sábado, 22 de dezembro de 2012

A saga dos olhos verdes * Vingança


- Alô? – Atendo o telefone me distanciando da multidão que está na conferência.
- Já tem um nome? – Ouço meu chefe falando com tom moderado e temperante como sempre. Fico um pouco nervosa pois nunca demorei tanto para conseguir uma informação tão simples.
- Ainda não, não consegui chegar perto dele ou acessar seu computador pessoal, tem muitos programas para proteger as informações que queremos. – Você já foi melhor Senhorita Miller, mais pontual, o que está acontecendo com você? – Engulo a seco essa pergunta retórica. – Quando terminar a conferência você pode voltar a sua sede, passarei o caso para o agente Bittencourt, você o conhece e sabe que ele é bem competente para o caso, só peço que não interfira.
- Senhor, se me permite, eu gostaria de ter mais uma semana para lhe entregar o relatório, não me oponho ao agente Herivelto, mas como já estou engajada a mais tempo no caso, eu proponho-lhe pelo menos um trabalho em equipe. – falo tentando manter o controle na voz. “Mas que absurdo como ele pode querer me tirar desse caso, eu nunca atrasei, pelo contrário eu sempre entrego todo o relatório com tanta antecedência que não há necessidade, isso quando eu mesma não prendo o meu alvo. Nunca falhei no meu trabalho e não será hoje a primeira vez.”
- Tudo bem, você tem até amanhã para me dar alguma informação, o ponto de encontro entre você e o agente Bittencourt é o palácio de Buckingham, ele está indo ainda hoje para Londres, seus horários estão sincronizados, então não tome nenhum desvio, descendo na estação vá direto ao ponto de encontro, lá vocês estão abertos a discutir o caso e decidirem como vão fazer para prender nosso alvo. Não se esqueça Eva, seu alvo é Frederik Hunter, gerente de relações estrangeiras da empresa Coolugat cujo está com grandiosos e importantíssimos trabalhos com a empresa de softwares Brasnet. Herivelto, é brasileiro e já tem todas as informações relevantes para nós sobre a empresa Brasnet, já você, está em atraso com as informações da Coolgat. – Mordo meu lábio inferior de ira, respiro fundo e respondo meu chef.
- Senhor, perdoe-me, mas meu prazo é até hoje anoite e eu estou dependendo do resumo do relatório do agente Herivelto sobre a empresa Brasnet. – Estou agindo mais profissional do que o corriqueiro.
- Ok, ele mesmo lhe entregará o relatório e não se esqueça, nosso cliente está pagando muito caro para investigarmos o assassinato de Nataliano Carneiro. Eva, não fuja do seu objetivo. - Tenho a sensação de que ele, por aquele telefone, pode ver minha alma. Sobe um frio na espinha, mas me contenho para que ninguém perceba que estou um pouco assustada. Ao terminar de falar isso meu chef desliga o telefone e logo vou me encaminhando discretamente para a sala de conferência da diretoria. Eu tenho acesso, pois estou trabalhando dentro do financeiro da empresa Coolgat.
Passo pelo povo cumprimentando-os e entro no prédio da sede conferencial. Passo pelo corredor despercebida e abro uma porta que me dará acesso a sala que quero, ao entra no corredor abro a primeira porta a direita e encontro dentro de uma salinha apertada de almoxarifado dois funcionários se pegando, logo fecho a porta e abro a segunda a direita, ainda não é essa, “tenho que chegar nessa sala antes dos outros para obter informações pertinentes e começar a investigação cujo enrolei tanto para começar. Estava muito bom fingir por uma semana que tinha uma vida normal e não de uma agente policial internacional.” Abro a primeira porta a esquerda e é essa a sala, entro nela, vou direto ao computador do diretor da empresa. Ao liga-lo pede uma senha de 7 dígitos, digito uma senha mestra que recebi da centra: “FATIGUE” e entrou. Assim que termina de abrir todos os programas do computador eu começo a vasculhar os arquivos suspeitos, arquivos que falam sobre transações estrangeira, arquivos com nomes de funcionários, arquivos com senhas de acesso, etc. Passo tudo para um cartão de memória que conecto ao notebook. Ainda procurando por mais arquivos pertinentes ouço um barulho vindo do corredor, logo fecho todos os programas abertos e faço logoff no computador para que ninguém perceba que eu estive por aqui. Corro para o banheiro da sala e entro, espero eles abrirem a porta da sala para eu abrir a porta do banheiro junto e assim ninguém suspeitar do que eu estava fazendo.
- Que bom te encontrar aqui Samanta, procuramos por você, mas Brigitte disse que você poderia já estar aqui já que você é... – Ele hesita. – Diga Brigitte, diga-a o que me disse sobre ela. – Sinto ter a confiança de quase todos naquela sala, principalmente a do dono da empresa, que é quem está falando comigo agora. Olho com arrogância para Brigitte e fico esperando sua resposta.
- ... já que você é puxa-saca do chefe. – ela responde com um tom de arrogância e com um olhar indolente.
 - Engano seu Brigitte, não sou bajuladora, sou competente, palavras bem distintas e com significados singularmente diferentes. Eu simplesmente vim adiantar minha entranha na sala e aproveitei para usar o toalete já que pelo menos aqui eu não me atrasaria para a reunião. – Vejo-a vermelha e envergonhada pela minha resposta e pelos olhares risonhos dos outros funcionários da empresa.
- então vamos parar com isso meninas, vamos dar continuidade ao que viemos fazer aqui. – Fidgins  corta a sensação de constrangimento para com Brigitte e fala se dirigindo ao seu assento.
A reunião começa e todos estamos já sentados, eu estou no meu computador tomando ata de tudo o que está sendo discutido e enquanto eles conversão sobre uma ideia aumentar a visibilidade externa da empresa fico pensativa mexendo e cacheando os tufos de cabelo da minha nuca, quando percebo que a parte traseira da minha tiara, onde tem o fundo falso para o cartão de memória, está vazia, fico um pouco assustada e preocupada, com medo de alguém perceber o cartão, olho para o computador do Fidgins, mas ele não percebeu ainda, espero que nem perceba, mas por precaução, me levanto do meu assento e vou até atrás dele de seu assento, onde ficam as janelas, abro-as disfarçando o meu verdadeiro objetivo que é pegar o meu cartão de volta.
Ele olha para mim e percebe que apesar d’eu estar virada para a janela estou olhando para seu computador.
- Está tudo bem Samanta? – Ele interrompe a discussão e faz todos prestarem atenção em mim.
- Perdoe-me chef, eu distraí um pouco e perdi o nome do ultimo programa que nós vamos comprar, eu estava tentando disfarçar abrindo a janela para ler suas anotações, mas pelo jeito o senhor é bem mais perspicaz do que eu. – Faço cara de envergonhada, mas na verdade estou aliviada de ter pensado em algo tão rápido para responder.
- Claro isso acontece com todos, pode tomar nota aqui do meu computador e voltar para seu lugar. – Ele é bem discreto e com isso dá sequencia a reunião.
- Me desculpe chef, mas devo alertar a Samanta que isso também tem nome, desatenção. – Brigitte fala com um tom de arrogância de quem ganhou alcançou uma vingança de infância.
- Obrigado Brigitte por acrescentar mais uma palavra ao meu vasto vocabulário. – Dou-me por vencida, pois essa não é minha missão.
Debruço-me ao computador do chef e finjo ler o que ele escreveu, passo o mouse sobre seu texto e sem que ele perceba pego o cartão de memória e volto ao meu lugar, finjo ajeitar meu cabelo, colocando o cartão na tiara e torno a digitar qualquer coisa.
Essa reunião dura por um bom tempo, e quando acaba eu vou direto para meu quarto de hotel para poder ler com calma os arquivos que pude pegar do computador do Fidgins. Leio-os calmamente e percebo que nada é de grande relevância, nada além de uma informação que pode me render muitas pistas, tenho as fichas completas de todos os funcionários que estão na conferência e um deles o gerente de tecnologia, ele não parece muito importante, só preciso dos acessos dele para poder descobrir mais coisas sobre Frederik. Esse homem que eu preciso é muito previsível, noivo há três meses, branco, temperamento controlado, pontual e amigo íntimo Frederik e Fidgins. “Hum, o caso está começando a ficar interessante.”
Obtendo as informações de que preciso, começo a arrumar minhas malas para voltar a Londres e encontra-me com Herivelto. Encaminho-me com todos a estação de trem, mas quando eu percebo que meu novo alvo está no mesmo trem que eu começo a caçada.
Enrolo um pouco para entrar no trem e quando finalmente entro, estão quase todas as cabines lotadas e como eu percebi, observando esse homem, ele é bem tarado, então vou direto a cabine dele.
- Com licença, algum paspalho sentou-se em meu lugar e se reusa a sair e como as outras cabines estão cheia eu posso me sentar aqui com você – Digo a ele sensualmente, me sinto fazendo um filme pornô.
- Claro, sem problemas. – Ele consente sorrindo.
- Meu nome é Samanta Pinheiro, sou do financeiro e trabalho na cede da Califórnia. – estendo a mão para cumprimenta-lo.
- Patrick Spencer, gerente da inteligência tecnológica do polo B. – Ele consente e me cumprimenta com um aperto de mão fraco.
Começo a puxar uns assuntos aleatórios e ele vai cada vez mais caindo na minha armadilha, então começamos a beber, ele vai ficando cada vez mais solto e acaba me beijando, ele pede desculpas e fala que nunca traiu a noiva, eu me desculpo também e digo que nunca traí o meu namorado, “ Invento um namorado só para já com essa colocar Herivelto na jogada, tenho certeza que ele futuramente vai me agradecer.”, mas eu não posso deixar escapar essa oportunidade, fecho as persianas, tiro a camiseta e começo a beija-lo. Depois do beijo nós começamos a transar, foi rápido e nem foi bom, tive que fingir um orgasmo e foi a pior atuação da minha vida.
Chegando próximo á estação de Londres eu me visto novamente e falo para ele fingir que nada aconteceu, mas pela preocupação que ele exerce sei que não vai esquecer nunca aquele acontecido, vejo que ele comeu a isca toda e pedia mais.
Logo que chego há estação vou há rua, entro em um taxi e vou direto ao palácio, encontro Herivelto de pé, em frente ao palácio só abro a porta do carro e grito “Entra logo, o taxi aqui é caro.” E ele entende que é para entrar. Nós não trocamos uma palavra, ele está com um rosto bem sério, vestindo uma roupa singularmente desconexa a moda, usando um cachecol preto sobre uma camiseta amarela esverdeada, uma calça jeans azul clara e surrada, coturnos pretos e uma pasta cor de areia, nas mãos ele está com luvas de couro preto e segurando um smartphone cujo está me passando algo, deve ser o relatório.
Ao chegarmos em nosso destino que é um bar próximo ao hotel onde estamos hospedados, pago o motorista, agradeço e saio, Herivelto também, nos sentamos no bar e começamos a conversar em português que é mais seguro e mais fácil para ambos compreendermos, já que eu sou meio brasileira. Explico a ele o que fiz até agora e o porquê eu demorei tanto para obter tão poucas informações. “Ele eu sei que me compreende, pois ele passa pela mesma coisa que eu.”
Sem muita conversa, vamos para o hotel, abrimos estadia e alugamos um quarto, subimos, nos trocamos e vamos para a exposição de quadros de um brasileiro onde eu tenho certeza de que vou encontrar com Patrick.
Ao chegarmos no local, fico sentada em um banco olhando para o mar na mesma rua do prédio onde meu alvo está. Herivelto esta me vigiando de longe, eu estou de tocaia fingindo que estou esperando alguém, na verdade estou esperando meu alvo sair do prédio, “espero que ele saia antes de sua noiva para que eu possa beija-lo e faze-lo terminar o noivado deixando-o somente como meu cumplice na investigação”.
Depois de um tempo esperando ele aparece, ele fica olhando a lua e antes que eu precise me levantar do meu lugar ele se vira e me vê, vem ao meu encontro e me beija na frente de qualquer um, logo que começamos a nos beijar Herivelto aparece para forjar um escândalo, atraindo a noiva de Patrick junto do pintor. Havendo aqui uma ceninha sobre um corno revoltado que bate em Patrick e vai consolar a ex-noiva dele.
Fico aqui com Patrick dentado no chão depois de apanhar de Herivelto, permaneço sobre o corpo dele estirado no chão, fico pensando o que vou fazer agora, as coisas de Herivelto estão no meu quarto, não posso leva-lo para lá, não sei o que Patrick vai fazer, devo agir como uma mulher frágil e dar impressão a ele de que ele pode me manipular sendo que quem vai manipula-lo serei eu.
Levanto-o e levo-o até o banco cujo eu estava sentada.
- Aliás, belo vestido. – Apesar dele estar ainda um pouco sensibilizado por tudo o que aconteceu já está voltando a si.
- Obrigada. – Tento não parecer tão volúvel, mas não dá para disfarçar. – E então, o que vamos fazer agora? Meu namorado me deixou e a sua noiva lhe deixou... – Dou uma abertura para que ele chore as mágoas e encontre o consolo em mim. Ele respira fundo.
- Não é o fim, não se preocupe, temos bons empregos e nos gostamos certo? – Consinto com a cabeça. – Então vamos de carro na minha casa só para eu pegar umas coisas e se quiser vamos até onde você mora com seu ex para pegar umas coisas e morarmos juntos, certo? – Ele parece estar tentando me consolar enquanto sou eu quem estou manipulando-o para conseguir o que preciso. Abraço-o forçando um choro cinematográfico.
- O que seria de mim sem você, muito obrigada por tudo. – Olho em seus olhos e beijo-o.
Saímos aqui e vamos há nossas casas, pegamos o essencial e vamos ao apartamento que ele vai alugar para nós. Passamos por uns momentos de volúpia e logo ele pega no sono. Enquanto fico olhando-o dormindo penso comigo mesma que a armadilha está montada, a presa já está na armadilha e está feliz em estar preso em meu cativeiro, está tudo em minhas mãos, mas eu não sei se de fato quero continuar com isso. Mas logo lembro-me do que meu chef falou comigo pelo telefone, “Eva, não fuja do seu objetivo.”, imagino que ele estava falando desse momento. Recomponho-me, levanto ainda nua da cama e vou mexer no computador de Patrick.
Ligo-o, não tem senha, vou procurando alguns arquivos, encontro algumas senhas salvas, deixo o arquivo com as senhas aberto, depois de uma certa procura encontra uns arquivos bem pesados com bloqueio de senha, eu utilizo as que tem no programa de texto sobre senhas, mas nenhuma delas serve, então eu uso as iniciais de cada senha e abre.
“O meu Deus! Eu nunca iria imaginar encontrar isso aqui, são fotos de várias crianças nuas, violentadas e em situações sexuais, é horroroso e nojento, é doentio e pavoroso, algumas dessas crianças eu mesma encontrei o corpo e prendi o culpado, mas nunca iria imaginar encontrar alguém envolvido com isso aqui em Londres.”
Tento me recompor e continuar procurando informações e consigo, encontro o que estou procurando, tenho os nomes e tudo o que meu cliente está pedindo sobre o assassinato de Nataliano Carneiro, salvo tudo em meu cartão de memória escondido ainda na tiara e salvo também essas fotos, até que “esbarro” por uns programas sobre casos de pedofilia, quadrilhas de pedófilos e desaparecimento de crianças, eu salvo o arquivo, tiro o cartão e vou para meu quarto de hotel antigo, pego tudo o que é meu, fecho a hospedagem e vou para outro hotel.
Quando já estou no meu novo quarto terminando de redigir o relatório da minha missão para mandar ao meu chef eu decido ver o arquivo sobre as crianças desaparecidas que também peguei.  “O meu Deus! Uma dessas crianças é a minha irmã mais nova desaparecida há dez anos.” Com lágrima nos olhos, uma fúria que lateja meu rosto e faz meu sangue ferver e uma cede de vingança no coração abro o arquivo que fala sobre as quadrilhas, “Minha nossa, não só meu alvo, como os componentes da empresa onde estou trabalhando de fachada fazem parte, mas não é só isso, o Nataliano, o alfa do meu cliente, também estava nessa quadrilha.”
Desnorteada fecho de qualquer jeito o computador e vou para a sacada do quarto do hotel de luxo que estou hospedada. Que ódio, não era para ser difícil, mas agora a vingança será há meu modo!
E que a caçada comesse!

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