sábado, 22 de dezembro de 2012

A saga dos olhos verdes * Traição

Já estou no trem para Londres a alguns minutos olhando pela janela quando uma mulher de pele branca e cabelos negros pede para dividir a cabine comigo, ela explica que já estão todas lotadas e é claro que eu permito a entrada dela. Primeiro que tenho certeza de tela visto na conferência e segundo que ela é linda. Ela arruma a mala no bagageiro da cabine e se senta de frente para mim. Discretamente encarando-a percebo que está vestindo uma camiseta amarela que me permite ver o seu sutiã roxo e de renda preta, veste também uma calça jeans surrada e igualmente apertada, me permitindo descobrir que a sua lingerie é um conjunto.
Ela puxa assunto sobre a conferência, mas não nos prolongamos nisso, pois lá foi um saco. Ela se apresenta como “Samanta Pinheiro, financeiro”, pelo seu sotaque ela me permite perceber que é californiana, eu estendo minha mão para cumprimenta-la e me apresento como “Patrick Spencer, gerente da inteligência tecnológica do polo B”. Nós conversamos por muito tempo e sobre muitas coisas.
Não sei o que me deu na cabeça, mas depois de umas bebidas e outras que nos foram servidas aqui na cabine, nós nos beijamos. A primeira impressão é que fico um pouco arrependido, pois nunca havia traído minha noiva Elena e agora traio com uma estranha. Ela se desculpa e explica que está namorando e que nunca iria querer trai-lo, mas depois de três meses sem vê-lo estava precisando de um calor de homem. Eu falei que a compreendia e que só havia ficado apenas uma semana sem minha noiva e já estava necessitado. Isso foi o suficiente.
Ela se levanta sem hesitar ou falar algo, vai até a porta da cabine e abaixa à persiana, tira a camiseta e senta-se no meu colo e fecha a persiana da janela beijando-me. Passamos aqui algumas horas de orgasmos, gemidos, arranhões e puro prazer, nos deleitando com o gozo da vitalidade de nossa alma.
Após umas horas de prazer, ficamos sentados por um certo tempo em conchinha, ela no meu colo e escorando na parede, só conversando, após tantas posições em tão pouco espaço ficamos cansados. Eu percebo uma tatuagem atrás do seu ombro esquerdo, é a deusa da justiça, na mão direita uma pistola Colt 45 e com a mesma mão apoiando contra o peito uma bíblia, na mão esquerda segurando uma balança de prata, com os olhos vendados, vestindo uma toga que lhe despia um dos seios e usando um broche que é um distintivo policial, mas êxito em perguntar se há algum significado para a tatuagem.
Depois de alguns minutos naquela posição, já olhando para a paisagem lá fora, ela se levanta e veste-se, pois já estamos chegando à estação.
Ao chegarmos saímos do trem, fingimos que não nos conhecemos, apesar de ainda conseguir sentir sua boca aveludada na minha e seu cabelo de seda negra em minhas mãos.
Vou ao encontro de Elena e finjo que nada de mais aconteceu, vejo-a um pouco chocada e me preocupo, limpo sua lágrima no rosto e pergunto o que aconteceu, “Nada.” ela me responde boquiaberta , deve não ter sido nada mesmo, então levo-a em casa para nos  arrumarmos e no caminho vou contando algumas coisas da viagem, ela parece um pouco distraídas, mas super interessada na viagem. Bem típico dela mesmo.
Ao estarmos prontos e entrarmos no carro para irmos a uma exposição cultuadíssima de um pintor brasileiro, pergunto-a novamente o que a deixou distraída daquele jeito, ela diz que foi uma reportagem que viu no telejornal mais cedo, “falava sobre umas guerras urbanas na cidade de minhaa família no Brasil e me deixou preocupada”. Confio nela, ela nunca foi uma boa mentirosa e estou sem Tv há uma semana, deve ser isso mesmo.
Ao chegarmos à exposição vou procurar o tal artista e tenho muita dificuldade pois ele é singularmente brasileiro, falo com ele em um português quase ativo, ele pareceu aliviado por não conversarmos em inglês, logo ele vai falar com Elena.
Eu aproveito para sair um pouco e respirar esse ar gelado do inverno britânico. Quando estou prestes a entrar novamente olho para a outra rua e vejo Samanta em um banco, sentada, sozinha.  Não hesito, esqueço-me de tudo e vou a seu encontro, ela sorri e fala da coincidência de nos encontrarmos aqui, eu pego em sua mão e levo-a para o lado do prédio onde está sendo a exposição do brasileiro Heitor Severo Carneiro e a beijei loucamente, no primeiro beijo ela hesitou, mas depois d’eu pegar em seu cabelo, enrola-lo em meu punho e puxar sua cabeça para traz beijando seu pescoço ela cedeu e nossos beijos consecutivos são tão ardentes que até a neve derrete antes de tocar os nossos corpos em tamanho frenesi de paixão.
Em meio a muitos beijos ouço um barulho de vidro se estilhaçando, é a taça de Elena que se quebra tocando o chão ao encontrar-me beijando Samanta. Ao vê-la com aquela cara de desespero eu larguei Samanta e fui direto em sua direção, ouvi um homem gritando com Samanta, mas ignorei e fui desculpar-me com minha noiva.
Eu estou no meio dessa confusão e sem perceber começo a culpa-la pela minha traição, culpei a única vítima. Ao  ver aquela lágrima escorrer de seu rosto percebi, “é a mesma lágrima da estação, ela me viu”, logo desculpei-me e contei que havia transado com outra e que aceitava o que ela falasse. Ela simplesmente, ao lado do pintor, chorando, deu-me um tapa, “esse é o fim de algo que sequer deveria ter começado Patrick”, ela joga em meu peito a aliança da minha avó e entra no prédio batendo pé e a porta, vou atrás dela, mas Heitor não deixa. Começo a gritar com o menino, “quem você pensa que é ...” e logo um homem moreno e de olhos verdes me pega pelo braço e me pergunta com calma e lágrima nos olhos, “ Foi você que transou com a minha Sam?”, eu tento me explicar mas antes de terminar ele me dá um soco que me derruba ao chão.
- Isso é pela minha namorada. – Em seguida ele chuta minha virilha com força. – E isso é pela sua noiva.
Antes dele mi virar as costas Sam lança-se sobre meu corpo que se contorce de dores na rua vazia e coberta de neve fofa.
- Sam, não precisa nem me procurar – Ele gesticula demostrando um misto de confusão, ira, desgosto e decepção. E logo entra no prédio. O pintor entra atrás dele, mas antes disso lança-me um olhar de desapontamento.
Apesar de Samanta estar sobre meu corpo ainda deitado no chão e estar me consolando, fico aqui, deitado, olhando para o fim da rua, o meio fio que delimita no meu horizonte a terra firme da água gélida. Fico aqui, deitado, revendo o que errei, qual pedra do meu tabuleiro de xadrez da vida que mexi errado. Acho que eu tentei comer uma rainha, jogada de mestre, mas acabei levando um xeque-mate pela torre, pelo bispo, um peão e um cavalo, um belo garanhão de olhos verdes.
É, pelo visto é xeque-mate, mas como a luz da lua e os flocos de neve no meu rosto percebi, é hora de reiniciar o jogo e serei as peças brancas.
“Peão ‘D 7’ para ‘D 5’. O jogo começou, prepare-se!”

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