segunda-feira, 25 de novembro de 2013

De sonho à sonho um sonho acontece

Tive você em minhas mãos, mas você não gostou do conforto que lhe dei. Tive você como meu raio de sol, mas hoje você está tão distante que mau aparece a noite para me dizer um breve adeus.
A vi a muito saltitando e rindo, falando às escondidas com os amigos com um olhar curioso que nos vasculhava e investigava à distancia. Você sorriu e eu retribui e buscando novas experiências resolvi sair de quem eu sou para tentar te alcançar e assim você se permitiu fazer, se permitiu ser alcançada e sorriu um sorriso branco e resplandecente, estonteante perfeição, hálito fresco de menta, inebriante sorriso.
Com trejeitos alegres conquistou a todos e envolveu-nos em seu mundo paralelo, um mundo que fazia com que acreditassem que era real, mesmo sem querer. Com um gostos marcantes e incomuns você se deixou aproximar e se fez envolver sem querer se comprometer. – Pena que não percebi que você não queria se comprometer.
Os dias, poucos dias, se passaram e seus saltos foram ficando menores e você começou a dar os primeiros sinais de sufocamento, sua seriedade estranha começou a surgir. Seus sorrisos foram desaparecendo com o tempo e até o jeitinho diferente que antes era fofo foi desaparecendo na indiferença e na aspereza de um tratamento para com uma pessoa que você não quer ver.
Envolta em linguetas de fogo você se consumiu e desapareceu. Seu silêncio foi cortando nossa relação de uma imatura e doce amizade que estava sendo tecida como uma faca perfura o tecido do miocárdio de um inocente na calada da noite, nos mistérios da escuridão e por engano é morto mais uma pessoa que só queria-lhe o bem. Sem saber o que fazer, silenciei-me, recolhi-me e resolvi fazer de meu pranto minha oração, no silêncio, no escuro da noite, no meu íntimo, peço pelo seu bem!
Ainda guardo muito sobre ela, mas já não sei se seria a mesma coisa. Gosto de me lembrar da intensidade do sentimento que tive por ela. Gosto de me lembrar de seu jeito extrovertido, de seu jeito alegre, de seu jeito singularmente peculiar. Gosto de me lembrar de sua filosofia, de suas músicas, de sua arte. Gosto de me lembrar do quanto entristeci-me por não pedir para ver você sendo engolida pelas linguetas de fogo de seu belo vestido vermelho rodado.
Sim, jovem menina dos cabelos negros, sou eu. Sim, jovem menina dos cabelos negros, é você. Sim, jovem menina dos cabelos negros, somos nós. Nossa amizade tão púeri, tão singela, tão doce, tão imatura, tão pequena, tão intensa, ao menos para mim.
Não tem problemas, jovem menina, um dia eu voarei por aí, de sonho a sonho, até achar o meu e quando assim eu encontrar e pousar, quando eu calcar os pés em meu mundo e conseguir subir ao topo da montanha dos vitoriosos eu irei gritar ao mundo em voz tênue os nomes e os feitos de todos que me ajudaram a chegar lá e assim não esquecerei de você. Pois você, jovem menina dos cabelos negros, sorriso radiante e vestido de fogo, você, com todos seus defeitos e qualidades, você me ajudou, sem querer, a me encontrar em um momento que pensei jamais sair.










  Em seus singelos toques de piano, com sua orquestra suave às costas você abre o palco, com a luz dos holofotes ao seu rosto, você treme, sua carne trepida sob sua pele, seus olhos brilham de medo e seu rosto fica paralisado de estatelamento. Você não sabe o que fazer, até que seu príncipe encantado, roqueiro dos anos 70, te salva. Eu venho perguntar o que houve e ordeno que volte ao palco. E ao decorrer da discussão entre eu e o roqueiro dos anos 70 você escapa por entre nossos dedos e proferindo notas suaves como o canto das sereias, você toca as almas expectadoras. Você as ajuda com palavras pobres, porém cheias de significado, filosofia, amor e sangue daquela que lutou para estar onde está.

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