negros e sedosos como a melhor seda egípcia. Acaricio sua pele aveludada como a de uma onça prestes a me devorar. Você me morde com lascívia e eu gemo baixo ao seu ouvido. Nossa excitação consegue atingia até os esquimós congelados aos polos da Terra.
Desço em beijos até seus roliços seios de uma jovem em seus latentes vinte anos. Em beijos rijos eu desço ainda mais meus lábios em um só envolver e levo-a a graves e fortes gemidos que ecoa por toda a região montanhosa, onde estamos hospedados. Deleito-me com o mais doce e puro mel de que nosso amor pode experimentar. (Eu, somente eu posso, e consigo, cultivar e colher desse mel que produz e escorre dos ventres teus.). Saímos do box e vamos, em beijos e abraços, adornados de nossa mais pura paixão e só, até o quarto.
Paramos a frente da cômoda. Chupo seu dedo e arranco com a boca esse vil metal, essa falsa aliança que você deveria ter com Gregório.
Ainda de pé ao meio do quarto nos beijando loucamente e quando estamos quase flutuando, com um murro, Gregório, seu noivo, ou ex-noivo, arromba a porta do quaro. Cingido com a farda da polícia militar, com arma em punho, embebido de ódio e vingança mira a arma ao meu peito.
- Gregório não faça isso... – Grita Ivana.
- Calada sua vaca maldita. – Com um tapa ele joga-a ao chão. Isso rasga-me a alma. Estou em choque, não posso me mexer, pois qualquer movimento pode acionar seu dedo ao gatilho. – Você me prometeu amor, você me jurou fidelidade, você dormiu sob meu teto. – Grita com ela olhando para mim.
- Você a machucava – Grito retrucando e percebo seu medo em tirar minha vida.
- Cale a boca. Cala essa boca suja. – E tomado de ira e sego pelo ódio ele, largando uma das mãos da arma, impõe-se como um lorde e precipita minha morte. Ivana lança-se a minha frente e antes que a bala atinja alguém o tempo, meio que, para. A bala se mostra o coração dum anjo revestido de uma capa preta, com o rosto encoberto por um capuz puído, com as asas ruídas por ratos, provavelmente, e um cajado de um pobre velho ao deserto.
Com dificuldade esse anjo levanta o rosto e mostra-me parte de sua face, deixando-me mergulhar na piscina cinza de seus olhos e permitindo ver essa mesma ceda em diversas encarnações nossas.
A visualização em que parei foi a de uma índia, adornada com pinturas e algumas, poucas, vestimentas. Eu, índio de outra tribo traficada e Gregório, um homem branco, empunhando uma arcaica arma para nós. Com a mesma ira e com a mesma sede de vingança.
- ESTÁ NA HORA DE ALGUÉM MUDAR O RUMO DESSA HISTÓRIA. – Trezentas mil vozes diferentes, homens, mulheres e crianças, falam em rija voz para mim, saindo se seus lábios rubros como o sangue que lateja nas veias da minha pocahontas.
Se decompondo em uma bala de calibre trinta e oito o tempo, vagarosamente, torna a voltar ao seu devido lugar.

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