sábado, 1 de dezembro de 2012

Loira de Veneza



Essa história começa nas ruelas de Veneza, onde nasci a uns 22 anos. Sou um ladrão, aidético, boêmio, poeta cujo rouba para sobreviver, comer, beber, remédios, essas coisas.
Em uma noite de carnaval, conheci Carmem, uma bela jovem loira, de olhos negros e misteriosos, uma ma garota em busca de aventuras de mulher.
Por muito tempo conversei com ela bêbada, mas por algum motivo que desconheço não consegui roubá-la, pelo contrário, deixei-a em frente a porta do hotel donde ela estava hospedada e coloquei dentro de seu bolso direito um bilhete escrito num papel de pão amassado dizendo, “Deveria tomar mais cuidado, pessoas como eu são perigosas...”. Após isso voltei para o coração da cidade para retomar minha coleta.
Na manhã seguinte ela ficou me observando da sacada de seu quarto, ela estava enrolada num lençol branco, com o cabelo sobre a orelha direita, apoiando o rosto com um leve sorriso sobre o punho esquerdo e na mão esquerda segurando uma xícara amarelada com alguma bebida quente, já eu esta ainda tentando roubar mais algum bêbado.
Conforme os dias se adensavam, nossa relação tomava o mesmo rumo. Até que no carnaval do meu 23º aniversário nós começamos a namorar.
Foi algo estupendo, era só fogo, paixão ardente, discussões de bêbados e reconciliações de volúpias e perdurou por tez longos anos que passaram em um pulsar do nosso coração.
Eu tinha 25 e ela 24 anos, quando parei de roubar a pedido dela e comecei a trabalhar como secretário de seu consultório de dermatologia, com exceção dos carnavais, onde nós íamos farrear, parecia que aquela semaninha era só para nós, era só nossa.
No ano seguinte o carnaval estava mais agitado que o comum. Ela saiu para comprar um alguma bebida e eu fiquei dançando, até que desmaiei no meio do povo. Ela ainda não sabia da minha doença apesar de suspeitar que eu estava doente.
A próxima coisa que me recordo é de me ver numa cama de hospital com Carmem ao meu lado segurando minha mão com muita força e um médico novinho com uma prancheta olhando uns papéis.
- Forte, forte de mais... – Falei ainda de olhos entre aberto.
-A, me desculpe querido. – Ela afrouxa um pouco mas continua segurando minha mão como se fosse cair.
- E então doutor, o que o senhor acha?
- Sinto em lhes dizer, mas o senhor não passa de hoje, aparentemente você não faz o tratamento há muito tempo. – Ele fala saindo já da porta e vai ao corredor fechando-a atrás de si.
- Carmem, me desculpe por ter assustado você. E nem precisa se preocupar teve uma época que eu estava sem grana e fique sem remédio e aconteceu exatamente isso, os médico disseram a mesma coisa e eu ainda vivi ainda mais cinco anos depois. – Solto um risinho forçado. – Fica tranqüila, isso é comum e me desculpe por te esconder isso.
- Tudo bem querido, pode ficar tranqüilo, nosso amor é maior que tudo isso, agora volte a dormir, descanse para sairmos daqui e voltarmos a viver...
Eu só ouvi isso e apaguei, só acordei um tempo indeterminado depois, quando eu ouvi um barulho estranho e um corre-corre estranho no quarto. Quando eu olhei para o chão eu a vi, estirada com uma arma próxima a sua mão e uma grande poça de sangue sob seu corpo já sem vida. Eu entrei em desespero ao ver tudo aquilo e automaticamente desmaiei de desespero.
Ao acordar estava num beco do coração de Veneza e o baile noturno de carnaval estava começando, estava com uma ressaca de uns trinta anos e sem que ninguém me dissesse nada eu percebi que tudo não passou de mais um sonho de um ébrio. O pior de todos, até hoje quando...

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