Vi teus olhos, amarelos acinzentados, olhando nos meus.
Doces facadas flamejantes que atravessaram com maéstrica destreza meu coração e
minh’alma.
Seus lábios rubros como o sangue que pulsa sofregamente num
peito que nunca será seu. Lábios esses sedentos pelo mais doce e puro
sentimento que jamais habitastes seu músculo vital.
Suas garras contorcem-se em lâminas que o ferem em desejo de
ter-me.
Sinto e ouço o batimento ritmado de seu coração, sinto o
calor de sua paixão e compadeço-me de sua desilusão por jamais ter-me como seu.
Seus feitiços já não me enfeitiçam mais, seus encantos já
não me encantam mais, seu sorriso já não erradia, se quer brilha mais.
Suas mãos já não me tocam mais, seus pés já não me alcançam.
Seus lábios carecem dos meus, seu frio carece do meu calor.
Mas hoje aprendi a ser meu, só meu e estou me curando das feridas que causaste
em mim, num passado impiedoso!

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