O arrepio começa a subir-me pelos pés e o suor frio desce-me a espinha.
Como numa dança indomada e sem fim sinto-me conduzido por vocês.
Ébrio com meu próprio destino, tonto pelo sono embalado que envolve-me sem perdão.
Nu, apenas vestido com as belezas do cosmos, danço.
Danço para o mundo, danço para meu público, danço de olhos fechados, de máscara e exalando um perfume que não é meu.
Pela primeira vez minha pele foi marcada por um beijo sem amor.
Pela primeira vez minha pele foi marcada por um toque sem paixão.
Com a pele manchada pelo meu pecado.
Com a pele manchada pela minha própria maldição.
Não consigo tirar minhas máscaras, não consigo voltar para mim.
Então bebo meu fim, findo minha bebida.
Olho ao relógio apreensivo vendo o esguio ponteiro vermelho a girar e girar e girar e girar.
A noite cada vez fica mais escura e finalmente o breu toma conta da minha visão.
Sinto a vida se esvaindo.
Já não há mais tempo de perdão.Peço à Deus piedade e clamo ajuda pela dor ao coração.
Mas os goles já foram dados, a bebida foi findada.
Logo a vida já terá sido ceifada e o copo quebrado ao chão será, por fim, meu último amigo, companheiro, consolo.
Sem vida deixo-o ao meu lado, em pedaços, como meu coração, pobre, infeliz, obscuro, sem vida.
Agora já não bate mais.
Voltei!
Voltei para onde jamais deveria ter saído.
Voltei para onde jamais deixei de estar!
Nenhum comentário:
Postar um comentário