domingo, 11 de agosto de 2013

O veneno que tu me deste



Com os pés descalços vou caminhando a rua, pela penumbra que os postes fracos deixam. Os paralelepípedos calcam meus pés, às vezes os ferem. Mas isso já não me importa mais.
Meu coração está apertado em um nó à garganta, sinto como se a parte direita do meu corpo não existisse.
Como é estranho ver o céu estrelado e com a lua brilhante me iluminando, porém mesmo assim chove, molhando-me e dissolvendo-me em mágoas, dor e tristeza.
Já não sei se choro ou se não sinto nada. Tudo que consigo sentir é meu rosto é o formigamento de emoções intensas que se fundiram com as gotas de chuva que lavam meu ser ferido pela sua falta.
Sinto em minha mão direita o toque ainda vívido da sua, mas sei que não posso senti-lo de verdade.
- Como poderia se você me matou dentro de si e em mim... –
Meus olhos castanho escuro, que por tantas vezes fitaram os seus com docilidade e carinho, agora são sem vida e vagam a procura de algo que não sabem o que é e que nunca acharam.
Meus pés sangram o caminhar sem destino e trilham ruas tortuosas, tenebrosas e frias a procura do seu corpo quente colado no meu.
Meu sorriso fugiu com todos os sentimentos bons que foram roubados como aquele beijo que me roubastes, aquela noite chuvosa, no escuro, num canto, rindo e brincando, molhados como um casal de cinema.
Como nos amamos, foi intenso, foi vertiginoso, foi doloroso.
Cada briga, cada separação, cada tapa, cada reconciliação. Foi intenso o suficiente para que eu acabasse com minha vida quando disse não me amar mais.
Como uma vez disse a você, “Se não podes me amar, ninguém pode!”. E assim foi feito, se não podes me amar, ninguém pode.
Na escuridão da noite bebi meu legado, bebi meu amor, meu ódio. Findei minha dor com amargura, rancor e veemência.
Dei-te meu coração e tu pisaste. Dei-te minha vida e tu diluíste-a em pó.
Na escuridão da noite, em nossa casa, onde era nossa casa. Na sala de estar eu bebi o elixir da minha morte e deixei-me apaixonar pelo belo anjo negro que veio me buscar amaldiçoando-me a vagar por dentre os mundos até o dia em que eu reencontre com meu eterno amor vivo e assassino sem mancha de sangue nas mãos.
Logo vi meu corpo estirado ao assoalho, já sem vida. Já pálido você chega com uma amiga à porta, uma suposta amiga...
Seus olhos são de pavor e de sentimentos fúnebres sobre o cadáver que tu mesmo fizeste.
Você se joga sobre meu corpo e consigo sentir seu calor por mais uma vez. Limpa minha boca suja de veneno e vômito. Me faz juras de amor. Mas agora é tarde.
Ela liga para a emergência que se apressa e logo chega friamente à cena, vendo você segurando minha mão com força e prostrando suas dores sobre um corpo gélido e já sem vida.
Você se despede deitando sobre meus lábios carnudos, frios e sujos, pela morte, o último beijo. O beijo que esperei aquela noite que você disse não me amar mais. Aquela noite que te esperei para jantar, aquela noite que esperei que você dissesse um “Eu te amo” e me abraçasse sem medo.
O pronto atendimento me leva e você fica na solidão, com sua amiga.
Inconsolável não sabe o que fazer. E eu, permaneço ao seu lado, mesmo não podendo ter-te, mantenho minha jura de permanecer contigo para sempre!

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